Resgatados de trabalho escravo no PR comiam mistura de farinha, água e sal | aRede
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Resgatados de trabalho escravo no PR comiam mistura de farinha, água e sal

Os trabalhadores foram atraídos por um anúncio em rede social que oferecia trabalho para colher mandioca, com pagamento semanal

Os trabalhadores foram atraídos por um anúncio em rede social que oferecia trabalho para colher mandioca, com pagamento semanal
Os trabalhadores foram atraídos por um anúncio em rede social que oferecia trabalho para colher mandioca, com pagamento semanal -

Publicado por André Ribeiro

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Os 12 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em Paranacity, no Noroeste do Paraná, se alimentavam de uma mistura de farinha, água e sal. Sem salários, o grupo tinha acesso a poucos alimentos ou nenhum. No dia do resgate, em 30 de setembro, um deles relatou à Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) que não havia comido nada. Em depoimento, também explicou que ficou aproximadamente 20 dias sem água no alojamento.

O grupo era formado por dez adultos e dois adolescentes, de 15 e 16 anos. Sete deles são de nacionalidade paraguaia. Os trabalhadores foram atraídos por um anúncio em rede social que oferecia trabalho para colher mandioca, com pagamento semanal. Após demonstrarem interesse, passaram a ser comandados por um intermediário que se apresentava como "Gato". Desde o fim de agosto, colheram mandioca em diferentes propriedades da região. Receberam apenas o primeiro pagamento e, depois, permaneceram sem salário.

No alojamento, dormiam em colchões no chão, doados por vizinhos. O imóvel não tinha condições básicas de higiene e não foram encontrados alimentos disponíveis. Em determinado período, dividiram a mistura de farinha, água e sal e um pacote de bolachas.

Os trabalhadores foram atraídos por um anúncio em rede social que oferecia trabalho para colher mandioca, com pagamento semanal
Os trabalhadores foram atraídos por um anúncio em rede social que oferecia trabalho para colher mandioca, com pagamento semanal |  Foto: SIT/MTE

A AFT afirmou que as condições constatadas ultrapassavam irregularidades trabalhistas isoladas e configuravam submissão a condições degradantes de trabalho, uma das modalidades de trabalho análogo à escravidão previstas na legislação brasileira. "Em conjunto, as condições constatadas ultrapassavam irregularidades trabalhistas isoladas e, segundo a Inspeção do Trabalho, configuravam submissão dos trabalhadores a condições degradantes de trabalho, uma das modalidades de trabalho em condição análoga à de escravo previstas na legislação brasileira", diz o comunicado.

Nesta quarta-feira (14), o g1 confirmou que os trabalhadores retornaram em segurança às cidades e ao país de origem. Os nomes dos dois empregadores não foram divulgados oficialmente. Por haver dois adolescentes entre os resgatados, há possibilidade de aumento de metade da pena, conforme a AFT. O caso permanece em investigação.

Com informações do TNOnline, parceiro do Portal aRede.

RESUMO

Condições degradantes e fome: Doze trabalhadores (incluindo dois adolescentes e sete paraguaios) foram resgatados de trabalho análogo à escravidão na colheita de mandioca em Paranacity (PR), vivendo sem salários, em alojamento insalubre e alimentando-se de farinha com água e sal.

Atração e aliciamento: O grupo foi aliciado por meio de anúncios em redes sociais com promessa de pagamento semanal, sendo intermediado por um "gato", mas recebeu apenas o primeiro pagamento antes de ser privado de remuneração e comida.

Resgate e investigação: A Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) confirmou que as vítimas já retornaram em segurança aos seus locais de origem; o caso segue sob investigação, com possibilidade de aumento de pena aos empregadores por envolver menores.

CONTEÚDO DE MARCA

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