Professor demitido por xingar Bolsonaro retorna após liminar

Emildo Coutinho obteve uma decisão judicial favorável para poder voltar às salas após ter sido demitido pela Secretaria de Educação

O professor Emildo Coutinho.
O professor Emildo Coutinho. -

Da Redação

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Emildo Coutinho obteve uma decisão judicial favorável para poder voltar às salas após ter sido demitido pela Secretaria de Educação

O professor de inglês Emildo Coutinho, que atua em uma escola da Rede Estadual de Ensino do Paraná na cidade de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), voltará a dar aulas. Ele obteve uma decisão judicial favorável expedida pelo juiz Eduardo Lourenço Bana para poder voltar às salas de aula após ter sido demitido pela Secretaria de Educação (SEED) por ter criticado o presidente Bolsonaro durante uma aula. À Banda B, durante entrevista nesta sexta-feira (24), ele comemorou a liminar, desabafou sobre o que viveu neste período longe do ensino e afirmou que “vai continuar da mesma forma”.

A decisão permite que Emildo volte a dar aulas nas mesmas turmas do mesmo colégio onde já estava e com a mesma carga horária que possuía antes de ter o contrato rescindido. O entrevistado afirmou que saiu no dia 30 de maio e, enquanto esteve fora da sala de aula, os alunos não tiveram um professor substituto.

“Ninguém quer ser professor”, iniciou Emildo. “O entendimento do juiz foi que, embora tenha sido um discurso caloroso, eu não infringi a lei de maneira alguma. Eu só poderia ser mandado embora se depredasse o patrimônio público, ofendesse algum colega, não trabalhasse por um período longo de forma consecutiva ou fosse trabalhar alcoolizado”, falou.

Na decisão liminar, expedida durante a tarde desta quinta-feira (23), o juiz afirmou que embora a fala sobre Bolsonaro “tenha sido infeliz e poderia/deveria ter sido mais ponderada” não houve motivos legais para a demissão do professor por parte da SEED.

Além disso, de acordo com o entrevistado, professores não podem fazer apologia e/ou pedidos de votos a alunos, algo que alega não ter feito. O entrevistado também revelou ser jornalista, profissão da qual, segundo ele, trabalhou por 30 anos.

“Eles queriam saber minha opinião como jornalista. Aquilo ali [vídeo] foi tirado de contexto e foi a manifestação da minha opinião sobre o que os alunos vinham perguntando a muito tempo. Eu terminei a aula e pensei ‘quer saber… vou falar para estes jovens o que penso’. Acho que é a minha responsabilidade dizer o que penso, mas eu não disse ‘vote para tal candidato’. Eu dei minha opinião sobre o presidente da República e usei da minha liberdade de expressão. Isto não é um problema perante a lei”, se defendeu.

Professor comenta expectativa de voltar à escola em Colombo

O professor afirmou que irá continuar a dar aulas da mesma forma e, inclusive, que a aluna responsável por filmá-lo na ocasião em que criticou Bolsonaro continuará sendo sua aluna.

“Não houve doutrinação porque eles têm 17, 18 anos e possuem ideologia formada […]. Eu sei separar as coisas. Mas depois vou entrar com ações contra algumas pessoas porque eu sofri demais. O Brasil inteiro começou a me atacar virtualmente com contas falsas […]. Eu li/recebi comentários dizendo que iriam resolver esta situação a pauladas. De onde vem tanto ódio?”, desabafou.

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