Defesa da família pede indenização após feminicídio em academia | aRede
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Defesa da família pede indenização após feminicídio em academia

Pedido considera as condições oferecidas à jovem no local de trabalho e cobra responsabilização; família também pede respostas a 64 quesitos da perícia

Manifestação por justiça ocorreu no dia 18 de setembro em frente à academia onde a jovem foi vítima de feminicídio, em Londrina; família pede indenização
Manifestação por justiça ocorreu no dia 18 de setembro em frente à academia onde a jovem foi vítima de feminicídio, em Londrina; família pede indenização -

Publicado por Julia Sansana

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A defesa da família de Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, de 21 anos, morta a facadas dentro de uma academia em Londrina, no Norte do Paraná, busca uma indenização por danos morais.

O advogado Mauro Martins, que atua como assistente de acusação, afirma que houve falta de condições mínimas de segurança no local onde Thaissa trabalhava.

A jovem foi morta na tarde do dia 11 de setembro enquanto atuava em um estande de divulgação da nova unidade da Smart Fit, na zona leste da cidade. O suspeito, de 21 anos, que fingiu interesse pelo estabelecimento para cometer o crime, permanece preso.

Advogado aponta falta de condições mínimas de segurança em academia

Segundo Martins, a defesa entende que o caso pode ser tratado como acidente de trabalho por equiparação e que, por isso, haveria responsabilidade de indenizar.

“Faltou o mínimo de condições de segurança para essa jovem, e por isso tem o dever, sim, de indenizar”, afirmou o advogado.

O advogado também cita os danos sofridos pelos pais e pelas quatro irmãs de Thaissa, além do sofrimento enfrentado pela própria vítima durante o crime.

“Essa menina sofreu, ela sangrou até a morte”, enfatizou.

Thaissa morava com os pais e, segundo a família, contribuía com as despesas de casa.

Além de indenização, defesa faz 64 questionamentos à perícia

Além da indenização, os advogados da família apresentaram 64 quesitos que deverão ser respondidos pela perícia. O objetivo é obter detalhes que possam ajudar a esclarecer a dinâmica do feminicídio e dimensionar a violência sofrida pela jovem.

Entre os pontos levantados está a tentativa de determinar quantos golpes foram desferidos enquanto Thaissa ainda estava viva e quantos ocorreram depois que ela já não apresentava sinais vitais. A defesa também quer identificar quais ferimentos teriam ocorrido enquanto a estudante tentava se proteger.

Segundo Martins, as lesões atingiram diferentes partes do corpo, entre elas nuca, pescoço, rosto, costas, pernas, braços e abdômen. Para a assistência de acusação, essas informações podem reforçar a caracterização do meio cruel, qualificadora já apontada na investigação.

Thaissa foi atingida por mais de 40 golpes de faca. O inquérito da Polícia Civil foi concluído com o indiciamento do investigado por feminicídio e tentativa de estupro, além das qualificadoras de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

A assistência de acusação ainda pretende que seja analisada a possibilidade de responsabilização do investigado por ocultação de cadáver.

A argumentação está relacionada ao que aconteceu após o assassinato. Conforme o advogado, o portão que dava acesso ao espaço costumava permanecer aberto porque Thaissa tinha, entre suas atribuições, a função de apresentar a academia.

Após matar a jovem, porém, o investigado teria fechado o portão da garagem, sabendo que Thaissa permaneceria no local até as 17h. O crime ocorreu por volta das 16h. Imagens flagraram a movimentação do suspeito.

Para a defesa da família, essa conduta precisa ser considerada na análise jurídica do caso.

Smart Fit diz que não comenta tratativas jurídicas

A rede de academias Smart Fit foi procurada sobre o pedido de indenização apresentado pela defesa da família de Thaissa. Em nota, a empresa apenas informou que “não comenta tratativas jurídicas em andamento.”

Após o feminicídio, a Banda B já havia questionado sobre eventual suporte prestado à família de Thaissa e sobre possíveis mudanças nos protocolos de segurança após o crime.

Relembre o caso: Estudante morta a facadas após tentativa de estupro em Londrina: o que se sabe sobre o caso

Na ocasião, três dias após o crime, a Smart Fit lamentou a morte, manifestou solidariedade aos familiares e amigos e afirmou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. Os questionamentos específicos sobre apoio à família e medidas de segurança, porém, não foram respondidos.

Com informações da Banda B, parceira do Portal aRede.

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