Patrimônio histórico movimenta turismo e economia nos Campos Gerais
Prédios históricos são vetores de desenvolvimento econômico a partir do turismo, cultura e identidade dos municípios; estrutura também gera renda e oportunidades de empregos

Se a preservação do patrimônio histórico exige recursos para manter estruturas, o turismo entra como possibilidade para gerar economia local e ampliar o uso dos espaços pela população.
Para Juliana da Silva Ribeiro Teixeira, diretora do Departamento de Cultura de Jaguariaíva, o patrimônio pode ser um vetor de desenvolvimento econômico. “Preservar um prédio, uma antiga estrutura ou um espaço de memória não significa apenas conservar algo do passado; significa criar possibilidades para o presente e para o futuro”, afirma. A recuperação e inclusão desses espaços em roteiros estimula o comércio, a gastronomia, a hotelaria, o artesanato e a economia criativa.
Segundo a prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, o patrimônio precisa ser preservado, mas também vivido. “Um imóvel restaurado e permanentemente fechado produz pouco impacto sobre a dinâmica da cidade. Quando esse mesmo patrimônio recebe exposições, visitas, gastronomia e programação cultural, passa a gerar circulação de pessoas”, destaca.
Patrimônio como turismo e desenvolvimento econômico
Em Jaguariaíva, a estratégia é integrar os atrativos naturais aos espaços históricos e culturais. Segundo Juliana, quem chega ao município em busca das belezas naturais também é incentivado a conhecer locais de memória por meio de roteiros turísticos e atividades culturais.
Em Tibagi, a estratégia também busca conectar o patrimônio através da natureza. O Centro Histórico integra os roteiros oficiais e seus prédios são divulgados em redes sociais, mapas, materiais promocionais e campanhas. Entre as iniciativas está a visita noturna ao local.
O prefeito de Tibagi, Rildo Leonardi, destaca que o patrimônio tem papel importante na estratégia turística do município. Segundo ele, a equipe mantida pela Secretaria de Turismo no Cânion Guartelá, por exemplo, é capacitada para apresentar a história local e orientar os visitantes a conhecerem a cidade.
Segundo Rildo, isso é possível a partir da Secretaria de Turismo de Tibagi, que desenvolve as ações. “Dessa forma, o patrimônio histórico deixa de ser apenas um bem cultural e passa a gerar oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento para a comunidade, sempre aliado à sua preservação e valorização”.
Em Castro, o patrimônio também é utilizado para diversificar a oferta turística do município. O guia turístico Juliano José Roberto afirma que o resgate, a preservação e a valorização do patrimônio histórico e cultural são ativos estratégicos para ampliar as possibilidades.
Segundo Amélia Flugel Podolan, Chefe do departamento do Patrimônio Histórico de Castro, a atratividade turística do município envolve a herança tropeira e o legado das várias etnias que formaram a comunidade, entre elas a dos povos originários, dos africanos, dos europeus e asiáticos. A imigração holandesa acrescenta outra frente, com a Colônia Castrolanda, o Moinho De Immigrant e o Centro Cultural Castrolanda, que preservam a história dos imigrantes e também funcionam como atrativos.
Kasciano Roberto Morais, secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Castro, afirma que o município lançou recentemente um mapa turístico. “A ideia é simples: patrimônio preservado vira dinheiro na mão do empresário e do trabalhador. Com o mapa turístico, os eventos nacionais e o turismo de negócios, mais gente visita a cidade, mais gente compra no comércio, mais empregos são gerados”, relaciona.
Na Lapa, o patrimônio histórico já ocupa papel relevante na atividade turística. Segundo o prefeito Diego Ribas, um destaque provém do turismo pedagógico, devido a alta procura das instituições de ensino para excursão pelos museus históricos.
Para a secretária de Cultura da Lapa, Nara Skrzypietz, os eventos culturais e turísticos do município fortalecem ainda mais a movimentação econômica, pois ampliam o fluxo de visitantes. “Além do impacto econômico direto, essas atividades contribuem para a valorização da identidade lapeana e para a divulgação do município como um importante destino histórico e cultural do Paraná”, completa.
Patrimônio preservado pode gerar emprego
Para a historiadora Letícia Leal de Almeida, membro da Associação de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural (APPAC), transformar a história em produto turístico já é uma estratégia utilizada por diferentes cidades. “Você imagina as cidades da Lapa e Morretes sem os patrimônios tombados? É a história local e regional que mantém essas cidades ativas, atraindo diferentes públicos”, exemplifica.
Em Ponta Grossa, o Museu Campos Gerais e a Estação Saudade são exemplos de imóveis utilizados para ampliar o turismo. No primeiro caso, o prédio restaurado passou a funcionar como espaço de memória e visitação. No segundo, o Sesc desenvolve atividades culturais e econômicas, inclusive, com um café no local. “Isso gera renda, economia criativa, turismo e trabalho para muitas pessoas”, afirma.
Conheça alguns patrimônicos históricos da região
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Leia o resumo da notícia
Patrimônio como motor econômico: a preservação de prédios e espaços históricos pode impulsionar o turismo e gerar oportunidades para comércio, gastronomia, hotelaria, artesanato e economia criativa.
Integração com o turismo: municípios como Jaguariaíva, Tibagi, Castro e Lapa incorporam patrimônios históricos a roteiros turísticos, conectando cultura, natureza e identidade local para atrair visitantes.
Preservar também gera emprego e renda: quando restaurados e utilizados para exposições, eventos, visitas e atividades culturais, os patrimônios deixam de ser apenas espaços de memória e passam a movimentar a economia. Em Ponta Grossa, exemplos como o Museu Campos Gerais e a Estação Saudade mostram esse potencial.


























