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Paraná perdeu R$ 3,9 bi em exportações com o tarifaço dos EUA em um ano

Estudo da CNM aponta queda de 38,3% nas vendas paranaenses ao mercado americano; madeira é o produto mais afetado do Estado, com reflexos diretos em municípios dos Campos Gerais, como Jaguariaíva e Telêmaco Borba

A madeira aparece como o principal produto afetado no Paraná
A madeira aparece como o principal produto afetado no Paraná -

Sara Dalzotto

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O tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros provocou uma redução de US$ 598,8 milhões no valor das exportações do Paraná em 12 meses, o equivalente a aproximadamente R$ 3,91 bilhões. Os dados são do estudo divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) nesta segunda-feira (19), que aponta uma queda de 38,3% nas vendas paranaenses ao mercado americano entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com os 12 meses anteriores.

A madeira aparece como o principal produto afetado no Paraná. Nos Campos Gerais, os efeitos das tarifas sobre o setor madeireiro atingiram diretamente a atividade econômica de municípios como Jaguariaíva e Telêmaco Borba, com corte de funcionários de empresas do segmento e baixa na arrecadação municipal.

Para o presidente da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) e prefeito de Sengés, Gerson Nunes, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos acendeu um alerta na região, especialmente nos municípios que dependem da indústria madeireira e das exportações. "As dificuldades de acesso a esse mercado internacional provocam impactos no setor, com reflexos na geração de emprego e renda e na arrecadação. Em Sengés, por exemplo, temos empresas de compensados que foram diretamente impactadas. Muitas fecharam turnos e tiveram de reduzir o quadro de funcionários", relata.

Gerson destaca que, como entidade representativa, a AMCG reforça a importância do diálogo entre os governos e o setor produtivo na busca por alternativas para minimizar os prejuízos e preservar os empregos. "Os prefeitos também estão atentos aos reflexos dessas medidas sobre a economia regional. É fundamental que continuemos atuando em conjunto para proteger a atividade econômica e promover o desenvolvimento dos nossos municípios".

Segundo o levantamento da CNM, o valor exportado pelo Paraná aos Estados Unidos passou de US$ 1,56 bilhão, entre agosto de 2024 e julho de 2025, para US$ 963,9 milhões no período seguinte.

Jaguariaíva sente impacto na arrecadação e no emprego

O prefeito de Jaguariaíva, Juca Sloboda, afirma que a dependência do mercado americano para a venda de madeira contribuiu para os efeitos econômicos no município.

Segundo ele, uma das principais empresas locais, a BrasPine, destina toda a sua produção aos Estados Unidos. “O impacto para nós foi grandioso, porque o principal produto que nós temos aqui, economicamente falando, é a madeira. Uma das principais empresas que nós temos aqui, que é a Braspine, 100% da sua produção é Estados Unidos”, relata.

De acordo com o prefeito, a redução da atividade econômica também afetou a arrecadação municipal. Sloboda cita quedas nas receitas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), do Imposto Sobre Serviços (ISS) e do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

O prefeito afirma que a diminuição das atividades das empresas e as demissões também repercutiram no comércio e na prestação de serviços. “Nós estamos passando muitas dificuldades financeiras, fazendo cortes de despesas para poder manter a máquina funcionando. E a cidade também sentiu isso economicamente falando, porque teve demissões, teve diminuição da atividade econômica, e a cidade toda sente: o comércio, os serviços e as empresas também. É menos serviço, menos emprego e menos gastos das pessoas com o comércio”, diz.

Sloboda afirma que a administração municipal segue com esperança de que as coisas melhorem, caso contrário, os impactos serão cada vez serão maiores. “As pessoas, as empresas, ficam esperando um amanhã melhor, mas quando o amanhã melhor não vem, vão para o corte”.

Tarifaço provocou medidas em empresas dos Campos Gerais

Os reflexos das tarifas americanas no setor madeireiro já haviam motivado medidas trabalhistas na região em 2025. Em julho do ano passado, a BrasPine anunciou férias coletivas e a medida atingiu aproximadamente 700 trabalhadores. Na ocasião, a empresa mencionou um cenário desafiador, além do acúmulo de estoques no Brasil e nos Estados Unidos, como fatores relacionados à suspensão temporária das atividades.

No mesmo mês, a Braslumber, empresa do grupo BrasPine, comunicou a ampliação das férias coletivas para cerca de 800 funcionários da unidade de Telêmaco Borba. Somadas, as medidas alcançaram aproximadamente 1,5 mil dos 2,5 mil colaboradores diretos do grupo.

Em fevereiro deste ano, a unidade da BrasPine em Telêmaco Borba anunciou a demissão de 250 funcionários. A medida foi relacionada aos efeitos do tarifaço sobre as exportações brasileiras de madeira.

CNM aponta prejuízos em 1.135 municípios

Em âmbito nacional, o estudo da Confederação Nacional de Municípios identificou impactos negativos em 1.135 municípios brasileiros entre agosto de 2025 e julho de 2026. As perdas estimadas para a economia local chegam a R$ 66,8 bilhões.

Desse total, 271 municípios zeraram as exportações para o mercado americano. Antes das medidas tarifárias, essas localidades registravam receitas de R$ 588 milhões com as vendas aos Estados Unidos. Outros 864 municípios tiveram queda média de 30% no valor exportado.

Entre as cadeias produtivas mais afetadas estão petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura. Somadas, as reduções relacionadas a esses produtos chegaram a US$ 1 bilhão.

Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a diversificação dos mercados é uma das medidas necessárias para reduzir a vulnerabilidade das economias municipais diante das barreiras comerciais e das tensões internacionais. “O protecionismo, as barreiras sanitárias e as tensões geopolíticas globais tendem a gerar efeitos duradouros. Para proteger a arrecadação e garantir a manutenção dos empregos locais, é necessário reduzir a dependência de um único comprador, fortalecendo a diversificação produtiva e comercial no mercado interno e com novos parceiros internacionais”, avalia.

Leia o resumo da notícia

Queda milionária e retração no Paraná: Estudo da CNM aponta que o tarifaço dos EUA reduziu em US$ 598,8 milhões (R$ 3,91 bilhões) o valor das exportações paranaenses entre agosto de 2025 e julho de 2026 (-38,3%), caindo de US$ 1,56 bilhão para US$ 963,9 milhões.

Crise na madeira e demissões nos Campos Gerais: A alta dependência do setor madeireiro afetou fortemente cidades como Jaguariaíva e Telêmaco Borba; o grupo BrasPine/Braslumber concedeu férias coletivas a 1,5 mil trabalhadores e demitiu 250 funcionários em Telêmaco Borba, resultando em retração do comércio local e queda na arrecadação de ICMS, ISS e ITBI.

Impacto nacional e recomendação da CNM: O tarifaço prejudicou 1.135 municípios brasileiros, somando perdas de R$ 66,8 bilhões na economia local, o que levou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a defender a diversificação de mercados internacionais para combater a dependência comercial e conter a perda de empregos e receitas.

CONTEÚDO DE MARCA

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