Resgatados de trabalho escravo no PR comiam mistura de farinha, água e sal
Os trabalhadores foram atraídos por um anúncio em rede social que oferecia trabalho para colher mandioca, com pagamento semanal

Os 12 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em Paranacity, no Noroeste do Paraná, se alimentavam de uma mistura de farinha, água e sal. Sem salários, o grupo tinha acesso a poucos alimentos ou nenhum. No dia do resgate, em 30 de setembro, um deles relatou à Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) que não havia comido nada. Em depoimento, também explicou que ficou aproximadamente 20 dias sem água no alojamento.
O grupo era formado por dez adultos e dois adolescentes, de 15 e 16 anos. Sete deles são de nacionalidade paraguaia. Os trabalhadores foram atraídos por um anúncio em rede social que oferecia trabalho para colher mandioca, com pagamento semanal. Após demonstrarem interesse, passaram a ser comandados por um intermediário que se apresentava como "Gato". Desde o fim de agosto, colheram mandioca em diferentes propriedades da região. Receberam apenas o primeiro pagamento e, depois, permaneceram sem salário.
No alojamento, dormiam em colchões no chão, doados por vizinhos. O imóvel não tinha condições básicas de higiene e não foram encontrados alimentos disponíveis. Em determinado período, dividiram a mistura de farinha, água e sal e um pacote de bolachas.

A AFT afirmou que as condições constatadas ultrapassavam irregularidades trabalhistas isoladas e configuravam submissão a condições degradantes de trabalho, uma das modalidades de trabalho análogo à escravidão previstas na legislação brasileira. "Em conjunto, as condições constatadas ultrapassavam irregularidades trabalhistas isoladas e, segundo a Inspeção do Trabalho, configuravam submissão dos trabalhadores a condições degradantes de trabalho, uma das modalidades de trabalho em condição análoga à de escravo previstas na legislação brasileira", diz o comunicado.
Nesta quarta-feira (14), o g1 confirmou que os trabalhadores retornaram em segurança às cidades e ao país de origem. Os nomes dos dois empregadores não foram divulgados oficialmente. Por haver dois adolescentes entre os resgatados, há possibilidade de aumento de metade da pena, conforme a AFT. O caso permanece em investigação.
Com informações do TNOnline, parceiro do Portal aRede.
RESUMO
Condições degradantes e fome: Doze trabalhadores (incluindo dois adolescentes e sete paraguaios) foram resgatados de trabalho análogo à escravidão na colheita de mandioca em Paranacity (PR), vivendo sem salários, em alojamento insalubre e alimentando-se de farinha com água e sal.
Atração e aliciamento: O grupo foi aliciado por meio de anúncios em redes sociais com promessa de pagamento semanal, sendo intermediado por um "gato", mas recebeu apenas o primeiro pagamento antes de ser privado de remuneração e comida.
Resgate e investigação: A Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) confirmou que as vítimas já retornaram em segurança aos seus locais de origem; o caso segue sob investigação, com possibilidade de aumento de pena aos empregadores por envolver menores.



