Novo Contorno de PG não pode 'deslocar' um problema para mais longe, avalia conselheiro
Conselheiro de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian defende intervenções que considerem os impactos sobre a região

O conselheiro da área de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, entende que a proposta da ANTT de padronizar a análise das mudanças nas obras das concessões é importante, mas defende que intervenções em rodovias considerem também os impactos sobre o território. A opinião é referente a uma matéria especial do Grupo aRede sobre as mudanças previstas nas concessões rodoviárias, "Motoristas enfrentam rotina de filas e acidentes em rodovias de PG e região".
Confira abaixo a opinião na íntegra de Henrique, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pós-graduado pela Escola da Cidade e mestre na área de Projeto Arquitetônico pela Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ele também tem dezesseis premiações em concursos de arquitetura pelo Brasil, inclusive em Ponta Grossa:
"A proposta da ANTT de padronizar a análise das mudanças nas obras das concessões é importante, porque permite rever soluções que foram planejadas anos atrás e que podem não fazer mais sentido hoje. No entanto, uma rodovia não é apenas uma infraestrutura de transporte. Ela transforma o território, altera fluxos, influencia onde a cidade cresce, valoriza determinadas áreas e pode transferir problemas de um lugar para outro.
Em Ponta Grossa, por exemplo, o novo Contorno pode retirar milhares de caminhões das avenidas Souza Naves e Presidente Kennedy. Isso pode representar uma oportunidade enorme de requalificação urbana. Mas essa oportunidade não acontece automaticamente. Se simplesmente retirarmos os caminhões e mantivermos a lógica de ampliar faixas, viadutos e acessos para aumentar a capacidade dos automóveis, podemos apenas criar novos problemas mais adiante.
Por isso, obras dessa dimensão precisam ser pensadas também por urbanistas: junto com engenheiros de tráfego, infraestrutura e transporte. Precisamos de planos urbanos e territoriais integrados, que pensem mobilidade, ocupação do solo, transporte coletivo, pedestres, ciclistas, paisagem e desenvolvimento econômico como partes de um mesmo sistema.
O meio ambiente e o dinheiro público não podem ser vítimas de operações tecnocráticas de médio prazo, que visam um trânsito mais fluido nos primeiros anos. Precisamos de soluções que melhorem o território como um todo e que não apenas desloquem um problema para alguns quilômetros mais longe".
Conselho da Comunidade
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
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