Porta-voz de Milei afirma não ver impactos diplomáticos em fala sobre Lula
O porta-voz reconheceu que "sempre houve insultos dos dois lados" e destacou que há diferenças ideológicas e políticas claras entre os líderes

O porta-voz de Javier Milei, Adrián Ravier, afirmou em coletiva de imprensa nesta terça-feira (28), realizada na Casa Rosada, que as declarações do líder argentino sobre Lula e Alexandre de Moraes não devem gerar impactos diplomáticos entre os dois países.
De acordo com a correspondente da CNN em Buenos Aires, Luciana Taddeo, o pronunciamento de Ravier foi notado como significativamente mais moderado em comparação ao tom adotado por integrantes do governo argentino nos dias anteriores, após o discurso de Milei na convenção do PL, no último sábado (25).
O porta-voz reconheceu que "sempre houve insultos dos dois lados" e destacou que há diferenças ideológicas e políticas claras entre os líderes. Contudo, Ravier reiterou que a Argentina nunca levou essas diferenças para o plano diplomático.
"Ele diz que o Milei é o líder de um movimento que tenta levar adiante ideias pró-mercado, que a família Bolsonaro é amiga e colega nessa ideia e que o presidente Lula enfrenta essa ideia", destacou Taddeo.
Ainda assim, o porta-voz enfatizou que, pelo menos do lado argentino, a intenção não é que as divergências afetem as relações comerciais entre os dois países. As informações são da CNN Brasil.
Ravier descreveu Brasil e Argentina como "povos irmãos", além de citar o Mercosul e a história bilateral como evidências dessa interdependência.
"Trouxe um pouco de pragmatismo no meio dessa crise diplomática. Houve muitas críticas nesses últimos dias aqui [na Argentina], porque o Brasil é o principal sócio comercial da Argentina", avaliou a correspondente.
Pressão da oposição
Setores da oposição vinham manifestando preocupação com os possíveis reflexos econômicos da crise diplomática, alertando para riscos às exportações argentinas para o Brasil, aos investimentos brasileiros no país e, consequentemente, aos postos de trabalho na Argentina.
Mais de 33 deputados argentinos, majoritariamente peronistas e de setores progressistas, assinaram um projeto de declaração de repúdio às falas de Milei. O documento foi apresentado por Jorge Taiana, ex-chanceler dos governos de Néstor e Cristina Kirchner e ex-ministro da Defesa de Alberto Fernández.
O projeto condena não apenas as declarações do líder argentino, mas também a presença dele no Brasil, classificando as falas como "calúnias e injúrias violentas". O documento aponta também que o episódio representa uma "grave afetação nas relações diplomáticas" e uma ingerência nos assuntos internos e no processo político-institucional brasileiro.
"Porém, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Deputados é liderada por uma deputada que é aliada de Javier Milei. Apesar dessas 33 assinaturas, ainda não há perspectiva de que isso seja discutido na Comissão", observou Taddeo.
RESUMO
Tom de Apaziguamento: O porta-voz da Casa Rosada adotou um discurso moderado, afirmando que as declarações de Javier Milei contra Lula e Alexandre de Moraes não afetam as relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Argentina.
Pragmatismo Econômico: O governo argentino enfatizou a relação de "povos irmãos" e parceiros no Mercosul, buscando proteger o comércio bilateral e evitar prejuízos às exportações e aos empregos argentinos.
Pressão da Oposição: Mais de 30 deputados da oposição assinaram um projeto de repúdio ao comportamento de Milei, alertando para os riscos econômicos, embora a pauta enfrente barreiras para avançar no Congresso argentino.





















