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El Niño registra intensidade jamais observada em outubro

Dados da agência norte-americana NOAA mostram anomalia histórica na temperatura do oceano, superando marcas de grandes eventos do passado

Dados mostram aquecimento atípico das águas no Pacífico Equatorial Central
Dados mostram aquecimento atípico das águas no Pacífico Equatorial Central -

Publicado por Eduarda Gomes

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A intensidade do fenômeno El Niño atingiu um nível jamais observado para o início do mês de outubro desde o início dos registros históricos, de acordo com dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência de clima dos Estados Unidos. O boletim semanal mais recente apontou que a anomalia na temperatura da superfície do mar chegou a +3,3 ºC na região Niño 3.4, situada no Pacífico Equatorial Central, área utilizada para definir a forma clássica e os impactos globais do fenômeno pelo índice ONI.

Pelo novo Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que realiza uma compensação com o aquecimento geral dos oceanos tropicais, a anomalia registrada ficou em +2,4 ºC. Ambos os indicadores enquadram o evento atual na categoria de "Super El Niño", classificação reservada para anomalias iguais ou superiores a +2 ºC.

A comparação histórica elaborada pela MetSul Meteorologia com base no índice ONI evidencia o caráter inédito do episódio atual. No início de outubro, as anomalias medidas em eventos passados de grande magnitude foram de +2,0 ºC em 1982-1983, +2,0 ºC em 1997-1998, +2,1 ºC em 2015-2016 e +1,5 ºC em 2023-2024. As informações foram divulgadas pelo portal da MetSul Meteorologia.

Os modelos climáticos analisados indicam que o El Niño continuará a se intensificar ao longo do mês de outubro na faixa equatorial do Pacífico. As projeções sinalizam que o pico de intensidade do episódio 2026-2027 deverá ocorrer entre novembro e dezembro deste ano, com posterior redução gradual da força a partir do início de 2027.

Embora haja consenso sobre o momento de pico no final do ano, existem divergências quanto ao valor máximo da anomalia. A maioria das simulações aponta para um pico entre 3,5 ºC e 4 ºC, enquanto alguns modelos projetam que a anomalia na Região Niño 3.4 possa ultrapassar a marca de 4 ºC.

A MetSul reforça que a intensidade medida pelas águas do Pacífico não se traduz em impactos de forma linear ou proporcional em todas as regiões do planeta. Cada episódio possui características próprias de circulação atmosférica, ventos, interação com outros oceanos e distribuição de calor, o que altera a resposta do clima em cada localidade.

Essa dinâmica explica as diferenças observadas em relação a eventos anteriores. O El Niño de 2026, embora mais forte do que o registrado em 2023, provocou até o momento volumes de chuva menores no Rio Grande do Sul em comparação a três anos atrás. Por outro lado, no estado de São Paulo, o evento atual causou excesso de precipitação e enchentes, diferindo das ondas de calor de 2023. No Paraná, o estado vem sendo significativamente mais atingido por chuvas e tempestades do que no episódio de três anos atrás.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Intensidade inédita: A anomalia de temperatura no Pacífico Equatorial atingiu +3,3 ºC (+2,4 ºC pelo índice RONI) no início de outubro de 2026, superando as marcas de todos os eventos anteriores no mesmo período.

- Projeção de pico: Os modelos meteorológicos indicam fortalecimento contínuo do El Niño, com expectativa de intensidade máxima entre novembro e dezembro deste ano, podendo atingir anomalias entre 3,5 ºC e 4 ºC.

- Efeitos não lineares: Apesar do recorde de aquecimento, os impactos variam regionalmente; o Paraná e São Paulo registram mais chuvas e tempestades do que no evento de 2023, enquanto outras regiões apresentam respostas climáticas distintas.

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