Moro diz que transição já começou e que definição do governo será “tudo a seu tempo” | aRede
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Moro diz que transição já começou e que definição do governo será “tudo a seu tempo”

Governador eleito confirma conversas com Ratinho Junior e Alexandre Curi, promete reduzir o número de secretarias e afirma que pretende chegar a janeiro com a nova estrutura administrativa definida. Eleição de Flávio Bolsonaro também é prioridade neste momento

As conversas incluem o acesso a informações sobre a situação financeira do Estado, os programas em andamento e a possibilidade de ajustes no orçamento de 2027
As conversas incluem o acesso a informações sobre a situação financeira do Estado, os programas em andamento e a possibilidade de ajustes no orçamento de 2027 -

Publicado por Diego Chila

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O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), afirmou nesta sexta-feira (9), em entrevista à CBN Curitiba, que a transição de governo já começou e que a definição do secretariado e da nova estrutura administrativa será feita gradualmente. “Tudo a seu tempo. Nada se define na semana seguinte às eleições”, declarou. Segundo ele, o objetivo é chegar a janeiro com as principais mudanças planejadas para acelerar a implementação do plano de governo.

Moro confirmou que já conversou com o governador Ratinho Junior (PSD), que se colocou à disposição para colaborar com a transição, e com o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (Rep). As conversas incluem o acesso a informações sobre a situação financeira do Estado, os programas em andamento e a possibilidade de ajustes no orçamento de 2027.

“Da mesma forma, o governador Ratinho Junior me ligou, se colocou à disposição, vamos começar a construir a transição. A gente já tem uma equipe discutindo transição. Agora vamos colocar em contato com a equipe a ser definida pelo governador para que possamos ir recebendo as informações”, afirmou Moro, sem revelar nomes neste primeiro momento.

O governador eleito também disse que pretende trabalhar com Alexandre Curi para avaliar eventuais adequações na proposta orçamentária do próximo ano. “Já conversei com o presidente da Assembleia, Alexandre Curi, um estadista nessa transição, e vamos trabalhar para que tenhamos os ajustes que forem eventualmente necessários no orçamento, pensando no nosso futuro governo”, declarou.

Moro ressaltou que pretende manter uma relação institucional com os atuais governantes e parlamentares, independentemente das disputas eleitorais. “As eleições passaram, durante as eleições os ânimos evidentemente se exaltam. Da nossa parte, nós fizemos uma campanha muito limpa e sem ataques, sofremos até ataques, mas vamos olhar para frente. Não vamos fazer um governo de vingança”, disse.

Redução de secretarias e equipe técnica

Questionado sobre a expectativa de aliados para conhecer os nomes que integrarão o secretariado, Moro afirmou que a prioridade, neste momento, é conhecer a situação administrativa do Paraná e planejar a reorganização do governo.

O governador eleito reiterou a promessa de reduzir o número de secretarias, embora ainda não tenha definido quantas pastas serão extintas ou incorporadas. Segundo ele, a mudança pretende diminuir a burocracia, melhorar a eficiência administrativa e reduzir despesas.

“Queremos, sim, enxugar a máquina para reduzir a burocracia, ter uma gestão mais dinâmica e também mais econômica, porque cada centavo economizado é dinheiro que a gente vai aplicar na ponta, em favor do cidadão”, afirmou.

Moro acrescentou que, como prometeu na campanha, pretende escolher nomes técnicos para as diferentes áreas e disse que já tem algumas pessoas em vista. No entanto, evitou antecipar indicações. “Claro que a gente já tem alguns nomes em vista, mas eu entendo que tudo tem que ser feito ao seu tempo. Não tem necessidade de fazer anúncios prematuros”, declarou.

Segundo ele, a transição também servirá para levantar informações sobre os programas em andamento, as contas públicas e a estrutura atual da administração estadual. A intenção é preparar as mudanças com antecedência para que o novo governo comece a trabalhar em janeiro.

Flávio Bolsonaro é prioridade neste momento

Apesar dos trabalhos para a transição estadual, Moro afirmou que sua principal prioridade política neste momento é a eleição presidencial. O governador eleito esteve em Brasília nesta semana e participou de um ato de apoio ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

“A prioridade agora máxima é a derrota do Lula, a eleição do Flávio Bolsonaro, que vai ser importante também para o Estado do Paraná, para a gente ter um aliado no Palácio do Planalto”, afirmou.

Moro disse que pretende atuar para ampliar a votação de Flávio no Paraná e avaliou que o resultado do primeiro turno demonstrou uma demanda por mudanças. Em sua análise, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta insatisfação em razão da economia, do endividamento das famílias e da segurança pública.

“O Brasil não aguenta mais o governo do PT, das famílias endividadas, da inflação de alimentos, do supermercado alto, das empresas quebrando e do desespero das pessoas com o crime avançando, com a falta de projeto para o país”, declarou.

O governador eleito, porém, ponderou que a disputa presidencial ainda exige cautela. “Está bem encaminhado, mas a gente tem que ter pé no chão e humildade de saber que a eleição se ganha no dia da apuração”, afirmou.

Busca por apoio na Assembleia Legislativa

Moro disse que já recebeu contatos de deputados estaduais de diferentes partidos interessados em conversar sobre a formação de uma base de apoio ao futuro governo. Sua coligação elegeu 20 deputados estaduais, e o governador eleito pretende ampliar o diálogo para viabilizar a aprovação de projetos na Assembleia Legislativa.

“Se nós conseguimos consenso em princípios, em valores relacionados à pauta do governo, eu não vejo dificuldades em fazer uma composição”, afirmou.

Entre as propostas que pretende apresentar aos parlamentares, Moro citou a defesa da liberdade econômica, de um Estado menor e da redução futura da carga tributária, condicionada ao equilíbrio das contas públicas.

Ele também destacou a importância de respeitar a autonomia do Legislativo. “É um trabalho de respeito institucional, com respeito à autonomia da Assembleia, um poder separado, mas que tem que trabalhar em harmonia com o governo”, disse.

Redução de impostos e competitividade

Na área econômica, Moro afirmou que pretende discutir com o setor produtivo medidas para recuperar a competitividade do Paraná. Ele citou a alíquota geral do ICMS, que, segundo declarou, está em 19,5%, e defendeu uma redução gradual da carga tributária, desde que haja equilíbrio fiscal.

“Com o equilíbrio das contas públicas, com a redução de gastos e com a prevenção dos desvios de dinheiro, nós queremos, com o tempo, reduzir essa alíquota para nos tornarmos ainda mais competitivos”, afirmou.

O governador eleito também mencionou as reclamações de empresários sobre a substituição tributária, mecanismo que antecipa o recolhimento do imposto em determinadas operações. Para ele, o tema exige análise cuidadosa, porque, embora ajude a combater a sonegação e facilite a arrecadação, pode elevar os preços ao consumidor e antecipar pagamentos de empresas.

“Temos que tomar o cuidado para que o remédio não mate o paciente”, disse.

Moro afirmou que pretende manter diálogo permanente com o G7, grupo que reúne entidades representativas do setor produtivo paranaense, além de outras organizações empresariais.

Copel e qualidade dos serviços

A qualidade dos serviços de energia elétrica também foi apontada como uma das prioridades do futuro governo. Questionado sobre as reclamações de produtores rurais e empresários a respeito das quedas de energia, Moro afirmou que pretende cobrar providências da Copel.

“Resolver a questão da Copel, da má qualidade dos serviços hoje prestados, é para nós um ponto de honra”, declarou.

Segundo ele, o governo buscará um plano de investimentos e alternativas para melhorar o atendimento a empresas e consumidores residenciais.

“Vamos começar trabalhando duro nisso, exigindo primeiro um plano de investimento e buscando alternativas para que a gente possa deixar a ligação da Copel com os serviços ao cidadão paranaense, seja empresas ou ao cidadão comum, mais imune a quedas de energia constantes”, afirmou.

Moro relacionou a melhoria dos serviços públicos ao desenvolvimento econômico e à capacidade do Estado de atrair investimentos.

Combate à corrupção e segurança pública

Moro também reafirmou que pretende retomar políticas de prevenção e combate à corrupção no Paraná, associando a iniciativa à eficiência do gasto público e à ampliação dos investimentos em áreas essenciais.

Ele citou a experiência da Operação Lava Jato e afirmou que pretende instituir um Código de Ética da Alta Administração, formar um governo com perfil técnico e garantir autonomia aos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo combate a irregularidades.

“Não que a finalidade do governo seja prevenir e combater a corrupção, mas esse é um meio para a gente ter mais educação, mais saúde, mais infraestrutura no Estado”, afirmou.

O governador eleito também reiterou que pretende manter a segurança pública entre as prioridades da gestão.

Agradecimento aos paranaenses

Ao agradecer aos eleitores paranaenses pela vitória no primeiro turno, o governador eleito disse que pretende honrar os votos recebidos e transformar as propostas apresentadas na campanha em ações de governo.

“Minha promessa principal é que nós vamos honrar cada um dos votos, da confiança depositada na gente, no governo que começaremos ali em janeiro”, declarou.

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