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El Niño traz risco para produtividade de milho e arroz em 2027, diz BC

O fenômeno climático deve ter efeitos mais disseminados sobre algumas culturas, enquanto impactos sobre a soja tendem a se compensar entre regiões

BC vê risco para safra e repique na inflação
BC vê risco para safra e repique na inflação -

Publicado por Lucas Veloso

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O BC (Banco Central) estima que o El Niño pode trazer efeitos negativos para a produtividade agrícola brasileira em 2027, com impactos mais disseminados sobre culturas como milho, algodão e arroz. Para a soja, o efeito esperado é mais heterogêneo entre as regiões e tende a se compensar parcialmente no resultado nacional.

A avaliação consta no RPM (Relatório de Política Monetária) de setembro, divulgado nesta quinta-feira (24) - com informações de CNN Brasil.

A autoridade monetária analisou os efeitos dos fenômenos El Niño e La Niña sobre a produtividade das principais lavouras brasileiras, considerando diferentes culturas e estados.

Segundo o levantamento, os episódios de El Niño estão associados a produtividades abaixo da tendência histórica para milho, algodão e arroz na maioria das unidades da federação analisadas.

No caso da soja, os resultados variam entre os estados. Há associação com ganhos de produtividade no Sul, enquanto os efeitos são negativos em áreas do Matopiba, especialmente no Piauí e no Maranhão.

Milho concentra preocupação

Entre as culturas analisadas, o milho aparece entre as que apresentam maior risco. O BC aponta que os efeitos negativos do El Niño são mais relevantes na segunda safra, que hoje representa a maior parte da produção nacional.

Considerando as projeções atuais para o fenômeno climático, o estudo estima um impacto negativo de magnitude elevada sobre a produtividade do milho em 2027.

O próprio BC, no entanto, ressalta que o resultado deve ser interpretado como um risco para a produtividade, e não como uma previsão para a safra.

Arroz também preocupa

No arroz, o efeito estimado do El Niño também é negativo. O resultado ganha relevância porque o Rio Grande do Sul responde por mais da metade da área plantada da cultura no país.

O estudo aponta que, no estado, o coeficiente associado ao El Niño é negativo, de magnitude relevante e estatisticamente significativo. As projeções atuais para o fenômeno são compatíveis com um efeito adverso sobre a produtividade gaúcha em 2027.

Efeito sobre inflação

Além do impacto sobre a produção, o fenômeno climático entra no cenário de inflação do BC. O relatório aponta que as expectativas para 2027 subiram de 4,10% para 4,30%, com uma contribuição importante da alimentação no domicílio, cuja projeção passou de 5,01% para 5,67%.

Segundo o BC, a alta das expectativas para 2027 ficou mais concentrada em alimentação no domicílio, possivelmente refletindo a incorporação gradual dos impactos esperados do El Niño sobre os preços.

O relatório também mostra que os analistas consultados pelo BC já incorporaram parte desse efeito nas projeções de inflação. Na mediana das respostas, o impacto estimado do El Niño é de 0,2 ponto percentual sobre a inflação de 2026 e de 0,3 ponto percentual em 2027.

Apesar dos riscos, o Banco Central ressalta que os resultados do estudo precisam ser analisados com cautela.

A quantidade de episódios de El Niño observados no período analisado, de 1990 a 2026, é limitada, e outros fatores explicam parcela relevante das oscilações de produtividade.

CONTEÚDO DE MARCA

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