Ibovespa renova máxima histórica e dólar fecha em R$ 5 após 1º turno
Euforia não se limita ao dólar e ações brasileiras saltam após os resultados eleitorais; Flávio Bolsonaro e Lula se enfrentarão no segundo turno

O Ibovespa renovou o recorde histórico nesta segunda-feira (5), em meio à forte reação dos mercados ao resultado do primeiro turno das eleições no Brasil. No mesmo dia, o dólar à vista fechou em baixa de 4,12%, a R$ 5 na venda.
A bolsa paulista subiu 7,70%, a 206.911,89 pontos, após marcar 192.137,63 na mínima e 209.605,70 na máxima, maior nível intradiário já registrado pela bolsa.
O resultado do primeiro turno, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gerou euforia no mercado financeiro. O movimento também foi observado nos juros futuros, que recuaram, enquanto o Ibovespa futuro com vencimento em outubro chegou a saltar 8,63% durante os negócios.
Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o desempenho robusto reflete a leitura positiva dos agentes econômicos sobre a corrida eleitoral.
"Mais do que o alívio imediato, o resultado das urnas trouxe uma sensível melhora nas perspectivas para a trajetória da dívida pública, ancorando a confiança do mercado em um cenário econômico mais estável a partir de 2027", afirmou.
De acordo com ela, o movimento também reflete o otimismo com a nova composição do Congresso e sua disposição para se comprometer com reformas e medidas impopulares, além de oferecer o "benefício da dúvida" a um novo governo.
No câmbio, o dólar chegou a recuar 4% na abertura e foi negociado abaixo de R$ 5 durante a manhã. Ao longo da tarde, a moeda norte-americana manteve a forte queda e encerrou o pregão a R$ 5,0022. O movimento ocorreu na contramão do exterior, onde o dólar avançou ante as principais divisas.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o dólar cai motivado essencialmente por dois grandes fatores.
O primeiro deles ligado à melhora da percepção de risco do país, visto que a moeda reflete os fundamentos econômicos e é altamente sensível ao ambiente fiscal, e o segundo puxado pelo fluxo de capital.
"Existe a expectativa de uma forte entrada de fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira, o que aumenta a oferta de dólares no mercado e faz o preço da moeda cair devido à lei de oferta e demanda. Esses movimentos refletem também o cenário eleitoral e as reações do mercado a mudanças políticas que apontam para o deslocamento do eixo político, trazendo surpresas e reações diretas no câmbio, nos juros e nas bolsas."
Já as taxas dos DIs de longo prazo desabaram mais de 130 pontos-base nesta sessão, enquanto as de curto prazo passaram a precificar cerca de 15% de probabilidade de um corte maior da Selic em novembro, em meio à euforia dos investidores com a corrida presidencial.
No fim da tarde, o índice para janeiro de 2028 estava em 12,665%, com baixa de 84 pontos-base ante o ajuste de 13,509% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,8%, com recuo de 133 pontos-base ante 14,131%.
Ativos brasileiros sobem
As ações de empresas brasileiras listadas nos Estados Unidos se valorizavam no exterior.
Durante a abertura de mercado em Nova York, a Petrobras subia cerca de 13%, enquanto o maior banco privado da América Latina, o Itaú Unibanco, registrava alta de mais de 16%.
O banco Bradesco avançava 19%. Já as ações do Nubank se valorizavam cerca 13%, respectivamente.
"O desempenho (de Bolsonaro) acima do esperado e a guinada à direita no Congresso devem apoiar o Ibovespa e exercer pressão baixista sobre os rendimentos de longo prazo”, afirmou Andrés Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics.
Na cena nacional, a maioria das ações brasileiras sobem, com destaque para a Magazine Luiza e a própria B3, a bolsa de valores do Brasil, que subiam 27,20% e 25,32%, respectivamente. O banco BTG Pactual também estava entre as maiores altas, com avanço maior que 25%.
Das ações de maior peso, o Itaú Unibanco subia cerca de 11% na bolsa, enquanto a Petrobras tinha altas de 10% e 8,8% para as ações preferenciais e ordinárias da empresa, nessa mesma ordem.
Da tríade dos "pesos pesados", apenas a Vale caía na sessão, com baixa superior a 2%.
Para os analistas do Citi, o resultado nas ações até o momento "sugere uma maior confiança do mercado em um quadro de políticas mais voltado para o mercado e fiscalmente conservador, centrado na disciplina fiscal, na redução da inflação, em incentivos ao setor privado e em uma maior confiança dos investidores".
"Nesse contexto, continuamos a dar preferência a títulos de beta mais elevado, que devem se beneficiar mais da melhora no apetite pelo risco e da maior atividade no mercado de capitais, notadamente XP, B3 e BTG", disse o Citi em relatório.
Ainda assim, o banco alerta que, embora a reação do mercado possa permanecer positiva no curto prazo, "os investidores devam estar cientes de que a incerteza eleitoral provavelmente persistirá até o segundo turno".
A tese do mercado
O resultado dá ao candidato do PL um nível de favoritismo no segundo turno que também não era esperado, segundo fontes ouvidas pelo CNN Money.
O entusiasmo do mercado deve prosseguir nesta segunda-feira, ajudando a bolsa e o real a subirem e jogando para baixo os juros futuros. E ele expressa uma leitura dos resultados tanto para o planalto quanto para o congresso : os investidores entenderam o avanço da direita como uma espécie de “mandar para reformas”.
Mais do que a possibilidade de troca de presidente, a expectativa é de que Flávio, se eleito, encontre condições políticas para conduzir a agenda econômica desejada pelo mercado.
Segundo o BTG, se Flávio Bolsonaro sair vitorioso no segundo turno, as ações brasileiras poderão retornar rapidamente à sua média histórica de 10 anos, o que significa um potencial de alta que varia de 11% a 20% em reais.
"Se o Ibovespa atingir um desvio-padrão acima da média, o que é bastante provável, a alta poderá variar de 32% a 45%", disse o banco em relatório.
Na avaliação do banco, setores como varejo, construtoras de médio a alto padrão, empresas do mercado de capitais e empresas alavancadas devem ter um desempenho "desproporcionalmente bom", além de empresas "com grandes posições vendidas".
O banco citou como empresas preferidas as varejistas de vestuário Renner e C&A, a rede de supermercados Assaí, a construtora Cyrela, as empresas do mercado de capitais B3 e XP, a locadora de veículos Localiza, a operadora de rodovias com pedágio Motiva, a rede de hospitais Rede D’Or, as empresas de serviços públicos Equatorial, Energisa, Auren e Sabesp, e a operadora de shoppings Allos.
Com informações: Reuters / CNN Brasil


