El Niño causa R$ 860 milhões em prejuízos no Paraná
Excesso de chuva compromete a qualidade dos grãos e atrasa o plantio da soja, enquanto temporais já afetaram 153,3 mil pessoas no estado em 2026

O excesso de chuva já provoca prejuízos às lavouras do Paraná, com perdas na qualidade dos grãos de inverno e dificuldades no plantio da safra de verão. O cenário preocupa diante da intensificação do El Niño, fenômeno associado à previsão de chuvas acima da média na Região Sul nos próximos meses.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), até 26 de outubro, 88% da área de trigo havia sido colhida no Paraná. Apesar do avanço, o excesso de umidade e as doenças de final de ciclo comprometeram a produtividade e a qualidade dos grãos. Na cevada, a colheita chegou a 54%, também com problemas de qualidade.
Na safra de verão, a semeadura da soja alcançou 62% da área prevista. Embora 88% das lavouras implantadas apresentassem boas condições, o encharcamento do solo provocou erosão, perda de nutrientes, doenças radiculares e necessidade pontual de replantio. O feijão também foi prejudicado por doenças associadas ao excesso de umidade.
O volume de chuvas reforça o alerta. Em setembro, estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Paraná e no Rio Grande do Sul registraram precipitações entre 60% e 135% acima da média histórica.
As projeções do Inmet indicam chuvas acima da média na Região Sul em novembro, acompanhadas de temperaturas elevadas. No norte do Paraná, os desvios de temperatura podem chegar a 2 °C acima da média climatológica. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño pode permanecer nas categorias forte a muito forte até o início de 2027.
Além dos impactos sobre a produtividade, o fenômeno aumenta a preocupação com chuvas intensas, vendavais e granizo, que podem danificar lavouras, estufas, galpões, silos, máquinas e redes elétricas em propriedades rurais.
PREJUÍZO EM VALORES
Entre junho e setembro de 2026, o Paraná registrou mais de 450 ocorrências relacionadas a eventos meteorológicos extremos, que afetaram 153,3 mil pessoas e deixaram seis mortos, segundo levantamento da Defesa Civil. Os registros incluem vendavais, granizo, chuvas intensas e tornados.
O número de ocorrências aumentou ao longo do período: foram 48 em junho, 42 em julho, 139 em agosto e 223 em setembro. Até o início de outubro, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) contabilizava 14 tornados no estado.
Os prejuízos também aparecem nos dados do Simepar acumulados até o fim de agosto. Os eventos climáticos extremos atingiram cerca de 160 mil pessoas e provocaram prejuízos estimados em quase R$ 860 milhões.
Em âmbito nacional, um estudo da Serasa Experian estima que um cenário de El Niño forte poderia reduzir a produção brasileira de soja em 17,6 milhões de toneladas na safra 2026/27, uma queda de aproximadamente 10%. As perdas econômicas poderiam chegar a R$ 33 bilhões. O Paraná está entre os estados com previsão de redução da produtividade, mas o levantamento não detalha o impacto financeiro específico no estado.
PREVENÇÃO
Para reduzir os riscos, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) recomenda práticas de conservação do solo, manutenção da cobertura vegetal e planejamento das operações agrícolas conforme as condições meteorológicas. O acompanhamento dos boletins oficiais também ajuda a orientar o plantio, as aplicações de defensivos e a colheita.
O Sistema FAEP, por sua vez, destaca a importância do seguro rural para reduzir os prejuízos financeiros provocados por eventos extremos e defende políticas agrícolas que facilitem o acesso dos produtores às apólices.
A população pode acompanhar os riscos de temporais por meio dos alertas emitidos pela Defesa Civil do Paraná, que monitora as condições meteorológicas com o apoio de especialistas do Simepar. O cadastro para receber mensagens por SMS é gratuito e pode ser feito enviando o CEP para o número 40199. Outra opção é o WhatsApp, pelo número (61) 2034-2611, seguindo as orientações para cadastrar o CEP, o município ou a localização.
Com supervisão: Mário Martins.



