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Alta nas exportações impulsiona investimentos no Porto de Paranaguá

Operadoras do setor logístico expandem capacidade e infraestrutura na região Sul do país

Infraestrutura logística e operadoras estão em expansão nos portos do Sul
Infraestrutura logística e operadoras estão em expansão nos portos do Sul -

Publicado por Eduarda Gomes

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O crescimento acelerado nos volumes de exportação do agronegócio brasileiro, impulsionado principalmente pelo envio de carnes e derivados de soja, vem promovendo um amplo processo de expansão nas estruturas de logística portuária da Região Sul. O cenário promissor para o escoamento de cargas tem fundamentado planos de aportes bilionários por parte das empresas administradoras, ainda que o setor enfrente gargalos estruturais no transporte marítimo nacional.

Um dos focos desse movimento ocorre no terminal de contêineres do Porto de Paranaguá, no Paraná, considerado o líder em capacidade e movimentação de movimentação na região e o terceiro maior do Brasil. O complexo é gerido pela TCP, empresa que integra desde março de 2018 o portfólio da China Merchants Port Holding Company (CMPort).

Para o biênio de 2027 a 2028, a TCP programa um aporte inicial de R$ 400 milhões direcionado à compra de equipamentos portuários, instalação de tomadas e eletrificação de processos. Segundo Romauro Santos Filho, diretor de desenvolvimento corporativo da empresa, a iniciativa funciona como uma fase preparatória. Posteriormente, em um ciclo planejado para o período entre 2028 e 2030, a administradora pretende aplicar R$ 1,5 bilhão com a meta de ampliar em 40% a capacidade atual do terminal, saltando dos atuais 1,8 milhão de TEUs (unidade correspondente a um contêiner de 20 pés). A proposta passa pelas etapas finais de avaliação da autoridade portuária e dependerá de aval de órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Santos Filho destaca que a expansão visa antecipar a demanda de mercado. Levantamentos contratados pela concessionária sinalizam forte projeção de crescimento no embarque de produtos como carnes, congelados, madeira, papel e celulose. Nos últimos oito anos, o fluxo do terminal manteve um ritmo de expansão médio de 10% ao ano.

Atualmente, o segmento de carnes e proteína animal congelada responde por 46% das exportações realizadas via TCP, o que representa cerca de um terço de toda a proteína animal enviada ao exterior pelo país. Visando dar suporte a essa demanda, a concessionária concluiu recentemente um plano de R$ 500 milhões para ampliar sua infraestrutura frigorificada, elevando o número de tomadas para contêineres reefer de 3,2 mil para 5,3 mil, com meta de alcançar 6 mil pontos até o término de 2027.

A estratégia de ampliação considera ainda os limites operacionais enfrentados por outros portos do país. De acordo com informações do Globo Rural, a TCP mantém uma taxa de ocupação inferior a 80%, em contraste com estruturas no estado de Santa Catarina e no Porto de Santos (SP), cujos índices já ultrapassam os 90%. A saturação desses locais é apontada como um gargalo iminente que impacta a escala dos navios e provoca filas marítimas.

APORTES NA MOVIMENTAÇÃO DE GRÃOS E EXPANSÃO REGIONAL

No segmento de grãos e fertilizantes, a empresa de logística portuária Rocha também reforça sua atuação. Com operações em Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Rio Grande (RS), Santana (AP) e Itaqui (MA), a operadora inaugurou em julho a infraestrutura do Cais Oeste em Paranaguá, onde investiu R$ 300 milhões e realizou o primeiro carregamento em agosto.

O diretor-presidente da Rocha, Darlan De David, pontua que a relevância global do Brasil na oferta de alimentos justifica o direcionamento de capital para o setor. Após encerrar o ano passado com 5,7 milhões de toneladas de grãos exportadas pelo porto paranaense, a empresa soma mais 2 milhões de toneladas de capacidade operacional na localidade com a nova estrutura. Diante desses acréscimos, em 2026 a companhia consolidou-se como a operadora de maior capacidade para escoamento de grãos em Paranaguá.

A Rocha também retomou as atividades em São Francisco do Sul (SC) após 13 anos, buscando diversificar os desembarques para o agronegócio e para o segmento siderúrgico. Para o encerramento do exercício atual, a empresa projeta faturamento de R$ 880 milhões, montante 1,5% superior ao ano anterior. Esse resultado reflete um crescimento de 16% na receita com transporte de grãos, que compensou o recuo de 21% registrado no braço de movimentação de fertilizantes.

Paralelamente, a Coamo Agroindustrial, maior cooperativa agrícola do país, projeta expandir suas rotas de escoamento para fora do Paraná. Em parceria com a multinacional norueguesa Yara Fertilizantes, a cooperativa planeja a implantação de um novo terminal portuário no município de Itapoá (SC), com valor estimado de R$ 3 bilhões.

O presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, explicou que o processo de licenciamento ambiental teve início há cinco anos e obteve recentemente a licença prévia. A expectativa é que a licença de instalação seja concedida em até dois anos, possibilitando o início efetivo das obras. No cronograma vigente, o início das intervenções no local está previsto para o ano de 2030.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Expansão na TCP (Paranaguá): A operadora prevê R$ 400 milhões em melhorias e equipamentos até 2028, além de um projeto de R$ 1,5 bilhão para elevar em 40% a capacidade do terminal até 2030.

- Aumento de capacidade na Rocha: Com aporte recente de R$ 300 milhões no Cais Oeste de Paranaguá, a empresa adiciona 2 milhões de toneladas à sua capacidade e projeta receita de R$ 880 milhões em 2026.

- Novo terminal em Itapoá (SC): Coamo e Yara projetam um investimento conjunto de R$ 3 bilhões para a construção de um terminal portuário catarinense, com obras previstas para começar em 2030.

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