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Oferta de leite cresce e deve pressionar preços no 4º trimestre

Clima favorável estimula as pastagens e a captação, mas o ritmo de crescimento é mais lento do que o registrado em 2025, aponta StoneX

Produção de leite no campo é influenciada por fatores climáticos e retomada sazonal das pastagens
Produção de leite no campo é influenciada por fatores climáticos e retomada sazonal das pastagens -

Publicado por Eduarda Gomes

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A retomada sazonal da produção de leite no Brasil deve aumentar a pressão sobre os preços do mercado lácteo no quarto trimestre de 2026. A avaliação consta em um relatório trimestral de perspectivas divulgado pelo portal de notícias CNN Brasil.

Segundo a consultoria StoneX, a demanda segue resiliente, mas a maior disponibilidade de matéria-prima tende a empurrar para baixo os preços de derivados como leite UHT, muçarela e leite em pó. Durante boa parte do ano, o preço do leite pago ao produtor foi sustentado pelo bom desempenho dos derivados. Em julho e agosto, o valor ficou próximo de R$ 2,88 por litro, patamar acima do observado no mesmo período de 2025.

Em setembro, no entanto, o cenário mudou. O aumento do volume de leite disponível e derivados mais fracos passaram a pressionar o mercado spot, e a expectativa da StoneX é de que esse movimento seja repassado gradualmente aos pagamentos direcionados ao produtor ao longo do último trimestre.

O quarto trimestre é tradicionalmente o período em que a oferta nacional de leite se recupera de forma mais consistente. A produção na região Sul já vinha apresentando melhora no terceiro trimestre, e o retorno das chuvas em grande parte do restante do país favorece a disponibilidade de forragens. O inverno registrou volumes de chuva acima da média em várias regiões, o que contribui para impulsionar a produção nos últimos meses do ano.

Apesar disso, o crescimento é mais lento do que o verificado no ano anterior. A captação de leite no segundo trimestre avançou 1,0% sobre o mesmo período de 2025, desacelerando ante a alta de 10,2% registrada um ano antes. Para a StoneX, os fundamentos apontam para um balanço de oferta menos confortável do que o do ano passado.

Do lado do consumo, o desempenho é relativamente positivo em 2026. Mesmo após o forte aumento da produção em 2025, os derivados conseguiram se manter em patamares favoráveis durante boa parte do ano, sugerindo que o mercado já absorveu o volume extra, conforme aponta a consultoria. A desaceleração recente da inflação geral pode oferecer algum suporte ao consumo, embora o ambiente macroeconômico ainda exija cautela.

A intensidade da queda dos preços dependerá da capacidade da demanda de acompanhar esse aumento sazonal da oferta. Como o balanço está aparentemente mais ajustado em comparação a 2025, qualquer desvio na produção tende a provocar um impacto maior sobre o mercado.

Além disso, os fenômenos climáticos podem alterar o quadro de forma distinta em cada região. No Nordeste e no Centro-Sudeste, a incidência de menores chuvas e temperaturas mais elevadas pode reduzir a produção de leite e comprometer a oferta de forragens suplementares. No Sul, o excesso de chuva favorece as pastagens, mas amplia o risco de ocorrência de eventos extremos que afetem a captação, a infraestrutura das propriedades e a produção de alimentos.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Pressão nos preços: A retomada sazonal da oferta de leite e o enfraquecimento dos derivados tendem a reduzir os preços pagos ao produtor no 4º trimestre de 2026.

- Ritmo desacelerado: Embora o clima favorável e as chuvas estimulem as pastagens, o avanço da captação é mais lento do que o registrado em 2025.

- Fatores regionais: O impacto do clima varia pelo país, com riscos de seca em algumas regiões e excesso de chuvas no Sul.

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