Cota chinesa esgotada não deve baixar o preço da carne no Brasil | aRede
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Cota chinesa esgotada não deve baixar o preço da carne no Brasil

Menor oferta de animais, retomada de embarques e consumo aquecido no fim de ano afastam perspectiva de queda nas prateleiras

Consumo brasileiro de carne costuma ganhar força no último trimestre do ano
Consumo brasileiro de carne costuma ganhar força no último trimestre do ano -

Publicado por Eduarda Gomes

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O anúncio da Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) sobre o atingimento de 100% da cota de salvaguarda de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina prevista para 2026 levantou dúvidas sobre uma eventual queda nos preços da proteína no mercado brasileiro. Embora o esgotamento do limite crie o potencial de elevar a oferta interna, dado que novas remessas enviadas ao país asiático este ano passarão a pagar sobretaxa de 55%, a tendência não deve se traduzir em alívio para o consumidor doméstico, segundo análise da Datagro Pecuária divulgada pelo Globo Rural.

De acordo com João Figueiredo, analista da consultoria, o movimento do mercado pode caminhar na direção oposta. A combinação entre menor oferta de gado para abate, a preparação do setor para a próxima janela de compras chinesas e o aumento sazonal do consumo no Brasil no último trimestre tende a sustentar os preços elevados. O analista esclarece que a cota foi virtualmente preenchida entre o fim de julho e o início de agosto, considerando os prazos de transporte e liberação alfandegária, fazendo com que a indústria já direcione os novos embarques de outubro e novembro para internalização a partir de 1º de janeiro de 2027.

Essa dinâmica já reflete no preço da arroba do boi gordo, que no início de outubro atingiu o patamar de R$ 365,40, próximo do recorde histórico de R$ 367 registrado em maio de 2026. A expectativa do setor é que o pico do volume de compras direcionado ao mercado chinês ocorra em meados de novembro, embora o valor final pago pelos importadores asiáticos ainda vá ditar a intensidade da valorização.

Além da pressão do comércio exterior, a Pecuária brasileira enfrenta um ciclo de restrição na oferta de animais para o abate. Após períodos seguidos de forte abate de fêmeas, o setor entrou em fase de retenção de matrizes, reduzindo a disponibilidade de gado. As projeções apontam uma queda de 5,3% na oferta de animais em 2026 e uma redução adicional de 8% em 2027, confirmando a entrada do mercado em um ciclo de alta de preços por restrição de oferta.

O abastecimento do mercado interno também sofre concorrência direta do câmbio e da concorrência pelas peças. Conforme a indústria frigorífica intensifica os envios para o exterior, o mercado doméstico fica menos abastecido. O analista ressalta ainda o impacto do dólar na formação de preços e recorda que oscilações anteriores na cotação da arroba já causaram forte retração no consumo da população. Unida ao aquecimento tradicional das vendas no fim de ano, a conjuntura limita qualquer margem para desvalorização da carne no país.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- O esgotamento da cota de exportação para a China não reduzirá os preços da carne bovina no Brasil devido à retenção de oferta e ao aquecimento do consumo no fim de ano.

- A indústria já prepara novos embarques em outubro e novembro para liberação na China a partir de janeiro de 2027, mantendo a arroba do boi gordo próxima de recordes históricos (R$ 365,40).

- A oferta de gado no Brasil deve recuar 5,3% em 2026 e 8% em 2027, consolidando um ciclo de alta no setor pecuário.

CONTEÚDO DE MARCA

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