UEPG avança estudo para beneficiar produtores de poncã de Cerro Azul | aRede
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UEPG avança estudo para beneficiar produtores de poncã de Cerro Azul

Pesquisa inédita do curso de Engenharia de Alimentos atende a demanda de agricultores locais para eliminar amargor e permitir industrialização da fruta

Pesquisadores da UEPG e autoridades apresentam em Cerro Azul projeto científico para eliminar o amargor e viabilizar a produção industrial do suco de poncã
Pesquisadores da UEPG e autoridades apresentam em Cerro Azul projeto científico para eliminar o amargor e viabilizar a produção industrial do suco de poncã -

Publicado por Eduarda Gomes

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Uma parceria entre a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) busca solucionar um problema histórico no setor agrícola de Cerro Azul (PR): o amargor no processamento do suco de poncã. A cidade é a maior produtora da fruta no país, responsável por cerca de 10% da produção nacional. A proposta e os resultados preliminares da pesquisa foram apresentados na última quarta-feira (04), no município, reunindo autoridades locais, produtores rurais, entidades de fomento e representantes da cooperativa produtora.

Liderado pelos professores Alessandro Nogueira e Ivo Mottin Demiate, que também é reitor da UEPG, o projeto busca criar caminhos para industrializar o principal ativo agrícola da região. O secretário da Seti, Aldo Nelson Bona, destacou que a iniciativa traduz a busca por soluções para os gargalos produtivos da sociedade paranaense. “Por isso, a importância da estabilidade no financiamento, no fomento e na continuidade para que não se perca tudo o que foi conquistado com muito trabalho e investimentos”, afirmou Bona, frisando que o avanço tecnológico deve gerar novos empregos e melhorar a renda local.

O reitor Ivo Demiate ressaltou a função social da universidade em servir a população, em especial em um município com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). “A Universidade tem sido procurada pelos representantes da comunidade, pelos políticos, para ajudar a resolver problemas estruturantes. E essa viagem a Cerro Azul, com a presença da reitoria, foi para passar a mensagem de continuidade e que esse projeto segue disponível para atender a demandas que sejam de relevância social e econômica”, ressaltou.

DESVENDANDO O AMARGOR

Iniciado em 2023 a partir de uma demanda do Governo do Paraná, o projeto começou com o diagnóstico do Vale do Ribeira para estruturar a capacidade analítica do curso de Engenharia de Alimentos da UEPG. Na apresentação do estudo "Desvendando o amargor em suco de poncã", o professor Alessandro Nogueira detalhou os tratamentos testados para reduzir a substância responsável pela adstringência.

“Entre os tratamentos testados, o Florisil (silicato de magnésio de uso alimentício) apresentou o melhor desempenho, com redução de 70% na concentração de limonina, principal composto amargo formado no suco após a extração. A concentração residual ficou abaixo do nível de percepção do amargor, e o tratamento não alterou significativamente a composição do suco”, explicou Alessandro. Ele mencionou que, embora o uso do composto seja permitido em alguns países, sua aplicação comercial no Brasil ainda precisa de regulamentação. “Estamos verificando como podemos acelerar este processo”, afirmou. A equipe também monitora cultivares que apresentam sucos naturally pouco amargos ao longo de diferentes safras.

OPORTUNIDADES

Atualmente, toda a safra do município é comercializada exclusivamente in natura. O prefeito de Cerro Azul, Edson Cordeiro do Nascimento (Edinho do Baiano), enfatizou que o município depende dos citros e espera a continuidade da parceria. Para Edilon do Santos, representante de uma cooperativa local, as descobertas abrem perspectivas para a industrialização. “Hoje, toda a nossa produção é vendida in natura, sem processamento. E com o resultado da pesquisa existe a possibilidade de abertura de várias portas para o trabalho, desenvolvimento e industrialização do suco”, apontou.

O gestor do Sebrae na localidade, Ivan Silva Evangelista, destacou que o projeto é uma das soluções mais assertivas para Cerro Azul, Doutor Ulisses e a região do Vale do Ribeira, que produz cerca de 100.000 toneladas da fruta concentradas entre maio, junho e julho. “O suco viria para estender esse período de prateleira com a possibilidade de, além de agregar valor, também distribuir renda durante todo o ano”, afirmou Evangelista, confirmando o apoio do Sebrae à continuidade dos estudos.

As informações são da UEPG.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Pesquisa Inédita da UEPG: O estudo conduzido pela Engenharia de Alimentos da UEPG busca solucionar o amargor do suco de poncã em Cerro Azul, capital nacional da fruta responsável por 10% da produção do país.

- Redução do Composto Amargo: Testes laboratoriais com silicato de magnésio (Florisil) conseguiram reduzir em 70% a concentração de limonina no suco sem alterar sua composição, deixando o amargor imperceptível ao paladar.

- Impacto Econômico e Social: A industrialização da bebida visa estender a comercialização da safra (hoje vendida apenas in natura em um período sazonal de três meses), gerando empregos e renda o ano todo no Vale do Ribeira.

CONTEÚDO DE MARCA

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