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Paraná pode absorver demanda de aves devido a foco de Newcastle em SC

Efeitos comerciais devem se concentrar no mercado catarinense por até 40 dias, mas risco de embargo nacional pela China traz alerta para a avicultura do país

Setor avícola avalia remanejamento de exportações para o Paraná e Rio Grande do Sul após confirmação de doença de Newcastle em Santa Catarina
Setor avícola avalia remanejamento de exportações para o Paraná e Rio Grande do Sul após confirmação de doença de Newcastle em Santa Catarina -

Publicado por Eduarda Gomes

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A confirmação de um caso da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, pode desencadear restrições temporárias às exportações de carne de aves do estado. Apesar do alerta sanitário e comercial, avaliações do mercado indicam que os impactos na avicultura nacional podem ser mais moderados do que os observados durante a crise de influenza aviária de alta patogenicidade, desde que o setor reestruture os embarques e equilibre a oferta.

Nesse contexto, os estados do Paraná e do Rio Grande do Sul despontam como peças-chave para absorver parte da demanda internacional eventualmente perdida pelas empresas catarinenses. O direcionamento de cargas para outras regiões busca conter os prejuízos de eventuais embargos sobre o fluxo total das vendas externas do Brasil, evitando que o foco localizado comprometa toda a cadeia produtiva. A expectativa do setor é de que os impactos mais diretos no mercado fiquem restritos a Santa Catarina, durando entre 30 e 40 dias.

A capacidade de remanejar a produção é vista como o fator primordial para mitigar perdas. Maior exportador de carne de frango do país, o Paraná tem peso expressivo no fornecimento global e estrutura para expandir sua atuação em mercados que suspendam temporariamente as compras de Santa Catarina. O Rio Grande do Sul também pode absorver parcela dessa demanda, desde que preserve suas condições sanitárias e as autorizações dos países compradores. A redistribuição dos embarques visa proteger contratos e evitar a concentração de prejuízos.

No entanto, especialistas ressaltam que a substituição da produção catarinense não ocorre de forma automática. O processo depende da capacidade operacional e logística das plantas fabris, do cumprimento das exigências sanitárias de cada destino e da viabilidade de redirecionar volumes para novos compradores. Além disso, existe a possibilidade de alguns países aplicarem bloqueios a todo o território brasileiro, impedindo o remanejamento imediato.

O ponto de maior apreensão é a China, país que costuma aplicar restrições de abrangência nacional, o que paralisaria as compras de aves brasileiras de todos os estados, independentemente de o foco estar restrito ao Oeste catarinense. Segundo a consultoria Safras & Mercado, o risco de embargo amplo por parte dos chineses é considerado muito alto, tomando como base o histórico de 2024, quando um caso de Newcastle em Anta Gorda (RS) levou à suspensão geral. Na ocasião, a China retomou os embarques do Brasil em agosto daquele ano, mas manteve o estado gaúcho bloqueado até janeiro de 2026.

Caso o cenário de restrições se prolongue e o escoamento externo seja prejudicado, o acúmulo de produção pode aumentar temporariamente a oferta no mercado interno de Santa Catarina, pressionando os preços no atacado regional. Para conter esse risco, a Safras & Mercado orienta que os produtores ajustem o alojamento de aves para mantê-lo alinhado às perspectivas reais de demanda. Até o momento, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) não oficializou a lista definitiva das restrições comerciais decorrentes do caso.

As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Redirecionamento de mercado: Paraná e Rio Grande do Sul podem absorver a demanda internacional de aves afetada por eventuais restrições temporárias a Santa Catarina, limitando os impactos no fluxo nacional.

- Risco de embargo chinês: A possibilidade de a China aplicar uma suspensão de alcance nacional a todas as exportações brasileiras é a principal ameaça comercial para o setor avícola.

- Pressão nos preços internos: A demora na reorganização dos embarques pode gerar excesso de oferta e queda de preços no atacado catarinense, exigindo adequação no planejamento de alojamento de aves.

CONTEÚDO DE MARCA

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