Plantio de verão avança no Paraná, mas chuvas prejudicam lavouras
Soja chega a 28% da área plantada e milho de primeira safra alcança 72%; excesso de umidade ainda interfere na colheita dos cultivos de inverno

O plantio das culturas de verão avançou no Paraná na última semana, mas o excesso de umidade continua interferindo nas atividades agrícolas. O cenário consta no Boletim de Condições de Tempo e Cultivo, do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta terça-feira (29), referente ao período de 22 a 28 de setembro.
O principal avanço ocorreu na soja. A área plantada da primeira safra 2026/27 chegou a 28%, ante 15% no levantamento anterior. A evolução ocorreu após a abertura de períodos de tempo mais firme, embora as chuvas tenham voltado a interromper temporariamente a semeadura em algumas regiões.
Segundo o Deral, as lavouras de soja já implantadas apresentam desenvolvimento inicial variável. Em algumas áreas houve atraso na germinação e desaceleração do desenvolvimento devido às baixas temperaturas e à predominância de dias nublados. Em outras, o estabelecimento foi considerado bom. O boletim também registra danos pontuais provocados por granizo e maior proliferação de plantas daninhas favorecida pela umidade.
O milho da primeira safra também manteve ritmo de avanço. A área plantada chegou a 72%, contra 56% no boletim anterior. Do total já implantado, 26% está em fase de germinação e 74% em desenvolvimento vegetativo.
O feijão da primeira safra alcançou 39% da área prevista, ante 18% na semana anterior. Já a batata de primeira safra chegou a 56% da área plantada, contra 47% no levantamento anterior. As lavouras de batata apresentam bom vigor vegetativo, especialmente onde os solos são bem drenados e possuem maior teor de matéria orgânica.
As condições de tempo, no entanto, continuam interferindo na reta final da safra 2025/26. A colheita do trigo chegou a 62%, ante 46% na semana anterior, mas permanece condicionada à ocorrência de períodos de tempo seco e ao teor de umidade dos grãos. O Deral relata prejuízos à qualidade e ao rendimento provocados pelo excesso de chuvas durante o ciclo e no período de colheita.
A cevada também avançou na colheita, passando de 8% para 13% da área. A redução das chuvas favoreceu a retomada das operações em algumas regiões, mas o excesso de umidade ao longo do ciclo contribuiu para o aumento da ocorrência de doenças. Os ventos provocaram acamamento em determinadas áreas, com possíveis impactos sobre a produtividade ainda a serem avaliados durante a colheita.
O milho de segunda safra, por sua vez, está próximo do encerramento da colheita. O levantamento aponta 99% da área colhida, contra 98% no boletim anterior. No Oeste do Paraná, a operação está praticamente concluída, enquanto outras regiões ainda dependem de condições adequadas de umidade dos grãos.
Nas hortaliças, eventos climáticos severos provocaram danos em alguns municípios, atingindo lavouras e estruturas de produção, especialmente estufas. As chuvas também prejudicaram culturas de inverno em final de ciclo, como alface, camomila e repolho, aumentando o risco de perda do ponto ideal de colheita, redução da qualidade comercial e descarte da produção.
Já as pastagens apresentam recuperação após as chuvas recentes, com boa disponibilidade de massa verde em diferentes regiões, favorecendo o manejo e a alimentação dos rebanhos.
O boletim mostra, portanto, continuidade de um cenário que vem sendo acompanhado ao longo de setembro. A permanência de períodos de chuva e de alta umidade continua determinando o ritmo das operações e a qualidade das safras no campo.
Com supervisão: Mário Martins.



