Desaparecida há 8 anos: quem era Fernanda, encontrada em Cerro Azul | aRede
PUBLICIDADE

Desaparecida há 8 anos: quem era Fernanda, encontrada em Cerro Azul

Mulher desapareceu na zona rural de Cerro Azul em 2018; investigação aponta possível homicídio e principal suspeito indicou local onde ossada foi encontrada

Ossada de Fernanda da Costa Gouvea, desaparecida desde 2018, foi encontrada em Cerro Azul após indicação do principal investigado
Ossada de Fernanda da Costa Gouvea, desaparecida desde 2018, foi encontrada em Cerro Azul após indicação do principal investigado -

Publicado por Julia Sansana

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Fernanda da Costa Gouvea desapareceu em 2018, quando vivia na zona rural de Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba. Durante oito anos, familiares conviveram com a falta de respostas sobre o paradeiro da mulher. Nesta quinta-feira (24), uma ossada localizada na região indicada pelo principal investigado trouxe um novo capítulo ao caso e foi apontada pela investigação como sendo de Fernanda.

O caso, que inicialmente era tratado como desaparecimento, passou a ser investigado como possível homicídio qualificado seguido de ocultação de cadáver. A Polícia Civil ainda realiza diligências e aguarda os exames da Polícia Científica para esclarecer as circunstâncias da morte.

Fernanda vivia na zona rural de Cerro Azul quando desapareceu. Na época, ela mantinha um relacionamento com um homem, que, segundo a investigação, era conhecido na região pelos nomes de “Anderson” ou “Everton”.

A identidade verdadeira do rapaz só foi descoberta posteriormente. De acordo com a Polícia Civil, ele já tinha antecedentes criminais e havia sido condenado por um homicídio cometido em Guaratuba, no litoral do Paraná.

Fernanda teria sofrido violência antes de desaparecer

Os depoimentos reunidos pela Polícia Civil durante a investigação apontaram para um histórico de violência no relacionamento.

Segundo os relatos, pouco antes do desaparecimento, Fernanda teria sido agredida pelo companheiro durante uma briga dentro de casa. Depois do episódio, uma das crianças teria sido obrigada a limpar o sangue da própria mãe que havia ficado no imóvel.

Familiares também relataram à polícia que tinham medo de Éverson. Conforme os depoimentos, após o desaparecimento de Fernanda, ele teria passado a rondar locais ligados à família para descobrir se alguém havia comentado o caso.

Ainda segundo as investigações, Fernanda dizia que o companheiro não poderia aparecer em determinados lugares porque era procurado pela Justiça.

Desaparecimento aconteceu de forma repentina

Depois que Fernanda desapareceu, Éverson teria afirmado que iria até Curitiba para procurá-la. Na ocasião, porém, levou um dos filhos dela, que não era seu filho biológico, e deixou a criança aos cuidados de terceiros.

Corpo de idoso é encontrado após incêndio de grandes proporções no Boqueirão; casa foi destruída

A situação chamou a atenção dos investigadores, principalmente diante das informações posteriormente descobertas sobre a identidade e o passado criminal do homem.

Segundo a Polícia Civil, Éverson utilizava nomes diferentes e já era procurado pela Justiça. Ele foi condenado pelo homicídio de Antônio Dias do Rosário, cometido em Guaratuba, em 2010.

Conforme documentos do processo, Antônio foi encontrado morto dentro de uma residência, com mãos, pés e boca amarrados e diversas perfurações provocadas por faca. A condenação de Éverson transitou em julgado em 2015.

Suspeito voltou a usar nome falso em abordagem

Em agosto de 2026, durante uma abordagem em Curitiba, o suspeito voltou a se apresentar como “Anderson”. No entanto, segundo a Polícia Civil, ao ser informado de que seria submetido a uma identificação formal, admitiu sua verdadeira identidade.

A consulta aos sistemas policiais confirmou o mandado de prisão relacionado à condenação pelo homicídio cometido no litoral do Paraná.

Com o avanço das investigações sobre Fernanda, o delegado Gabriel Girardi, titular da Delegacia de Polícia de Cerro Azul, representou pela prisão temporária do suspeito. Ele já estava preso na Colônia Penal Agrícola, cumprindo pena pelo crime anterior.

Durante os procedimentos, o suspeito chegou a fugir da custódia, mas foi localizado e recapturado pelo Departamento de Polícia Penal no mesmo dia.

Homem indicou onde ossada estaria escondida

Durante o interrogatório relacionado ao desaparecimento de Fernanda, o suspeito não confessou ter cometido o homicídio. Mesmo assim, segundo a Polícia Civil, ele decidiu colaborar com a investigação e indicou voluntariamente um local onde afirmou que os restos mortais da mulher teriam sido ocultados.

A informação levou equipes da Polícia Civil e da Polícia Científica do Paraná até uma área de Cerro Azul. Nesta quinta-feira (24), uma ossada foi encontrada no ponto indicado.

A investigação aponta que os restos mortais são de Fernanda da Costa Gouvea, desaparecida desde 2018. O material, porém, será submetido aos exames periciais necessários para a confirmação científica da identidade e para a análise dos vestígios encontrados no local.

Caso ainda é investigado

Para o delegado Gabriel Girardi, a localização da ossada representa um avanço importante depois de oito anos sem respostas para a família de Fernanda.

O delegado também chamou atenção para a forma como o investigado teria tratado a situação durante a indicação do local.

“O que pessoalmente me causou bastante espanto foi a frieza com que ele tratou determinados aspectos de um caso tão grave, envolvendo uma mulher desaparecida há oito anos e uma família que permaneceu todo esse tempo sem qualquer resposta”, afirmou.

A Polícia Civil continua analisando os vestígios encontrados, além das provas reunidas ao longo dos anos. A investigação busca esclarecer como Fernanda morreu, quando o crime teria ocorrido e toda a dinâmica do desaparecimento e da ocultação dos restos mortais.

Com informações da Banda B, parceira do Portal aRede. 

CONTEÚDO DE MARCA

PUBLICIDADE