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Municípios dos Campos Gerais estão entre os maiores produtores de leite do Brasil

Castro, Carambeí e Arapoti são destaques na produção leiteira nacional; Palmeira também aparece no ranking estadual

Leite responde por 77,5% do valor da produção de origem animal do Paraná
Leite responde por 77,5% do valor da produção de origem animal do Paraná -

Sara Dalzotto

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Três municípios dos Campos Gerais estão entre os dez maiores produtores de leite do Brasil. Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Castro lidera o ranking nacional, enquanto Carambeí aparece na segunda colocação e Arapoti ocupa a oitava posição. O município de Palmeira também ganha destaque no ranking estadual, aparecendo na sexta posição.

Em 2025, Castro produziu 532,8 milhões de litros de leite, o maior volume entre os municípios brasileiros. Carambeí aparece em segundo lugar, com 306,8 milhões de litros, Arapoti produziu 137,2 milhões de litros, ficando na oitava colocação e Palmeira, na sexta posição estadual e 34º nacional, produziu 79,3 milhões.

A produção de leite no país atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros em 2025, uma alta de 2,7% em relação ao ano anterior. O resultado é o terceiro ano seguido de expansão e foi alcançado mesmo com a queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas no período, totalizando 14,7 milhões de animais. A Região Sul foi responsável por 34% da produção nacional e também apresentou a maior produtividade do país, com média de aproximadamente 4,3 mil litros por vaca.

O IBGE aponta que o total de vacas ordenhadas é o menor desde 1979 (14,9 milhões de cabeças). O recorde é de 2011, com 23,2 milhões. Desde então, o país apresenta tendência de queda nesse número. Pelo lado da produção, 2025 ostentou o segundo recorde consecutivo. Em 2024, a produção ficou em 35,7 bilhões de litros.

A relação entre produção e número de vacas ordenhadas mostra aumento de produtividade das fazendas de gado leiteiro pelo terceiro ano seguido.

Castro

No detalhamento municipal, Castro, nos Campos Gerais, além de liderar o ranking nacional de produção de leite, tem o 2º maior rebanho de vacas ordenhadas do país (51,5 mil animais) e produtividade superior a 10 mil litros por vaca ao ano, cerca de quatro vezes a média brasileira. Com a força do leite, Castro gerou R$ 1,5 bilhão em produtos de origem animal, o 2º maior valor entre todos os municípios do país, atrás apenas de Santa Maria de Jetibá (ES), grande produtor de ovos.

O prefeito de Castro, Reinaldo Cardoso, destacou o cooperativismo como fator importante para a alta produção no município. "Isso é resultado de décadas de trabalho, pesquisa, tecnologia aplicada ao campo e inovação, com a força do cooperativismo e o pioneirismo da nossa gente. Pra nós é motivo de orgulho e de celebração, porque é principalmente do campo que vem o emprego, o crescimento da nossa cidade, as indústrias e o desenvolvimento que Castro vem vivendo”, afirma. Reinaldo ainda destaca o apoio a realização do Agroleite, principal evento técnico da cadeia do leite na América Latina, realizado no município.

Os recentes investimentos na educação, voltada ao setor, também terão impacto positivo na cadeia leiteira. "Estamos caminhando para que Castro se torne também polo de educação voltada à pecuária, com a implantação do Centro de Referência Nacional do Leite pelo Senar, com 500 vagas em cursos que vão desde o técnico até a pós-graduação. Também teremos agora o curso de Medicina Veterinária pela UEPG, que em breve abre inscrições para o vestibular e começa no ano que vem um novo capítulo dessa história."

Prefeito de Castro, Reinaldo Cardoso
Prefeito de Castro, Reinaldo Cardoso |  Foto: Guilherme Gruber/aRede.

Carambeí

Na segunda colocação nacional, Carambeí produziu 306,8 milhões de litros de leite em 2025. Para a prefeita Elisangela Pedroso, o resultado está relacionado à participação da atividade leiteira na economia municipal.

“Esse resultado é motivo de muito orgulho para Carambeí e mostra a força do nosso produtor rural. A produção de leite tem um impacto muito grande na nossa economia, movimentando toda uma cadeia que envolve produtores, trabalhadores, transportadores, cooperativas, comércio e serviços. Estar na segunda colocação nacional demonstra a importância de Carambeí no cenário do agronegócio brasileiro e reforça o quanto o campo é fundamental para gerar emprego, renda e desenvolvimento para o nosso município”, celebra.

Prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso
Prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso |  Foto: Arquivo/aRede.

Arapoti

Arapoti completa a presença dos Campos Gerais entre os dez maiores produtores do país. Segundo o prefeito Irani Barros, o resultado representa emprego, renda e oportunidades para centenas de famílias. “Arapoti ocupa com orgulho a 8ª posição entre os municípios brasileiros na produção leiteira, um resultado que traduz a força do nosso agronegócio e o trabalho dedicado de muitas gerações. Nossa economia local está profundamente ligada ao campo, e a cultura leiteira faz parte da identidade de Arapoti, especialmente pela contribuição dos imigrantes holandeses, que ajudaram a construir uma atividade forte, organizada e produtiva”, reforça.

Para Irani, a colocação é mais do que números, “é o resultado da união entre tradição, tecnologia, trabalho e compromisso com o desenvolvimento do nosso município. Arapoti tem muito a celebrar e ainda mais a construir”, finaliza.

Prefeito de Arapoti, Irani Barros
Prefeito de Arapoti, Irani Barros |  Foto: Divulgação.

Palmeira

Outro município dos Campos Gerais que aparece em destaque é Palmeira, ocupando a sexta posição no ranking estadual. Segundo o secretário de Agricultura e Pecuária do município, Marlon Cleiton Gross, a produção da região de Colônia Witmarsum tem papel importante na atividade leiteira local.

“Hoje um dos maiores produtores de leite do Brasil estão aqui na Colônia Witmarsum. Witmarsum por si só já é uma colônia tradicional, e a própria cooperativa Witmarsum leva também o nome com os queijos famosos e também a condição de produzir leite ali nessa região”, destaca Marlon, que ainda conta que a produção também é forte em outras localidades de Palmeira.

Secretário de Agricultura e Pecuária do município, Marlon Cleiton Gross
Secretário de Agricultura e Pecuária do município, Marlon Cleiton Gross |  Foto: Reprodução.

Com os quatro municípios, os Campos Gerais concentram mais de 1 bilhão de litros entre os maiores produtores de leite do Brasil. O presidente da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) e prefeito de Sengés, Gerson Nunes, destaca o peso da atividade para a economia regional. “A presença de municípios dos Campos Gerais entre os maiores produtores de leite do país e do Paraná demonstra a força e a relevância do setor para a nossa região. A atividade leiteira movimenta a economia dos municípios, gera emprego e renda e fortalece toda uma cadeia produtiva, envolvendo os produtores, a agroindústria, o comércio e a prestação de serviços”, afirma.

Segundo o presidente da AMCG, manter os municípios da região em posições de destaque é resultado do trabalho dos produtores e da estrutura que os municípios proporcionam para o desenvolvimento do setor. “Como AMCG, temos orgulho de ver os Campos Gerais ocupando esse espaço de destaque e reforçamos a importância de continuar valorizando e fortalecendo as atividades que são fundamentais para o desenvolvimento econômico dos nossos municípios.”

Presidente da AMCG e prefeito de Sengés, Gerson Nunes
Presidente da AMCG e prefeito de Sengés, Gerson Nunes |  Foto: Bernardo Rosas/aRede.

Paraná

O leite segue como o principal produto da pecuária paranaense. Em 2025, o valor da produção leiteira no estado chegou a R$ 12,7 bilhões, alta de 4,4%, o que representa 77,5% de todo o valor gerado com produtos de origem animal no Paraná e 14,2% do valor nacional do leite. Os ovos de galinha vêm em seguida, com 20,8% do valor estadual, seguidos pelo mel (1,3%), casulos do bicho-da-seda (0,2%) e ovos de codorna (0,1%).

Mais do que volume, o leite paranaense se destaca pela produtividade. Com 4,8 bilhões de litros produzidos por 1,1 milhão de vacas ordenhadas, o Paraná alcançou 4.297 litros por vaca ao ano, a 2ª maior produtividade do país, atrás apenas de Santa Catarina (4.398 litros) e 72% acima da média nacional (2.499 litros). O número de vacas ordenhadas no estado caiu 1,0%, mas a produção cresceu 3,9%, reflexo de investimentos em genética, manejo e tecnificação das propriedades. O Paraná respondeu por 38,5% da produção de leite da Região Sul, que voltou a liderar o ranking regional em 2025.

O leite paranaense também se destaca no preço. O valor médio da produção no estado ficou em torno de R$ 2,64 por litro, acima da média nacional de R$ 2,44, e fez com que a participação do Paraná no valor nacional do leite (14,2%) fosse maior do que a sua participação no volume (13,1%).

Veja os dez municípios campeões em produção de leite (em milhões de litros):

- Castro (PR): 532,8

- Carambeí (PR): 306,8

- Patos de Minas (MG): 249,2

- Patrocínio (MG): 178,7

- Lagoa Formosa (MG): 161,1

- Coromandel (MG): 150,3

- Orizona (GO): 138,0

- Arapoti (PR): 137,2

- Itaíba (PE): 133,7

- Poço Redondo (SE): 130,6

Leia o resumo da notícia

Destaque Regional no Ranking: Os Campos Gerais concentram três dos dez maiores produtores de leite do Brasil na PPM 2025 (IBGE), liderados por Castro (1º lugar, com 532,8 milhões de litros) e Carambeí (2º lugar, com 306,8 milhões), além de Arapoti na 8ª posição e Palmeira em 6º no Paraná.

Alta Produtividade e Tecnologia: O país atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros mesmo com a queda no rebanho de vacas; em Castro, a produtividade ultrapassa 10 mil litros por vaca/ano (quatro vezes a média nacional), fruto de genética, tecnificação e da força do cooperativismo e do ensino do setor.

Impacto Econômico Paranaense: O leite gerou R$ 12,7 bilhões no Paraná (77,5% do valor da pecuária estadual de origem animal), impulsionando a economia regional em empregos, apoio à agroindústria e desenvolvimento rural.

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