A Grande Árvore da Memória: exposição celebra 75 anos da Castrolanda
A concepção da exposição contou com a participação da agrônoma e paisagista Dorothi de Geus Bouwman, que há 25 anos atua no paisagismo da Castrolanda

Em 2026, ano em que a Castrolanda celebra seus 75 anos, a história da cooperativa ganha uma nova forma de ser contada. A exposição “A Grande Árvore da Memória” convida o visitante a percorrer momentos marcantes dessa trajetória a partir da representação de uma árvore, símbolo escolhido para traduzir as raízes, a união, o crescimento e a continuidade da história da cooperativa.
Para o presidente da Castrolanda, Willem Bouwman, a exposição representa uma oportunidade de valorizar acontecimentos importantes da trajetória da cooperativa e, ao mesmo tempo, relembrar a essência que esteve presente desde a sua fundação. A árvore também estabelece uma conexão com os valores que acompanharam a formação da comunidade e da cooperativa: fé, cooperação e educação.
“No ano em que a Castrolanda está completando 75 anos, a cooperativa nasceu pequena e foi construída e organizada ao longo desses anos. Durante esse período, tivemos alguns marcos importantes que aconteceram na história da cooperativa e, com essa exposição, damos mais importância e relevância aos eventos que aconteceram ao longo desses anos. Mas também é uma exposição para relembrar, na memória dos associados, colaboradores e visitantes, a essência da Castrolanda: de onde ela veio, como construiu e cresceu”, destaca.
Raízes
A concepção da exposição contou com a participação da agrônoma e paisagista Dorothi de Geus Bouwman, que há 25 anos atua no paisagismo da Castrolanda. A experiência acumulada ao longo desse período contribuiu para que ela pudesse reconhecer elementos da essência da cooperativa e traduzi-los para o projeto.
“Como agrônoma e paisagista, eu não tinha muito a ver com o local, mas, como estou há 25 anos atuando no paisagismo da Castrolanda, já entendemos mais a essência de tudo o que passou nesse tempo”, explica.
Na exposição, as raízes representam a fé, elemento considerado fundamental para compreender a trajetória dos imigrantes que deram origem à comunidade.
O percurso começa com um versículo bíblico de Colossenses 2:7: “[...] enraizados e edificados Nele, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão.”
A escolha faz uma analogia com a função das raízes de uma árvore, responsáveis pela sustentação e nutrição da planta. Na narrativa da exposição, elas representam a fé que sustentou os imigrantes diante da decisão de deixar seus familiares e partir para um lugar desconhecido. “Tivemos a difícil decisão de deixar nossos familiares e sair para o desconhecido, com a única certeza de que Deus não iria nos abandonar”, explica Dorothi.
O tronco
Se as raízes representam a fé, o tronco simboliza o cooperativismo, representando união, estrutura e desenvolvimento. Ao chegarem a um novo país, os imigrantes precisaram aprender novas formas de viver, trabalhar e produzir. A união foi essencial para superar os desafios e construir uma trajetória coletiva.
Na analogia proposta pela exposição, o tronco é único, mas formado por diversos anéis de crescimento, representando as pessoas que, juntas, constituíram a história da Castrolanda.
A partir dele surgem os galhos, onde a história passa a ser contada em diferentes momentos. Nesse percurso, a educação aparece como outro elemento fundamental para o desenvolvimento da comunidade, na formação dos filhos, dos colaboradores e de todos aqueles que participaram da trajetória da cooperativa.
A árvore, porém, não termina. Seus galhos continuam crescendo. “A exposição termina com os galhos também, mostrando que a árvore continua crescendo, a história continua. E nós vemos ali, no nosso Brasil, que a Castrolanda também cresceu, no Paraná, em São Paulo e no Tocantins”, destaca Dorothi.
Para a paisagista, a escolha do elemento central da exposição representa de maneira simbólica a trajetória construída ao longo dessas décadas. “Fiquei muito feliz de que essa árvore pôde representar tão bem a história da cooperativa. Com todos esses elementos, ela conseguiu ser forte e saudável para chegar até aqui hoje”.
Uma história que continua sendo construída
A narrativa da exposição também aponta para aquilo que ainda está por vir. A história da Castrolanda é apresentada a partir de três perspectivas como as conquistas, onde os desafios foram superados e o crescimento construído ao longo de 75 anos. As pessoas, que representa cada geração como parte da continuidade da história, mantendo a essência que sustenta a cooperativa. E o futuro para os novos ramos e novas histórias que continuam se espalhando pelo Brasil, mostrando que a história continua em movimento.
O projeto foi desenvolvido por uma equipe que reúne diferentes experiências e gerações da arquitetura e do paisagismo. A arquiteta Carla Greidanus, com 30 anos de atuação profissional, participou da concepção, do projeto e da curadoria ao lado da paisagista Dorothi de Geus Bouwman e da arquiteta Rebecca Greidanus, representante de uma nova geração.
O espaço também apresentou desafios específicos para a equipe. As diferenças de nível da passarela, por exemplo, foram solucionadas com rampas para garantir acessibilidade aos visitantes. As janelas existentes no local também foram incorporadas de maneira criativa ao projeto.
“Procuramos ajustar o conceito de exposição de uma forma original e irreverente ao conceito único do prédio. Ali tem uma alma Castrolanda, resgatando elementos afetivos do Brasil e da Holanda”, explica a arquiteta.
Para Rebecca, o desafio foi transformar as informações históricas em uma experiência que despertasse a curiosidade do visitante. “Como arquiteta, me senti bastante desafiada a criar algo diferente do comum. A fugir do óbvio e transformar cada informação em uma descoberta, por meio de uma experiência imersiva para o visitante”, conta.
Experiência
A visita à exposição acontece por meio de um audioguia, com fones de ouvido disponibilizados aos visitantes. O conteúdo pode ser acompanhado em três idiomas: português, inglês e holandês. Além da narração sincronizada com indicações de som, o recurso conta com um guia descritivo visual das obras e destaques textuais.
A proposta é permitir que o visitante tenha acesso a uma grande quantidade de informações sem comprometer a experiência no espaço. “A história vai sendo descoberta em camadas. Criam-se momentos em que o visitante se pergunta: ‘O que é isso?’ e, logo depois: ‘Ah, é isso que representa’. Esse pequeno intervalo entre a curiosidade e a descoberta torna a experiência mais significativa e memorável”, explica Rebecca.
Luzes, texturas, imagens e formas também fazem parte da narrativa. “Eles também são elementos de uma narrativa que desperta a curiosidade e provoca no visitante o desejo de observar, compreender e descobrir.”
Pesquisa e resgate da memória
O projeto da exposição teve início em janeiro de 2026 e envolveu um amplo trabalho de levantamento histórico. Fotografias, documentos e notícias foram pesquisados e reunidos pela equipe técnica de pesquisa do Centro Cultural Castrolanda, formada por André Kugler Zan, Nayara Carneiro e Matheus Monteiro.
O trabalho de pesquisa foi fundamental para reunir registros que ajudam a contar diferentes capítulos da trajetória da cooperativa e transformá-los em uma experiência acessível ao público.
Ao reunir documentos, imagens, objetos, elementos arquitetônicos e recursos audiovisuais, “A Grande Árvore da Memória” propõe um percurso pelos 75 anos da Castrolanda, conectando aqueles que ajudaram a construir essa história às novas gerações que continuam escrevendo seus próximos capítulos.
Com informações da Assessoria de Imprensa.



