Estudante do Paraná cria estufa inteligente para agricultura familiar | aRede
PUBLICIDADE

Estudante do Paraná cria estufa inteligente para agricultura familiar

Projeto desenvolvido por aluno em Santa Maria do Oeste usa robótica para automatizar a irrigação em hortas e busca oferecer tecnologia acessível ao pequeno produtor

Luiz Otávio Dalbello Pereira Furquim desenvolveu protótipo de estufa inteligente de baixo custo com irrigação automática em Santa Maria do Oeste
Luiz Otávio Dalbello Pereira Furquim desenvolveu protótipo de estufa inteligente de baixo custo com irrigação automática em Santa Maria do Oeste -

Publicado por Eduarda Gomes

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

A experiência de viver em uma região onde o cultivo de hortaliças em estufas é uma prática bastante comum, especialmente na produção de tomates, levou o estudante Luiz Otávio Dalbello Pereira Furquim, de 16 anos, a pensar em uma forma de aprimorar um dos processos mais determinantes para o desenvolvimento das plantas: o sistema de irrigação. Aluno do 2º ano do Colégio Estadual José de Anchieta, localizado no município de Santa Maria do Oeste, na região Central do Paraná, ele transformou essa percepção em um projeto prático de robótica e desenvolveu um protótipo funcional de estufa com irrigação automatizada.

Batizada de “Smart Estufa: O futuro do cultivo protegido na olericultura ao alcance do produtor”, a iniciativa nasceu da observação direta da realidade agrícola regional e ganhou forma a partir dos conceitos técnicos adquiridos pelo jovem durante as aulas de robótica. Segundo Luiz Otávio, a ideia de base surgiu naturalmente por estar inserido nesse meio produtivo. A partir dessa vivência, o estudante identificou que a irrigação manual feita nas propriedades frequentemente ocorre sem a precisão necessária, guiando-se apenas pelo "olhômetro", dinâmica que pode resultar tanto no excesso nocivo de água quanto na escassez hídrica para as lavouras.

A solução para a irregularidade do manejo hídrico veio dos aprendizados em sala de aula. Ao conhecer um sistema que operava com sensor de umidade do solo nas aulas de robótica, Luiz decidiu adaptar a tecnologia para o contexto agrícola. O protótipo da Smart Estufa é composto por uma placa Arduino Uno, um sensor de umidade do solo, uma placa protoboard, um módulo relé, bateria e uma minibomba de água submersível. O funcionamento da estrutura ocorre de maneira contínua e simples: o sensor verifica constantemente os níveis de umidade da terra e, no momento em que o índice fica abaixo do limite pré-programado, o sistema aciona de forma automática a bomba de água, mantendo a irrigação ativa até que o solo alcance o patamar ideal.

Para realizar os testes práticos do equipamento, o estudante optou por cultivar alface, por se tratar de uma cultura de menor porte e com ciclo de desenvolvimento consideravelmente mais rápido em comparação ao tomate. Para abrigar a plantação, Luiz construiu a estrutura da miniestufa utilizando colmos de bambu e plástico-filme difuso, usando uma bandeja plástica como canteiro. Para comprovar a eficiência do invento, ele comparou o desenvolvimento da hortaliça na estufa automatizada com outro grupo de plantas cultivado sem estrutura de proteção e submetido à irrigação manual tradicional.

Além de garantir o uso racional da água e o controle rigoroso da umidade, um dos pontos centrais destacados pelo aluno é o baixo custo de montagem do protótipo, fator que torna a inovação viável para pequenos produtores rurais. Para confeccionar uma réplica do sistema, o valor médio gasto com a aquisição das peças e componentes eletrônicos fica em R$ 141,43. Na configuração desenvolvida, considerando um espaçamento de 20 centímetros entre os vegetais, a estrutura comporta cerca de dez plantas. A proposta, no entanto, é modular e escalável: a capacidade de irrigação pode ser expandida conforme a necessidade da propriedade, sendo possível adicionar novos sensores, substituir a minibomba por um modelo de maior vazão e adaptar o código de programação.

O desenvolvimento do projeto foi acompanhado de perto pela professora orientadora Célia Batista Padilha. A docente relatou que a proposta surgiu ao notar a grande habilidade e o desempenho de Luiz na área de robótica, buscando direcionar esse conhecimento técnico para uma solução voltada à sustentabilidade e com aplicação real no cotidiano do campo. Segundo a professora, a intenção primária era usar a tecnologia para ajudar os próprios familiares do estudante que trabalham com cultivo em estufas, facilitando a rotina do pequeno agricultor. Célia reforça que o protótipo em escala reduzida representa apenas a etapa inicial do trabalho, já que o objetivo do jovem é ampliar a estrutura e testá-la no futuro diretamente na propriedade rural de seu avô.

O projeto foi apresentado na Feira Científica de Altas Habilidades/Superdotação (FENAAH/S), realizada no município de Foz do Iguaçu, no Oeste do Estado. A participação no evento deu um novo impulso à motivação do estudante, que já traça os planos para dar continuidade ao trabalho no próximo ano. Luiz Otávio pretende abandonar o uso de bandejas plásticas e construir uma estufa em tamanho real, montando um canteiro de horta no solo com estrutura adequada para implementar o irrigador automático e testar a tecnologia em condições reais de produção agrícola.

As informações foram divulgadas pela Agência Estadual de Notícias.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Robótica aplicada ao campo: Aluno de Santa Maria do Oeste criou uma estufa inteligente automatizada com Arduino e sensores de umidade para evitar desperdício de água na olericultura.

- Acessibilidade financeira: O protótipo foi projetado com custo médio de R$ 141,43 em componentes, permitindo adaptação e expansão para atender às necessidades da agricultura familiar.

- Evolução do projeto: Após apresentar o protótipo na FENAAH/S em Foz do Iguaçu, o estudante planeja construir uma estufa em escala real na propriedade do avô para testes práticos no solo.

CONTEÚDO DE MARCA

PUBLICIDADE