Castro une maior produção de leite do Brasil e turismo no Paraná
Município dos Campos Gerais reúne tradição tropeira, produção de calcário agrícola, herança de imigrantes e atrações históricas

Nos Campos Gerais do Paraná, a riqueza de Castro vai além das paisagens rurais. Conhecida como a Capital Nacional do Leite e também como Cidade Mãe do Paraná, a cidade combina tradição tropeira, produção agropecuária de destaque nacional e recursos naturais que movimentam a economia e atraem visitantes.
Fundado a partir do caminho percorrido por tropeiros que transportavam gado entre o Sul e o Sudeste do Brasil, o município construiu uma trajetória marcada pela agricultura, pela pecuária e pela chegada de imigrantes europeus. Hoje, também se destaca pelas reservas de calcário, utilizado para melhorar as condições do solo nas lavouras e pastagens.
Como Castro se tornou a maior produtora de leite do Brasil?
Conforme o Canal Rural, Castro ocupa a primeira posição no ranking nacional de produção de leite. Em 2024, o município produziu 484,4 milhões de litros, um aumento de 6,7% em relação ao ano anterior, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na sequência aparece Carambeí, também nos Campos Gerais, com 293,1 milhões de litros, enquanto Patos de Minas, em Minas Gerais, ocupa a terceira posição, com 226,9 milhões.
O reconhecimento oficial da importância da atividade veio em 26 de dezembro de 2017, quando a Lei nº 13.584 concedeu a Castro o título de Capital Nacional do Leite.
A liderança está relacionada à produtividade dos rebanhos. De acordo com dados da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o município possui aproximadamente 53,4 mil vacas ordenhadas, com produção média anual de 8,4 mil litros por animal. O resultado supera a média brasileira, de cerca de 2,2 mil litros por vaca ao ano.
A força do setor pecuário também aparece em outros indicadores. Em 2023, Castro ocupou a terceira posição nacional em valor da produção de origem animal, com R$ 1,3 bilhão, conforme levantamento divulgado pelo Governo do Paraná.
Qual é a relação entre o subsolo de Castro e a produção agropecuária?
Além da atividade leiteira, Castro se destaca pela produção de calcário agrícola. Conforme o portal oficial de turismo do Paraná, Viaje Paraná, o município é apontado como o maior produtor desse insumo na América Latina.
O calcário é utilizado para corrigir a acidez do solo, favorecendo o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. Por isso, tem papel importante na preparação de áreas destinadas ao cultivo agrícola e à formação de pastagens.
A riqueza mineral também contribui para a paisagem natural do município. Em áreas de rochas calcárias, a ação da água ao longo do tempo pode formar cavernas com estalactites e estalagmites, estruturas que se desenvolvem lentamente a partir da deposição de minerais.
As cavernas estão localizadas em propriedades particulares e dependem de autorização e acompanhamento de guias para visitação.
Por que Castro é conhecida como Cidade Mãe do Paraná?
A história de Castro está diretamente ligada ao tropeirismo. A região fazia parte das rotas utilizadas por tropeiros que conduziam animais entre o Sul e o Sudeste do país. Nesse contexto, a Fazenda Capão Alto teve importância como ponto de parada e contribuiu para o desenvolvimento do povoamento regional.
O município também teve papel na história política do Paraná. Em 1894, durante a Revolução Federalista, Castro chegou a ser capital provisória do estado por cerca de três meses.
Outro marco histórico está relacionado à educação infantil. Foi na cidade que Emília Erichsen fundou o primeiro jardim de infância do Brasil. Atualmente, o legado da educadora é lembrado em espaços culturais do município.
A formação cultural de Castro também recebeu influência de diferentes correntes migratórias. A partir da década de 1930, imigrantes alemães chegaram à região. Posteriormente, na década de 1950, imigrantes holandeses estabeleceram a Colônia Castrolanda, que se tornou uma referência na produção agropecuária e na preservação das tradições dos Países Baixos.
O que visitar em Castro?
Além da importância econômica e histórica, Castro reúne atrações culturais, construções antigas e espaços ao ar livre. O centro histórico e a Colônia Castrolanda concentram pontos de interesse para quem deseja conhecer a trajetória do município.
Centro Cultural Castrolanda
O espaço abriga um moinho inspirado na arquitetura holandesa, construído em 2001 para celebrar os 50 anos da imigração holandesa na região. Com pás de 26 metros, o monumento se tornou um dos símbolos da colônia. O complexo também conta com museu, biblioteca e café.
Museu do Tropeiro
Instalado em um dos imóveis históricos mais antigos de Castro, construído em taipa de pilão, o museu preserva objetos relacionados ao tropeirismo, como selas, vestimentas e outros itens que ajudam a contar a história das viagens realizadas pelos tropeiros.
Casa da Sinhara
O espaço reúne objetos, móveis e utensílios que retratam aspectos da vida cotidiana das mulheres castrenses entre os séculos XVII e XIX, contribuindo para a preservação da memória local.
Casa da Praça
Construída em 1870, a residência já foi ocupada por prefeitos e atualmente funciona como espaço dedicado à arte e à cultura.
Morro do Cristo
Um dos pontos mais elevados da cidade, o local oferece uma vista panorâmica de Castro e é uma opção para quem deseja observar a paisagem urbana e os arredores.
Parque Lacustre e Prainha
O Parque Lacustre reúne áreas verdes e um lago urbano, sendo utilizado para caminhadas e momentos de lazer. Já a Prainha é uma alternativa para passeios ao ar livre e contato com a natureza.
Sabores que preservam a tradição tropeira
A gastronomia também ajuda a contar a história de Castro. Pratos como o Virado Tropeiro e o Castropeiro remetem aos hábitos alimentares associados às tropas e à vida rural, com ingredientes como feijão, farinha de milho e carne de porco.
Entre a produção leiteira, as riquezas do subsolo, a herança tropeira e as influências dos imigrantes, Castro reúne características que ajudam a explicar sua relevância econômica e cultural nos Campos Gerais e no Paraná.



