Valor de produção da silvicultura e da extração vegetal cresce 6,7% e soma R$ 47,9 bilhões
Valor da produção da silvicultura continua superando o da extração vegetal, o que ocorre desde o ano de 1998

O valor da produção florestal atingiu em 2025 o recorde de R$ 47,9 bilhões, com alta de 6,7% em relação ao ano anterior e produção em 4.889 municípios. O valor da produção da silvicultura continua superando o da extração vegetal, o que ocorre desde o ano de 1998. A silvicultura manteve a trajetória de crescimento dos últimos anos ao atingir o valor de R$ 41 bilhões, alta de 8,6% em relação ao alcançado em 2024.
Já a extração vegetal apresentou uma redução de 3,1% em relação ao ano anterior (2024), quando foi verificado um aumento de 13,0% em comparação a 2023. Assim, o valor de produção alcançado em 2025 com o extrativismo totalizou R$ 6,9 bilhões. Os dados são da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2025, divulgada pelo IBGE.
Os resultados também reforçam a tendência de crescimento da silvicultura no valor de produção do setor em relação ao extrativismo vegetal. Em 2025, a silvicultura aumentou sua participação no valor da produção primária florestal, representando 85,6%, frente ao extrativismo vegetal, que passou a responder por 14,4% desse total.
Em 2025, houve acréscimo de 4,8% nas áreas de florestas plantadas no país, ou mais 498,3 mil hectares. A área estimada de florestas plantadas totalizou 10,4 milhões de hectares, dos quais, 8,2 milhões são de eucalipto (78,6%), usado predominantemente na indústria de papel e celulose. Juntos, eucalipto e pinus foram responsáveis pela cobertura de 96,5% das áreas de silvicultura para fins comerciais no país.
Entre as regiões, as áreas de florestas plantadas variaram positivamente no Centro-Oeste (22,3%), Sul (0,6%), Norte (6,1%) e Nordeste (5,8%) em 2025. Houve redução de 1,1% na Região Sudeste.
Entre os estados com maior valor de produção florestal, o predomínio é de silvicultura, exceto o Pará, onde o tipo de exploração predominante é o extrativismo vegetal; o estado, que em 2022 voltou a ultrapassar Mato Grosso, permanece como maior produtor de madeira em tora em 2025, com 4,2 milhões de metros cúbicos, apesar da redução de 6,5% na extração desse produto, enquanto no Mato Grosso a queda foi maior (15,4%).
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços - MDIC, a celulose ocupou o 8º lugar no ranking das exportações totais do País em 2025 (2,9%), com 22,2 milhões de toneladas exportadas, que geraram US$ 10,2 bilhões. Apesar do aumento na quantidade exportada, os preços retrocederam, gerando uma redução de 3,9% no valor total, frente ao ano anterior. A queda nos preços da celulose foi impulsionada pelo excesso de oferta global, pela desaceleração do consumo chinês e consequente aumento dos estoques, bem como por questões cambiais como a valorização do real.
O setor da madeira em tora para papel e celulose permanece com tendência de alta, atingindo o valor de R$ 17,6 bilhões, crescimento de 16,3% no valor da produção, após o crescimento de 19,1% registrado em 2023 e 29,9% em 2024.
A participação dos produtos madeireiros segue preponderante no setor da silvicultura, representando 98,1% do valor da produção da silvicultura. O conjunto dos produtos madeireiros com origem em áreas plantadas para fins comerciais registrou aumento de 8,4% no valor da produção, enquanto naqueles decorrentes da extração vegetal houve redução de 9,6%. Esses resultados ratificam a tendência de crescimento dos produtos madeireiros oriundos da silvicultura, em detrimento da extração madeireira originária das matas nativas.
Entre os produtos madeireiros da silvicultura, houve registro de crescimento do valor da produção nos grupos madeira destinada à fabricação de papel e celulose (16,3%), carvão vegetal (4,6%) e lenha (12,4%), sendo que apenas o grupo madeira em tora para outras finalidades apresentou redução de 3,1%.
A extração vegetal registrou aumento no valor gerado em 2023 de 0,3%, em 2024 de 14,4% e, agora em 2025, apresentou queda de 3,1% totalizando R$ 6,9 bilhões. Diferentemente da silvicultura, em que os produtos madeireiros respondem pela quase totalidade do valor de produção (98,1%), na extração vegetal esse grupo representa 61,6%, seguido pelos alimentícios (31,7%), ceras (3,9%), oleaginosos (2,0%) e outros (0,8%).
Na silvicultura, Minas Gerais tem o maior valor de produção: R$ 9,2 bilhões
Minas Gerais segue apresentando o maior valor da produção da silvicultura, com R$ 9,2 bilhões, o que representa 22,5% do valor apurado pelo setor. Essa Unidade da Federação é também a maior produtora de carvão vegetal, muito utilizado no setor siderúrgico, respondendo por 84,6% do volume nacional. Houve decréscimo de 4,2% na quantidade e um aumento de 7,2% em valor da produção a preços correntes.
O Paraná figura na sequência, ao registrar R$ 6,9 bilhões em valor de produção da silvicultura, um incremento de 6,5%, sendo que o estado é o maior produtor de madeira em tora para outras finalidades, e é responsável por 34,9% da produção nacional. A produção reduziu 2,3%, ficando em 20,7 milhões de metros cúbicos, e o valor da produção subiu 1,4%, chegando a R$ 3,2 bilhões em termos nominais.
O Estado de Minas Gerais também segue registrando a maior área coberta com espécies florestais plantadas do País, com 2,2 milhões de hectares, o que representou um crescimento de 0,7% em relação ao ano anterior, sendo sua quase totalidade ocupada por eucalipto (97,2%). Mato Grosso do Sul aumentou sua área com silvicultura em 30,3%, possuindo a segunda maior área de florestas plantadas, com 1,9 milhão de hectares, dos quais 99,7% são plantios de eucalipto. São Paulo e Paraná registraram uma área de 1,2 milhão de hectares cada, com reduções de 1,7% e 0,3%, respectivamente.
Entre os 10 Municípios com as maiores áreas de florestas plantadas do Brasil, sete estão em Mato Grosso do Sul e três em Minas Gerais.
Sete Municípios sul-mato-grossenses ocupam as primeiras posições de área plantada no País, sendo destaques Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, com 537,0 mil hectares (+40,0%) e 348,1 mil hectares (+15,3%), respectivamente.
Buritizeiro é o município com maior área plantada com florestas em Minas Gerais. Esses dois últimos Municípios fazem parte de áreas de influência de complexos industriais voltados à fabricação de papel e celulose.
Paraná lidera produção nacional de lenha da silvicultura
Com uma quantidade estimada de 14,4 milhões de metros cúbicos, o que corresponde a 26,1% do total nacional, o Paraná também foi destaque na produção de lenha com origem em florestas plantadas. O Rio Grande do Sul foi o segundo maior produtor de lenha, atingindo 11,1 milhões de metros cúbicos, 20,2% do total nacional. A Região Sul responde por 61,1% da produção nacional de lenha.
Três Lagoas (MS) é o município de maior valor de produção na silvicultura
O Município de Três Lagoas (MS), com aumento de 216,3%, passou a ocupar a liderança no ranking de valor da produção da silvicultura, alcançando um total de R$ 1,8 bilhão em 2025. O município, que é grande produtor de madeira em tora para papel e celulose, aumentou o volume de produção em 40,5%, gerando um incremento de 218,9% no valor de produção, que atingiu R$ 1,8 bilhão. Quanto à madeira em tora para outras finalidades, ocorreu uma redução de 6,4% no valor da produção. O carvão vegetal apresentou um aumento de 1328,1% e a lenha um decréscimo de 14,8% na quantidade produzida.
Ribas do Rio Pardo (MS) passou de sexto para segundo Município no ranking de valor da produção da silvicultura com R$ 1,0 bilhão, sendo destaque na produção de madeira em tora para papel e celulose, com 4,9 milhões de m3, gerando R$ 903,7 milhões, um crescimento de 180,8% e que corresponde a 90,3% do valor da produção silvícola do Município.
General Carneiro (PR), que em 2024 ocupava o primeiro lugar no ranking, este ano se coloca como terceiro maior Município em valor da produção da silvicultura, gerando R$ 718,3 milhões, sendo destaque na produção de madeira em tora para outras finalidades, com 2,7 milhões de m3, mesma quantidade do ano anterior, porém que geraram 447,0 milhões de reais, um incremento de 6,3%. O Município também se destacou na produção de madeira em tora para papel e celulose, gerando R$ 207,0 milhões e na produção de lenha com R$ 15,8 milhões.
Extração vegetal reduz 3,1% e gera R$ 6,9 bilhões em valor de produção em 2025
Em 2025, o valor da produção obtido por meio da extração vegetal apresentou uma redução de 3,1%, totalizando R$ 6,9 bilhões, diferente do ano anterior, quando foi verificado um aumento de 13,0% em relação a 2023. Dos grupos de produtos que compõem a exploração extrativista na pesquisa, foi registrada redução no valor da produção nos grupos madeireiros (9,6%), aromáticos (15,2%), borrachas (11,1%), fibras (45,5%) e tanantes (1,2%).
O grupo dos produtos madeireiros, que teve a maior participação no valor da produção do extrativismo (61,6%), registrou uma redução de 9,6% frente ao ano anterior, depois de um aumento de 15,4% em 2024. Até 2020, a exploração extrativista de madeira vinha perdendo espaço no País, sendo gradativamente substituída pela originada em florestas cultivadas. Entretanto, em 2021, houve um grande aumento influenciado pela produção de madeira em tora. Na pesquisa atual, a redução foi provocada pela queda na produção de madeira em tora, que recuou 15,3%.
Mato Grosso e Pará responderam por 60,7% da quantidade total extraída de madeira em tora, representando 77,0% do valor de produção desse produto, nacionalmente. O Pará, que em 2022 voltou a ultrapassar Mato Grosso, permanece como maior produtor de madeira em tora em 2025, com 4,2 milhões de metros cúbicos, apesar da redução de 6,5% na extração desse produto, enquanto no Mato Grosso a queda foi maior (15,4%).
Açaí e erva-mate mantêm maior valor de produção entre os não madeireiros
Em 2025, a soma do valor da produção dos produtos não madeireiros registrou aumento de 9,6%, totalizando R$ 2,6 bilhões. O grupo de produtos alimentícios, o maior entre os produtos não madeireiros da extração vegetal, apresentou aumento do valor da produção (9,4%), totalizando R$ 2,2 bilhões, o que representou 82,8% do valor de produção gerado pelo grupo do extrativismo não madeireiro.
O açaí amazônico é coletado de uma palmeira nativa regional, tendo 94,4% de sua extração concentrada na Região Norte do país. Em 2025, essa produção foi de 251,0 mil toneladas, 1,4% acima da obtida no ano anterior. Em termos de valor nominal, apresentou aumento de 15,3%, totalizando R$ 1,1 bilhão. O Pará registrou a maior produção de açaí, com 167,4 mil toneladas, o que representa 66,7% do total nacional. Com uma redução de 0,7% na quantidade e aumento de 12,8% no valor da produção, essa Unidade da Federação alcançou R$ 838,6 milhões.
No ranking dos 10 Municípios que registraram os maiores volumes em 2025, sete são paraenses, sendo que o Município de Limoeiro do Ajuru segue ocupando a posição de maior produtor nacional de açaí extrativo, respondendo, sozinho, por 19,5% do total nacional, apesar da redução de 2,0% em relação a 2024.
A extração de erva-mate, que se concentra na Região Sul, gerou o segundo maior valor da produção entre os produtos não madeireiros, com R$ 562,3 milhões, registrando redução de 2,8% na comparação com 2024. A produção foi de 420,5 mil toneladas, com aumento de 0,7% frente ao ano anterior. No Paraná, que concentra 88,4% da produção nacional, encontram-se os 8 municípios que obtiveram as maiores produções de erva-mate em 2025, destacando-se São Mateus do Sul como a de maior volume extraído, com 14,9% do total nacional, uma redução de 3,8% em relação ao ano anterior.
Sobre a pesquisa
A PEVS 2025 traz informações sobre área, quantidade produzida e valor da produção a partir da exploração de florestas plantadas (silvicultura) e dos recursos vegetais naturais (extrativismo vegetal). A pesquisa constitui a principal fonte de estatísticas sobre o acompanhamento sistemático da exploração dos recursos florestais em todo o Território Nacional.
Em 2025, foi encerrada a série de alguns produtos que perderam a importância econômica ao longo dos anos como, ipecacuanha, caucho, hevea látex líquido, barbatimão, balata, sorva, maçaranduba e oiticica. Em contrapartida, outros produtos passaram a ser divulgados no grupo dos alimentícios: baru, buriti, cajá, cupuaçu, juçara, macaúba, pupunha e tucum. No grupo dos oleaginosos, foram incorporados a andiroba e o murumuru. Na silvicultura, alguns produtos que eram divulgados de forma agregada, passaram a ter destaque, sendo o caso da teca, da acácia negra, do mogno africano e do cedro australiano.
Com informações de: Agência IBGE Notícias.



