Falta de energia no campo ameaça a piscicultura do Paraná | aRede
PUBLICIDADE

Falta de energia no campo ameaça a piscicultura do Paraná

Oscilações de tensão e apagões na rede da Copel afetam oxigenação dos tanques, queimam equipamentos e provocam a morte de centenas de toneladas de peixes

Interrupções na rede elétrica rural paralisam aeradores e colocam em risco a produção de tilápia no Estado
Interrupções na rede elétrica rural paralisam aeradores e colocam em risco a produção de tilápia no Estado -

Publicado por Eduarda Gomes

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

A piscicultura do Paraná, líder nacional no setor, atravessa um momento crítico motivado pelas constantes quedas e pela baixa qualidade do fornecimento de energia elétrica no campo. Como a atividade depende do funcionamento contínuo de aeradores elétricos para manter a água dos tanques oxigenada, a instabilidade da rede gerida pela Copel tem obrigado produtores a recorrerem a geradores a diesel, elevando custos e colocando em risco safras inteiras. O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, alertou que a falta de oxigênio provoca a morte de animais em poucas horas e cobra soluções urgentes da concessionária.

A relevância do setor é impulsionada pela produção de tilápia, da qual o Paraná responde por quase 70% do volume nacional, somando mais de 273 mil toneladas em 2025, segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026 (Peixe BR). As exportações estaduais do pescado renderam R$ 140,0 milhões (US$ 28,0 milhões) em 2025, correspondendo à metade de toda a tilápia enviada pelo Brasil ao exterior. A atividade se concentra em municípios como Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon, além de grandes áreas de tanques em Itambaracá, Alvorada do Sul, Nova Prata do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Boa Esperança do Iguaçu.

Além da interrupção total, o fenômeno da oscilação de tensão ("pisca-pisca"), comum no final da tarde, impede a partida dos aeradores devido ao travamento de chaves de proteção e evita o acionamento automático dos geradores. O presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP, Edio Chapla, aponta que o estresse hídrico reduz o ganho de peso diário dos peixes e eleva a energia a mais de 55% do custo do lote, somando-se aos gastos com diesel, manutenção e desgaste prematuro de monitores e chaves inversoras.

Um caso emblemático ocorreu em São João do Ivaí, no Norte do Estado, onde o piscicultor Edilson Pini perdeu cerca de 450 mil peixes (230 toneladas) após uma interrupção de 23 horas iniciada em 29 de setembro. A pane do gerador decorrente das oscilações gerou um custo de reparo de R$ 20,0 mil e inviabilizou a oxigenação manual dos 15 viveiros da propriedade. A perda do plantel, avaliada em R$ 2,5 milhões para reposição, coloca em risco contratos de fornecimento de merenda escolar para 22 municípios paranaenses, além de entregas para o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Sesc e Senac.

Para a conversão de valores monetários nesta reportagem, adotou-se a cotação fixa de R$ 5,00 para cada US$ 1,00.

As informações são da Assessoria de Imprensa

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Liderança nacional sob risco: O Paraná produz quase 70% da tilápia do país (273 mil toneladas em 2025) e exportou R$ 140,0 milhões (US$ 28,0 milhões) no último ano, mas enfrenta gargalos operacionais pela instabilidade elétrica.

- Elevação de custos: A energia e o uso emergencial de geradores a diesel já representam mais de 55% dos custos de cada lote de produção de peixes.

- Prejuízo milionário no Norte do PR: Em São João do Ivaí, a falta de energia por 23 horas provocou a morte de 230 toneladas de peixes na propriedade da família Pini, resultando em um prejuízo de R$ 2,5 milhões e ameaçando contratos com 22 prefeituras e órgãos públicos.

CONTEÚDO DE MARCA

PUBLICIDADE