Trigo passa de R$ 78 e acumula 7 meses de alta no Paraná
Valorização ocorre em meio à redução da área semeada, cenário internacional favorável e pressão do clima sobre a colheita

O preço do trigo superou R$ 78 por saca na maioria das praças do Paraná em setembro, mantendo uma sequência de sete meses consecutivos de alta. O valor também está acima dos R$ 71,62 praticados no mesmo mês do ano passado e se aproxima do custo variável estimado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), de R$ 77,18 por saca.
A valorização ocorre em um momento de pressão sobre os produtores paranaenses. A combinação entre a diminuição da área semeada no estado, um cenário internacional favorável e as condições climáticas contribuiu para uma valorização considerada atípica neste início de safra.
Os preços atuais também se aproximam do preço mínimo estipulado pelo Governo Federal para a região Sul, de R$ 78,51 por saca para o trigo destinado à produção de pão tipo 1.
Em agosto, a maioria das praças paranaenses registrava preço médio de R$ 74,90 por saca. Com os valores observados em setembro, a expectativa do Deral é de que a média deste mês supere o patamar registrado anteriormente e confirme o sétimo mês consecutivo de alta.
As informações são do Boletim Conjuntural do Deral, divulgado nesta quinta-feira (10).
CENÁRIO NO CAMPO
A valorização acontece ao mesmo tempo em que os produtores enfrentam dificuldades para avançar com a colheita. O trabalho no campo ganhou ritmo na última semana e a área colhida passou de 5% para 20% da estimativa total.
O percentual está acima do registrado na mesma semana da safra anterior. No ano passado, 12% da área havia sido colhida no período equivalente.
Segundo o Deral, a aceleração da colheita está relacionada tanto ao tempo mais quente registrado neste ano quanto à necessidade de os produtores aproveitarem os períodos de tempo seco para evitar que novas chuvas prejudiquem o rendimento e a qualidade dos grãos.
Apesar do avanço mais rápido da colheita, as produtividades obtidas até o momento foram consideradas decepcionantes. Os resultados, porém, estão em linha com o início da colheita do ano passado, quando o Paraná terminou a safra com rendimentos recordes.
As condições gerais das lavouras seguem melhores do que as registradas no mesmo período do ano passado. A partir desta etapa, porém, a colheita avança pelas regiões que receberam os maiores volumes de chuva e registraram precipitações mais recorrentes.
As chuvas expressivas observadas na metade sul do Paraná desde agosto, associadas às temperaturas mais altas, vêm confirmando os impactos do fenômeno El Niño sobre o Estado.
No Sudoeste, as precipitações dificultaram a aplicação de fungicidas, aumentando a pressão de doenças nas lavouras. Ainda assim, os intervalos de tempo seco têm permitido que os produtores realizem a colheita com umidade adequada.
A previsão de mais chuva para os próximos dias mantém os triticultores sob pressão para aproveitar cada período de tempo firme. A preocupação é evitar que as condições climáticas provoquem perdas de rendimento e de qualidade durante o avanço da colheita.
Com supervisão: Mário Martins.



