Ministro do Paraguai deixa cargo para votar impeachment de presidente
Enrique Riera deixa o governo para reassumir cadeira no Legislativo e participar do julgamento de impeachment do presidente Santiago Peña

O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, renunciou ao cargo nessa quinta-feira (5) e deve retornar ao Senado para participar do julgamento de impeachment do presidente Santiago Peña. A saída ocorre em meio à crise política e financeira que atinge o país após a intervenção no Ueno Bank, instituição que concentrava recursos públicos paraguaios.
Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a renúncia de Riera foi uma estratégia para permitir que ele reassuma sua cadeira no Senado e participe da votação que pode determinar a destituição de Peña. O ex-ministro era senador eleito para o período de 2023 a 2028, mas estava licenciado desde que assumiu o Ministério do Interior, em agosto de 2023.
Com a saída de Riera, Carlos Humberto Benítez González foi nomeado ministro interino do Interior. Ele também continuará exercendo as funções de vice-ministro de Segurança Interna.
A volta de Riera ao Legislativo ocorre em um momento decisivo para o governo paraguaio. O presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso não conseguiu concluir a votação sobre o pedido por falta de quórum. Com isso, o processo de impeachment aprovado pela Câmara dos Deputados seguiu para análise do Senado.
O julgamento foi retomado nesta sexta-feira (6), com previsão de apresentação da defesa de Peña, análise das provas e votação dos parlamentares. Para aprovar a destituição do presidente, são necessários pelo menos 30 votos entre os 45 senadores.
Caso o impeachment seja aprovado, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência da República.
Crise bancária provocou instabilidade política
A crise que atinge o governo começou após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, diante de suspeitas de irregularidades financeiras e problemas na situação patrimonial da instituição.
O banco mantinha aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores da previdência social paraguaia. A intervenção também afetou milhões de clientes, que enfrentaram restrições de acesso às próprias contas.
Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. A relação do presidente com o grupo empresarial está entre os pontos questionados pela oposição no processo de impeachment.
As investigações sobre o Ueno Bank envolvem suspeitas de manipulação patrimonial e concessão de empréstimos a empresas com possíveis vínculos com o grupo controlador. Oito executivos foram presos, entre eles o principal acionista e vice-presidente da instituição, Miguel Vázquez.
A crise provocou protestos em diferentes regiões do Paraguai e ampliou a pressão sobre o governo. A oposição acusa Peña de conflitos de interesse e de falhas na condução da fiscalização do sistema financeiro.
Resumo em 3 pontos
1. Renúncia do ministro: Enrique Riera deixou o Ministério do Interior para reassumir sua cadeira no Senado e participar do julgamento de impeachment de Santiago Peña. Carlos Humberto Benítez González assumiu a pasta interinamente.
2. Impeachment de Peña: O Congresso não concluiu a votação sobre a renúncia do presidente por falta de quórum. O Senado retomou o julgamento nesta sexta-feira (6). São necessários 30 dos 45 votos para destituí-lo.
3. Crise bancária: A intervenção no Ueno Bank desencadeou a crise política. A instituição mantinha cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos e é investigada por suspeitas de irregularidades financeiras. Peña foi acionista do grupo controlador até 2025.



