Carambeí é o município mais preparado dos Campos Gerais para enfrentar desastres
No levantamento do TCE-PR realizado em 2025, a cidade atendia 76% dos critérios avaliados; no entanto, o município já realizou a compra do gerador elétrico, completando todos os requisitos

Um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aponta diferenças na estrutura das Defesas Civis dos municípios dos Campos Gerais para enfrentar desastres climáticos. Dos 19 municípios da região, apenas seis foram classificados como estruturados, são eles: Carambeí, Palmeira, Porto Amazonas, Reserva, Arapoti e Telêmaco Borba. Outros sete, incluindo Piraí do Sul, aparecem em situação intermediária, enquanto seis estão em estado crítico.
Os dados foram coletados em 2025 pelo Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (Progov), a partir de informações declaradas pelas prefeituras e do Sistema Informatizado de Defesa Civil. A avaliação considerou diferentes requisitos relacionados à capacidade de prevenção, preparação e resposta a desastres.
No levantamento, Carambeí foi o município dos Campos Gerais que mais atendeu aos critérios, com 76% dos requisitos cumpridos. No entanto, o município já adquiriu o gerador elétrico, passando a cumprir 100% dos requisitos da lista. “Agora, Carambeí já está com todos os requisitos completos, pois já adquirimos um gerador portátil. É a gestão pensando no bem comum, cuidando das pessoas e se preocupando com a nossa comunidade", anuncia a prefeita de Carambeí, Elisangela Pedroso.
Maioria dos municípios do Paraná tem limitações
Em todo o Paraná, o cenário também revela dificuldades. Segundo o levantamento do TCE-PR, 68,17% dos 399 municípios não possuem servidores dedicados exclusivamente às atividades da Defesa Civil. Além disso, 60,9% não contam com estrutura física de trabalho exclusiva, equipada com computador e acesso à internet.
Outros pontos avaliados também apresentam deficiências. Em 50,68% dos municípios não há veículo disponível para a Defesa Civil com capacidade de acessar áreas remotas, enquanto 55,64% não possuem telefone exclusivo para atendimento à população. Quase metade, 47,68%, não dispõe de equipamentos próprios para registro fotográfico.
A capacidade de comunicação com a população também aparece entre os principais desafios. 70,93% dos municípios não possuem sistema próprio de alerta de riscos capaz de alcançar toda a população, utilizando recursos como carros de som, megafones, rádios ou grupos de aplicativos de mensagens.
O levantamento aponta ainda que 55,14% das prefeituras não avaliaram, em 2025, a eficácia do Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil. Segundo o TCE-PR, parte dos municípios sequer possui esse instrumento.
Região tem pontos considerados críticos
Nos Campos Gerais, os itens mais associados à capacidade de resposta imediata a um evento como um tornado são justamente os mais frágeis na região como um todo: apenas dois municípios — três com o novo equipamento em Carambeí — têm gerador elétrico próprio, somente quatro realizaram simulado de alerta no ano de referência e só dois têm plano de recuperação pós-desastre formalizado.
No caso específico de Piraí do Sul, a ficha municipal não registra sistema próprio de alerta, estação meteorológica, veículo para áreas remotas nem gerador elétrico, cenário que ganha relevância diante do tornado que atingiu o município no último dia 8, provocando danos em residências, estruturas rurais e deixando centenas de pessoas afetadas.
O levantamento do TCE-PR terá uma nova avaliação em novembro, quando será possível verificar eventuais avanços na estrutura dos municípios paranaenses.
Desastres afetaram 246 municípios em 2025
A necessidade de preparação ganha dimensão diante dos próprios dados da Defesa Civil. Em 2025, foram registrados 574 desastres no Paraná, que afetaram 246 municípios, mais da metade das cidades do Estado. Ao todo, 292.237 pessoas foram atingidas e 27 mortes foram registradas em decorrência dos eventos.
Para o TCE-PR, o levantamento busca ir além da análise financeira das administrações municipais e verificar a capacidade dos municípios de oferecer serviços públicos e responder a situações que afetam diretamente a população.
Leia o resumo da notícia
Defesa Civil desigual: Dos 19 municípios dos Campos Gerais, seis estão estruturados, sete em situação intermediária e seis em estado crítico para enfrentar desastres climáticos. Carambeí liderou a região, com 76% dos requisitos cumpridos, e passou a atender todos após adquirir um gerador.
Pontos frágeis: A região ainda tem baixa cobertura de itens essenciais, como geradores, sistemas de alerta, simulados e planos de recuperação pós-desastre. Em Piraí do Sul, o levantamento não registrava gerador, veículo para áreas remotas, estação meteorológica ou sistema próprio de alerta.
Desafio estadual: Em 2025, 574 desastres afetaram 246 municípios do Paraná, atingindo 292.237 pessoas e causando 27 mortes. O TCE-PR fará nova avaliação em novembro para verificar possíveis avanços na estrutura das Defesas Civis.





















