Produção pecuária no Brasil é a menor em três anos, aponta IBGE
Valor total da produção atingiu recorde de R$ 141,2 bilhões em 2025, apesar da segunda queda anual consecutiva no rebanho bovino do país

O valor de produção da pecuária atingiu R$ 141,2 bilhões em 2025, estabelecendo o recorde da série e registrando uma alta de 6,2% na comparação com 2024, segundo dados da Pesquisa da Produção da Pecuária Municipal, divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Do montante total, os produtos de origem animal responderam por R$ 128 bilhões, apresentando um crescimento de 5,6%. A aquicultura somou R$ 13,2 bilhões, o que representa um avanço de 12,5%. O leite de vaca representou a maior parcela do valor total, com R$ 89,5 bilhões (63,4%). Na sequência, destacaram-se os ovos de galinha, com R$ 36,4 bilhões (25,8%), e o mel, com R$ 1,2 bilhão (0,9%).
REDUÇÃO DO REBANHO BOVINHO
O rebanho bovino brasileiro apresentou uma queda de 1,7% em 2025, recuando para 234,3 milhões de cabeças. Trata-se do segundo recuo anual consecutivo e do menor efetivo registrado desde 2022, ano em que o país somava 234,9 milhões de bovinos. Segundo o IBGE, esse encolhimento do plantel está relacionado ao aumento dos abates nos últimos quatro anos, especialmente o abate de fêmeas.
Em termos regionais, o Centro-Oeste concentrou o maior rebanho nacional, acumulando 72,2 milhões de cabeças (30,8% do total). Apesar da liderança, a região teve uma queda de 3,7% no efetivo, marcando sua terceira redução consecutiva. O Norte registrou 63,4 milhões de bovinos (queda de 1,8% ante 2024), o Sudeste recuou 1,0% (atingindo 37,3 milhões) e o Sul teve queda de 1,7% (fechando em 24,1 milhões). Por outro lado, o Nordeste figurou como a única região a expandir seu plantel em 2025, apresentando alta de 2,2% e alcançando 37,3 milhões de cabeças.
No ranking municipal, São Félix do Xingu (PA) manteve a primeira posição do país, abrigando 2,7 milhões de bovinos (1,2% do total nacional). A lista dos maiores produtores é completada por Corumbá (MS), com 2,2 milhões; Porto Velho (RO), com 1,7 milhão; Cáceres (MT), com 1,4 milhão; e Marabá (PA), com 1,3 milhão de cabeças.
PRODUÇÃO DE LEITE BATE RECORDE
A produção nacional de leite de vaca atingiu a marca de 36,7 bilhões de litros em 2025, registrando uma alta de 2,7% na comparação anual e estabelecendo o terceiro recorde consecutivo. Esse desempenho histórico ocorreu simultaneamente a uma redução de 2,7% no número de vacas ordenhadas, que totalizou 14,7 milhões de animais — o menor quantitativo da série histórica do IBGE, iniciada em 1974.
Contensando o menor rebanho produtivo, a produtividade média avançou 5,6%, chegando a 2.498,7 litros por vaca ao ano, valor também recorde. De acordo com o instituto, os ganhos de eficiência resultam da combinação de condições climáticas favoráveis, investimentos contínuos em genética e manejo, além de uma reorganização da base produtiva.
Na divisão regional, o Sul assumiu a liderança na produção de leite, totalizando 12,5 bilhões de litros (34% do volume nacional), uma alta de 4,4%. O Sudeste ocupou a segunda posição ao produzir 12,3 bilhões de litros (33,5% do total e avanço de 2,3%). O Nordeste figurou em terceiro lugar, com 6,6 bilhões de litros (alta de 2,7%). Já o Centro-Oeste registrou 3,6 bilhões de litros (queda de 1%), enquanto a região Norte somou 1,7 bilhão de litros (crescimento de 1,4%).
Entre os municípios, Castro (PR) foi o principal destaque na produção leiteira, alcançando 532,8 milhões de litros — crescimento de 10% em relação a 2024. Completam as primeiras posições os municípios de Carambeí (PR), com 306,8 milhões de litros, e Patos de Minas (MG), com 249,2 milhões.
SETOR DE GALINÁCEOS E OVOS
O efetivo de galináceos alcançou 1,6 bilhão de cabeças em 2025, um aumento de 1,6% na comparação com o ano anterior, marcando um novo recorde. O número de galinhas voltadas à produção de ovos avançou 5,8%, somando 293,3 milhões de animais, o maior volume já registrado.
Consequentemente, a produção de ovos atingiu o recorde de 5,7 bilhões de dúzias, sendo este o maior volume já aferido desde o início da trajetória de crescimento iniciada pelo IBGE em 1999. O valor total dessa produção fechou em R$ 36,4 bilhões, o que corresponde a uma alta de 13,9%.
O Sudeste liderou a atividade, somando 2,3 bilhões de dúzias de ovos (39,3% do total do país). O Sul produziu 1,3 bilhão de dúzias, enquanto o Nordeste contabilizou 1,1 bilhão. O município de Santa Maria de Jetibá (ES) liderou tanto a produção de ovos quanto o efetivo de galináceos, abrigando 18,4 milhões desses animais.
PANORAMA DE CAPRINOS, OVINOS E SUÍNOS
O rebanho caprino cresceu 1,2% em 2025, atingindo 13,5 milhões de animais, ao passo que o rebanho ovino teve alta de 1,6%, alcançando 22,3 milhões de cabeças. Ambos os resultados configuram recordes da série histórica. A região Nordeste detém a ampla maioria desses rebanhos, concentrando 96,6% do plantel de caprinos e 75,8% do de ovinos do país.
Em contrapartida, a suinocultura manteve estabilidade, somando 44 milhões de animais no efetivo total. O rebanho de fêmeas reprodutoras também permaneceu estável em cerca de 5 milhões de cabeças. No ranking municipal, Toledo (PR) manteve a liderança na criação de suínos, acumulando 935 mil animais. Na sequência surgem Uberlândia (MG), com 588 mil, e Concórdia (SC), com 519,4 mil suínos.
RECORDE NA PRODUÇÃO DE MEL
A apicultura brasileira registrou um avanço de 4,5% na produção de mel em 2025, chegando a 71,3 mil toneladas, o maior volume da série histórica. O segmento vem anotando recordes anuais sucessivos desde 2018.
A região Sul retornou ao posto de principal polo produtor regional, respondendo por 37,1% do total nacional, posição que não ocupava desde 2022. A produção sulista teve uma expansão de 18,8% frente a 2024. O Rio Grande do Sul foi o maior produtor entre os estados (15,3% do total), seguido de perto pelo Paraná (15%). O Nordeste também representou 37,1% da produção apícola do país.
Os cinco maiores municípios produtores de mel em 2025 foram Santa Luzia do Paruá (MA), Arapoti (PR), Boa Esperança do Sul (SP), São Raimundo Nonato (PI) e Ortigueira (PR).
As informações são da CNN Brasil.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Valor de produção recorde: O setor pecuário movimentou R$ 141,2 bilhões em 2025 (alta de 6,2%), impulsionado principalmente pelo leite de vaca e ovos de galinha.
- Queda do rebanho bovino: O plantel bovino recuou 1,7%, somando 234,3 milhões de cabeças, o menor número desde 2022, reflexo do aumento do abate de fêmeas.
- Ganhos de produtividade e recordes: A produção de leite (36,7 bilhões de litros), ovos (5,7 bilhões de dúzias) e mel (71,3 mil toneladas) atingiu patamares recordes, impulsionada por avanços em tecnologia e manejo.



