Produção de café no Paraná deve cair 3,3% na safra de 2026
Levantamento da Conab estima colheita de 724,1 mil sacas no estado; clima adverso, pragas e aumento dos custos afetaram o desempenho das lavouras

A produção de café do Paraná deve alcançar 724,1 mil sacas na safra 2026. O volume representa uma redução de 3,3% em relação à safra anterior. As informações são do 3º Levantamento de Café - Safra 2026, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (24).
O cultivo paranaense é predominantemente de café arábica. De acordo com a Conab, a queda na produção está relacionada principalmente às baixas precipitações e às altas temperaturas registradas durante o ciclo, especialmente nas fases de floração e enchimento dos grãos. A bienalidade negativa da cultura no estado também contribuiu para o resultado.
A colheita avançou no último trimestre. Mesmo com episódios de chuva e ocorrência de geadas em algumas regiões produtoras, mais de 70% da área total havia sido colhida entre o fim de julho e o início de agosto.
Além das condições climáticas, a área cultivada também apresenta redução em relação à temporada passada. Entre os fatores apontados pela Conab estão a pressão de pragas, principalmente da broca-do-café, a baixa oferta de mão de obra e o aumento dos preços dos insumos agrícolas, especialmente dos fertilizantes. Segundo o levantamento, esses fatores levaram alguns produtores a abandonar a cultura.
O ciclo também foi marcado por dificuldades no desenvolvimento das plantas. O início da fase reprodutiva apresentou boas condições, com chuvas e temperaturas mais amenas. No entanto, entre março e abril de 2026, durante a fase de granação, as chuvas ficaram abaixo dos níveis considerados satisfatórios e as temperaturas aumentaram.
A situação fitossanitária também exigiu maior atenção dos produtores. A broca-do-café, identificada pela Conab como um dos principais desafios da safra, provocou perdas nas lavouras e contribuiu para a redução do rendimento médio dos grãos.
Apesar da redução da área, o levantamento também identifica uma mudança no manejo em parte das propriedades, com plantios mais adensados e menor espaçamento entre as plantas. A estratégia aumenta a quantidade de plantas por área e pode favorecer a eficiência e a produtividade, mas exige maior cuidado e utilização de insumos.
Com supervisão: Mário Martins.



