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Super El Niño pode agravar eventos climáticos extremos no Brasil

Estudo aponta que combinação com o aquecimento global tende a ampliar os impactos em diversas regiões do país

Temperaturas do oceano em 8 de julho de 2026
Temperaturas do oceano em 8 de julho de 2026 -

Publicado Por Milena Batista

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O risco de formação de um super El Niño em 2026 tem mobilizado pesquisadores brasileiros, que alertam para a necessidade de o país se preparar para uma possível intensificação dos eventos climáticos extremos. De acordo com especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), a combinação entre o fenômeno e o aquecimento global pode provocar chuvas mais intensas, ondas de calor prolongadas, estiagens severas e acelerar a erosão no litoral brasileiro.

Conforme a CNN, os cientistas apontam que as áreas costeiras estão entre as mais vulneráveis. Além de concentrarem milhões de moradores, muitas cidades perderam parte de suas barreiras naturais ao longo das últimas décadas, tornando-se mais suscetíveis a alagamentos, deslizamentos, ressacas e ao avanço do nível do mar.

Para o professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e integrante da rede INPO, Marcus Polette, o planejamento precisa começar antes mesmo da confirmação do fenômeno.

"O El Niño não representa apenas uma mudança na temperatura do Oceano Pacífico. Em um planeta já aquecido, ele amplia a frequência, a intensidade e a duração de ondas de calor, secas e chuvas extremas", afirmou.

O alerta ganha força após um relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostrar que 2025 foi marcado por uma sequência de eventos climáticos severos em praticamente todas as regiões do Brasil.

Litoral mais vulnerável

Além da maior frequência de eventos extremos, pesquisadores destacam que a perda de sedimentos naturais tem aumentado os riscos de erosão costeira. Segundo o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Nils Edvin Asp, praias, dunas e outros ambientes litorâneos dependem da reposição constante de areia para manter sua estabilidade.

No entanto, em boa parte da costa brasileira esse equilíbrio foi comprometido, principalmente em áreas urbanizadas, onde a ocupação reduziu a capacidade natural de proteger o litoral contra tempestades e ressacas.

Na região Norte, outro fator preocupa os especialistas: a combinação entre manguezais, grandes variações de maré e relevo plano pode fazer com que pequenas elevações do nível do mar avancem por grandes distâncias, afetando ecossistemas e comunidades inteiras.

Impactos diferentes pelo país

Caso o El Niño se confirme, seus efeitos deverão variar conforme a região.

No Sul e em parte do Sudeste, a tendência é de aumento das chuvas, elevando o risco de enchentes, deslizamentos e alagamentos.

Já na Amazônia, o cenário costuma ser o oposto, com redução das chuvas, secas prolongadas, queda no nível dos rios, dificuldades para o transporte fluvial, problemas no abastecimento de água e isolamento de comunidades ribeirinhas.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), há cerca de 80% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño entre julho e agosto de 2026, com chances superiores a 90% de permanência até novembro.

Especialistas defendem medidas preventivas

Para reduzir os impactos, os pesquisadores defendem uma série de ações preventivas, como o fortalecimento dos sistemas de monitoramento meteorológico e oceanográfico, atualização dos planos de contingência da Defesa Civil, mapeamento das áreas de risco e investimentos em drenagem urbana.

Também são apontadas soluções baseadas na natureza, como a recuperação de manguezais, restingas, áreas úmidas e matas ciliares, que ajudam a reduzir enchentes, conter a erosão e proteger o solo.

Na Amazônia, uma das alternativas sugeridas é ampliar o uso de cisternas para armazenamento de água da chuva, estratégia já utilizada em regiões do semiárido brasileiro.

Para Marcus Polette, adaptar cidades e comunidades aos novos padrões climáticos deixou de ser um planejamento para o futuro e passou a ser uma necessidade imediata.

"A integração entre ciência, planejamento territorial, governança e adaptação climática será determinante para aumentar a capacidade de resposta dos territórios diante de eventos extremos que tendem a se tornar mais frequentes e intensos", concluiu.

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