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Indústria de óleos vegetais investe R$ 7,65 bi para expandir atuação

Impulsionado pelo avanço da demanda por farelo de soja e biodiesel, setor registra crescimento de 13% no processamento e projeta criação de mais de 13 mil empregos

Aumento da demanda por óleo de soja para biodiesel direcionou o crescimento da capacidade industrial do setor
Aumento da demanda por óleo de soja para biodiesel direcionou o crescimento da capacidade industrial do setor -

Publicado por Eduarda Gomes

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A demanda aquecida por farelo de soja e biodiesel impulsionou significativamente o desempenho do setor de óleos vegetais no Brasil ao longo de 2026. Dados de levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) mostram que a capacidade total de processamento de oleaginosas no país atingiu 86,4 milhões de toneladas neste ano, o que representa um crescimento de 13,1% em relação ao registrado em 2025. Acompanhando a expansão do consumo e da procura do mercado, os investimentos previstos para a ampliação de unidades existentes e implantação de novos projetos somam aproximadamente R$ 7,65 bilhões para os próximos 12 meses. O valor supera o ciclo anterior, quando a projeção de aportes para 2025 era de R$ 5,76 bilhões.

Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove, explicou que a busca por combustíveis renováveis tem sido o motor desse crescimento. Segundo o executivo, nos últimos anos a demanda por óleo de soja para a produção de biodiesel direcionou o crescimento da capacidade das indústrias, uma vez que os biocombustíveis ganharam um papel importante na questão energética.

O aumento do esmagamento de soja para obtenção de óleo gerou, como consequência direta, um volume maior de farelo. A procura pelo insumo absorveu a oferta crescente, registrando forte desempenho nas vendas internas e, em ritmo ainda mais acelerado, nas exportações. Conforme as informações divulgadas no portal Valor Econômico, o executivo projeta que, no ritmo atual de embarques, o Brasil tem potencial para superar a Argentina em breve e reassumir a liderança mundial nas exportações do derivado.

ESTRUTURA INDUSTRIAL E AVANÇO REGIONAL

A pesquisa da Abiove detalha a expansão na infraestrutura do setor no país. O número de companhias ativas no processamento de soja subiu de 75 para 89, o que representa um avanço de 18,7%. No mesmo período, o total de unidades operacionais passou de 131 para 148, registrando um crescimento de 13%. Com essa estrutura em funcionamento, a capacidade diária de processamento das plantas ativas atingiu 255.544 toneladas, avanço de 16,2%.

Além do crescimento das plantas em operação, o número de usinas paradas caiu pela metade, recuando de 12 para seis. O levantamento registrou ainda três plantas em fase de construção, frente a seis no levantamento anterior. Considerando toda a estrutura nacional, a capacidade total atingiu 261.868 toneladas por dia, alta de 13,1%.

O Centro-Oeste permanece no topo da infraestrutura do setor, concentrando 42,9% de toda a capacidade nacional de processamento ao elevar seu volume de 102.705 toneladas diárias em 2025 para 112.288 toneladas em 2026. No recorte estadual, Mato Grosso lidera o país, somando 56.559 toneladas por dia, o equivalente a 21,6% do total nacional. Segundo a entidade, os R$ 7,65 bilhões em investimentos mapeados junto a empresas e fatos relevantes do mercado têm potencial para adicionar 7,4 milhões de toneladas anuais à capacidade de processamento, além de gerar aproximadamente 13,4 mil novos postos de trabalho.

CRONOGRAMA DE MISTURA E SEGMENTO DE REFINO

O fluxo de investimentos mantém trajetória ascendente mesmo diante de reajustes no cronograma oficial do biodiesel. A mistura obrigatória ao diesel fóssil encontra-se atualmente em 15% (B15), enquanto o planejamento do governo previa alcançar 16% (B16) em março deste ano.

Apesar da imprevisibilidade regulatória, a indústria tem atuado para garantir o avanço do cronograma. O setor programa concluir em fevereiro de 2027 os testes práticos para a adoção do B20. Paralelamente, estuda-se a ampliação de vendas diretas do B100 (100% biodiesel) para uso voluntário, além do fornecimento para combustíveis marítimos, mantendo a expectativa de implementar o B17 já em março de 2027.

No segmento de refino de óleos vegetais, o levantamento indicou um total de 39 empresas operando no país em 2026, avanço de 2,6%, com o número de fábricas subindo de 66 para 67. As plantas ativas permaneceram em 60 unidades, ao passo que as inativas passaram de seis para sete. A capacidade diária de refino alcançou 26.425 toneladas, alta de 2,5%, totalizando cerca de 8,7 milhões de toneladas por ano. Por sua vez, a capacidade total de envase ficou estável em 14.811 toneladas ao dia, montante que equivale a 4,9 milhões de toneladas anuais.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Aumento de Capacidade e Investimentos: A capacidade de processamento de óleos vegetais atingiu 86,4 milhões de toneladas em 2026 (+13,1%), impulsionada por aportes de R$ 7,65 bilhões que devem criar 13,4 mil novos empregos.

- Liderança do Centro-Oeste e Mato Grosso: A região Centro-Oeste responde por 42,9% do processamento nacional, com Mato Grosso liderando isoladamente entre os estados (21,6% do total).

- Perspectivas do Biodiesel e Exportações: Impulsionado pelo biodiesel e pela alta demanda internacional por farelo, o setor projeta superar a Argentina nas exportações globais do insumo e prepara o mercado para a adoção do B17 em 2027.

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