Projeto pioneiro em escola no Paraná produz 1 tonelada de tilápia | aRede
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Projeto pioneiro em escola no Paraná produz 1 tonelada de tilápia

Iniciativa do Ceepa São Mateus do Sul envolve estudantes do ensino técnico em todas as etapas da piscicultura e reinveste recursos da venda na própria instituição

Filés de tilápia produzidos e processados pelos alunos são congelados para posterior comercialização via cooperativa escolar
Filés de tilápia produzidos e processados pelos alunos são congelados para posterior comercialização via cooperativa escolar -

Publicado por Eduarda Gomes

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Pioneira em implantar na prática a piscicultura na grade escolar da rede estadual de ensino agrícola do Paraná, uma escola de São Mateus do Sul, no sudeste do Estado, produziu cerca de uma tonelada de tilápia em 2025. A estimativa da coordenação é aumentar a produção em mais de 50% no próximo ciclo, previsto para finalizar em 2027. Trata-se do Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola (Ceepa) São Mateus do Sul, que vem transformando a criação de peixes em oportunidade de formação profissional e geração de receita.

Com a comercialização do primeiro lote do pescado produzido, a escola arrecadou aproximadamente R$ 10 mil. Os recursos, obtidos por meio da cooperativa escolar, estão sendo integralmente reinvestidos no próprio colégio, principalmente na compra de ração, implementos e equipamentos de proteção individual (EPIs).

O aumento da produção esperado para o próximo ciclo está relacionado a condições climáticas mais favoráveis, adoção de novos tipos de ração e ao aperfeiçoamento das técnicas de manejo, conforme explica Thales Okonoski, diretor da Unidade Didático-Produtiva.

Criado em 2024, o colégio atende atualmente 83 estudantes do curso técnico em Agropecuária e mantém quatro tanques de criação de tilápia, cada um com capacidade para 675 mil litros de água, somando 2,7 milhões de litros no total. Essa estrutura permite que os estudantes acompanhem, dentro da própria escola, todas as etapas da atividade, desde a chegada dos alevinos até o manejo, o processamento e a comercialização do pescado.

Thales destaca que a experiência permite aos alunos compreender não apenas as técnicas de criação, mas toda a lógica econômica e produtiva da atividade. “O estudante participa do ciclo completo. Nesse processo, aprende a tomar decisões com base em dados, controlar custos, avaliar a qualidade da água e entender como cada etapa interfere no resultado final”, ressalta.

Cerca de metade dos estudantes da unidade vive em regime de internato, e 60% são mulheres. No final de 2026, o colégio terá a formatura de sua primeira turma. A aluna Karoline de Souza, de 17 anos, estudante da 2ª série do Ensino Médio, conta que, antes de ingressar no Ceepa, não imaginava que a piscicultura exigisse tantos cuidados. “Na prática, conseguimos acompanhar o desenvolvimento dos peixes, fazer a biometria, participar da despesca e até da filetagem. Esse contato direto ajuda muito a entender o que aprendemos em sala de aula e tornou a piscicultura uma das áreas de que mais gosto dentro da formação técnica”, revela.

Segundo o diretor, a experiência aproxima os jovens de uma cadeia produtiva em expansão no Paraná, ampliando as possibilidades de atuação no mercado. O técnico em Agropecuária pode atuar em propriedades rurais, frigoríficos, cooperativas, associações de produtores, empresas de consultoria e assistência técnica, indústrias de insumos, agências ambientais, entre outros segmentos.

CICLO PRODUTIVO E APRENDIZADO PRÁTICO

O processo se inicia com a chegada dos alevinos, peixes em estágio inicial de desenvolvimento, que chegam ao colégio com aproximadamente 2 centímetros de comprimento, adquiridos por meio de licitação conduzida pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar).

O ciclo de criação dura cerca de um ano. Nos tanques, os peixes recebem alimentação diária, enquanto os estudantes monitoram o crescimento dos animais e as condições da água, verificando parâmetros como oxigênio dissolvido, temperatura, pH e transparência. Além do controle de ração, é realizada periodicamente a biometria, procedimento no qual uma amostra do lote é medida e pesada.

Quando as tilápias atingem aproximadamente 1,2 quilo, ocorre a despesca planejada. Na sequência, os animais passam por lavagem, retirada das escamas e evisceração sob rigorosos cuidados de higiene e segurança sanitária. Após novas higienizações, as carcaças seguem para a filetagem. Os filés são então congelados, armazenados e comercializados pela cooperativa escolar. Todo o processo conta com o acompanhamento de uma médica-veterinária, responsável técnica pelo controle de qualidade e pelas normas sanitárias.

Por meio de um projeto pedagógico interdisciplinar, os conteúdos teóricos de disciplinas como Química, Matemática, Finanças e Meio Ambiente são aplicados diretamente na prática diária. Conforme reforça o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a iniciativa fortalece o ensino técnico paranaense: “A educação profissional precisa acompanhar as vocações e as oportunidades de cada região”.

As informações foram divulgadas no Globo Rural.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Pioneirismo e produção: O Ceepa São Mateus do Sul produziu cerca de uma tonelada de tilápia em 2025 no primeiro projeto prático de piscicultura da rede estadual agrícola do Paraná, gerando R$ 10 mil reinvestidos na escola.

- Formação completa: Alunos do curso técnico em Agropecuária acompanham todo o ciclo produtivo, do monitoramento de alevinos, água e biometria até a despesca, filetagem e venda do pescado.

- Aprendizado interdisciplinar: O projeto integra disciplinas como Química, Matemática e Finanças à rotina do campo, capacitando os estudantes para atuar em uma cadeia produtiva em expansão no Estado.

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