Castrolanda amplia diversificação e aposta em novas culturas no agro
Cooperativa avalia oportunidades em canola, resina e cevada para fortalecer os negócios e ampliar as possibilidades de renda dos produtores

Leite é Castrolanda, mas a Castrolanda é agro. A frase sintetiza uma característica que acompanha a trajetória da cooperativa desde sua origem: a diversificação das atividades como estratégia para fortalecer os negócios, ampliar oportunidades aos cooperados e construir um crescimento sustentável. Aos 75 anos, a Castrolanda mantém esse olhar voltado para o futuro, avaliando novas possibilidades de produção e de atuação industrial, sempre considerando o potencial de mercado e os benefícios que cada oportunidade pode gerar para os produtores.
Atualmente, a cooperativa trabalha diretamente com mais de 15 culturas e atividades, distribuídas entre cadeias como leite, agricultura, carnes e batatas. Além dos negócios já consolidados, novos caminhos estão sendo avaliados.
Entre as prioridades atuais estão a canola, como alternativa para a safra de inverno, e a resina, que representa uma possibilidade de produção com perspectiva de longo prazo. A cevada também se destaca nesse movimento, impulsionada pelo desenvolvimento da Maltaria Campos Gerais e pelo crescimento da área cultivada pelos cooperados.
Para Vitor Almeida Fonseca, gerente de Estratégia e Comunicação, a diversificação é um dos fatores que contribuem para a solidez dos negócios. “Quando um negócio vai mal, outro pode ir bem e compensar o resultado. Quando uma empresa ou um produtor aposta todas as fichas em uma única atividade, fica muito mais vulnerável às crises”, explica.
Em um cenário marcado por mudanças econômicas, políticas, climáticas e de mercado, ampliar as possibilidades de atuação é uma forma de reduzir a dependência de uma única fonte de receita. Nesse contexto, a Castrolanda busca identificar oportunidades que façam sentido para a realidade dos cooperados e para as características de cada região onde está presente.
Canola: uma nova oportunidade para a safra de inverno
A busca por alternativas para a safra de inverno colocou a canola novamente em evidência. Embora não seja uma cultura inédita na região, ela perdeu espaço ao longo dos anos, principalmente em razão das dificuldades enfrentadas com o mofo-branco, doença que trouxe insegurança aos produtores e limitou o interesse pelo cultivo.
Diante dos desafios de rentabilidade enfrentados por culturas tradicionais de inverno, como o trigo, e das exigências de qualidade da cevada destinada à indústria cervejeira, a Castrolanda voltou a avaliar o potencial da canola. O trabalho envolveu pesquisas, conversas com parceiros de mercado e o acompanhamento de experiências práticas de produtores atendidos pela assistência técnica da cooperativa.
A evolução das tecnologias de manejo, dos produtos e dos insumos contribuiu para uma nova perspectiva sobre a cultura. Embora o mofo-branco continue sendo um risco que exige atenção, as experiências acompanhadas pela equipe técnica demonstraram que é possível manejar a doença e alcançar bons resultados em determinadas condições.
Segundo Vitor, o interesse também está relacionado às características do cultivo. “A canola apresenta similaridades com a soja em aspectos de plantio e utilização de maquinário, embora sejam necessárias algumas adaptações. Essa familiaridade pode facilitar a entrada de produtores que já trabalham com a oleaginosa”, comenta.
Os resultados da expansão começam a aparecer nos números. Na safra anterior, os cooperados cultivaram aproximadamente 600 hectares de canola. Na safra atual, a área chegou a cerca de 2,3 mil hectares, mais que triplicando em relação ao ciclo anterior. A expectativa é de que o cultivo continue avançando, com potencial de alcançar entre 7 mil e 10 mil hectares na próxima safra, conforme a adesão dos produtores e as condições de mercado.
O movimento também é favorecido pelo interesse da indústria. “A Cargill, por exemplo, procurou a Castrolanda para discutir possibilidades de fomento à cultura, considerando sua atuação no mercado de óleos vegetais. A aproximação reforça a importância de conectar a produção no campo à demanda industrial”, conta o gerente.
Além da comercialização do grão, o óleo de canola apresenta características valorizadas pelo mercado de alimentos, o que amplia as possibilidades de utilização industrial. A cooperativa acompanha esse cenário para compreender as oportunidades que podem surgir ao longo da cadeia, seja por meio de parcerias ou de eventuais iniciativas industriais próprias, sempre condicionadas à análise de viabilidade.
Resina: uma oportunidade com visão de longo prazo
Enquanto a canola representa uma alternativa para diversificar a produção de inverno, a resina está entre as possibilidades que a Castrolanda avalia com uma perspectiva de longo prazo.
O trabalho atual está concentrado no fomento da produção e na ampliação do número de cooperados envolvidos. A lógica é construir uma base produtiva capaz de gerar escala e, a partir dela, avaliar as condições necessárias para justificar possíveis investimentos industriais.
A cooperativa busca compreender tanto a capacidade de produção quanto as oportunidades de mercado, considerando o potencial de desenvolvimento da cadeia. Antes de avançar para investimentos de maior porte, é necessário verificar se existe volume suficiente, demanda e viabilidade para sustentar o negócio.
Cerca de 14 produtores já estão cultivando resina, e outros seis demonstraram interesse em iniciar a produção durante o último evento de fomento. A participação evidencia a abertura dos cooperados para conhecer alternativas e avaliar novas possibilidades de diversificação.
O desenvolvimento da cadeia depende, portanto, de uma construção gradual. O estímulo à produção, o acompanhamento dos resultados e a análise do mercado são etapas importantes para compreender o potencial da atividade e identificar os próximos passos.
Cevada: a diversificação que ganha escala
A cevada é outro exemplo de como a diversificação pode abrir oportunidades para os cooperados. O investimento na Maltaria Campos Gerais, empreendimento do qual a Castrolanda detém 13,5% de participação, fortaleceu a conexão entre a produção agrícola e a indústria.
Para os produtores, a cultura passou a representar uma alternativa relevante para a safra de inverno, especialmente diante dos desafios de rentabilidade enfrentados pelo trigo. Para a cooperativa, o empreendimento contribui para aproximar a produção da demanda industrial e estimular o desenvolvimento da cadeia.
A área cultivada pelos cooperados passou de aproximadamente 2.434 hectares para 5.498 hectares, crescimento superior a 125%. O avanço demonstra como a existência de uma estrutura industrial e de uma perspectiva de mercado pode contribuir para o interesse dos produtores e para a expansão de uma cultura.
“O exemplo também ajuda a compreender a estratégia adotada pela Castrolanda para outras oportunidades: identificar uma demanda, estudar as condições de produção, desenvolver a cadeia e buscar escala para que o negócio possa se sustentar ao longo do tempo”, destaca Vitor.
Oportunidades que começam com estudo
A ampliação dos negócios não acontece de forma imediata. Antes de apresentar uma nova cultura ou atividade aos cooperados, a Castrolanda realiza estudos para compreender se a oportunidade é adequada à realidade da cooperativa, às condições de produção e às necessidades do mercado.
O gerente explica que as ideias podem surgir de diferentes fontes, como colaboradores, cooperados, conselheiros e diretores. “A partir daí, passam por uma avaliação inicial que considera fatores como o benefício para o produtor, a adaptação às condições de solo e clima, o potencial de mercado e a possibilidade de expansão sem comprometer a rentabilidade da atividade”, conta.
Segundo Vitor, as oportunidades priorizadas avançam para estudos exploratórios, nos quais são reunidas informações sobre o funcionamento do mercado, a logística, as exigências de produção e os possíveis modelos de negócio. Conforme os resultados, os estudos podem ser aprofundados, envolver testes com cooperados e parceiros e chegar à análise de viabilidade financeira e de eventuais investimentos.
“Esse processo também prevê a possibilidade de interromper uma avaliação quando os resultados indicam que a oportunidade não é adequada. A decisão de não avançar faz parte da estratégia de priorização e permite direcionar esforços e recursos para iniciativas com maior potencial de contribuir para os cooperados e para a cooperativa”.
Atualmente, a Castrolanda conduz mais de dez estudos em paralelo, embora nem todos estejam em estágio que permita a divulgação.
Sobre a Castrolanda
A Castrolanda Cooperativa Agroindustrial foi fundada por imigrantes holandeses em 1951, no município de Castro-PR. A primeira atividade econômica dos imigrantes e da cooperativa foi a pecuária leiteira, que tornou-se uma referência para todo o Brasil.
A partir da década de 1970 outras atividades começaram a ser desenvolvidas pelos cooperados. Hoje a Castrolanda atua em quatro cadeias de negócios: agrícola, carnes (suínos e ovinos), leite e batata, com unidades nos estados do Paraná, São Paulo e Tocantins.
A Castrolanda tem como missão gerar valor aos seus mais de 1200 cooperados, proporcionando segurança e conveniência para que possam focar no mais importante: produzir. A cooperativa acredita na união entre todos para avançar e desenvolver as famílias dos cooperados e toda a sociedade.



