Mulher agredida por advogado em PG fala com o Portal aRede
Vítima relata histórico de violência psicológica e afirma ter levado tapas no rosto enquanto segurava a filha de apenas 20 dias.

Após a prisão em flagrante de um advogado na manhã desta quinta-feira (27), suspeito de agredir a companheira em um condomínio no bairro Uvaranas, em Ponta Grossa, novas informações trazem à tona o lado da vítima. Em entrevista concedida ao jornalista Igor Rugilo, do Portal aRede, a mulher e sua filha detalharam um histórico de abusos, apresentando uma versão contrária à relatada pelo homem aos agentes do Grupo de Ações Táticas (GAT) da Guarda Civil Municipal.
O relacionamento, segundo a vítima, era marcado por intensa violência psicológica há cerca de dois anos. O advogado, conforme o relato, tentava isolá-la, afirmando que ela “não tinha família” e “não conhecia ninguém”. O casal chegou a se separar, mas reatou após a mulher descobrir a gravidez.
“Na minha cabeça, era sempre um recomeço, que ele fosse melhorar, mas isso não aconteceu”, lamentou a vítima. Ela revelou que as agressões ocorreram até mesmo durante a gestação: "Passei por situações muito difíceis, uma delas até fui com sangramento, quase perdi a neném, por causa das violências psicológicas que ele fazia em mim, me empurrava, já havia batido no meu braço.”
Agressão com a filha no colo e destruição de provas
O limite, segundo a mulher, ocorreu na noite anterior à prisão. Ainda em período de resguardo (dieta), com a filha de apenas 20 dias no colo, ela afirma ter sido agredida fisicamente pelo companheiro. “Ontem ele realmente teve a agressão física mesmo, de bater três vezes no meu rosto, eu com a neném no colo”, relatou.
Para evitar incomodar a filha mais velha durante a madrugada, a vítima só relatou o ocorrido na manhã desta quinta-feira. Questionada sobre a versão do advogado — que alegou que a enteada e o genro teriam iniciado uma discussão e quebrado objetos —, a mulher apresentou um relato contrário.
Segundo ela, foi o próprio companheiro quem revirou o imóvel e destruiu provas. “Ele tirou todas as minhas roupas do guarda-roupa, e jogou no chão. Ele pegou meu celular, se trancou no banheiro e apagou todas as gravações que eu tinha de prova contra ele”, explicou a mulher, afirmando que a filha apenas tentou defendê-la ao chegar ao local.
A versão da enteada e o acionamento do GAT
A filha da vítima confirmou que foi ao apartamento acompanhada do marido após receber mensagens da mãe. Segundo ela, ao chegar, o advogado já estava alterado e a casa já estava completamente bagunçada.
“No que cheguei lá, ele já pegou e falou: 'tua mãe é louca'. Dei um empurrão nele e falei: "Como assim ela é louca? Você bateu na minha mãe. Em momento nenhum a gente quebrou a casa. Tudo o que estava quebrado e bagunçado foi ele quem fez", disse a jovem. Ela também relatou que o advogado já estava colocando pertences no carro, incluindo um computador que pertencia à mãe.
Foi a enteada quem tomou a iniciativa de acionar a equipe do GAT da Guarda Civil Municipal. Ela também relatou um histórico preocupante sobre o comportamento do padrasto, que seria violento com os animais de estimação da casa e proferia ameaças contra a mãe quando estavam sozinhos.
“Ele já teve algumas falas de que, se o cara é preso por bater numa mulher, era melhor que matasse ela pra ser preso por um motivo bom”, recordou a jovem.
Busca por Justiça
Abalada, a vítima confirmou que solicitará uma medida protetiva de urgência para manter o agressor afastado dela e das filhas.
“Eu não queria que chegasse à situação que chegou, mas acho que a gente, mulher, não tem que se calar. Porque hoje ele me bateu, amanhã podia me matar. Eu só quero que seja feito o que tiver que ser feito”, concluiu.
As circunstâncias do caso seguem sob investigação da 13ª Subdivisão Policial (SDP).
Resumo
A mulher agredida por um advogado em Ponta Grossa quebrou o silêncio em entrevista ao Portal aRede, relatando um histórico de cerca de dois anos de violência psicológica e física. Segundo a vítima, o ápice ocorreu na noite anterior à prisão em flagrante do companheiro, quando ela afirma ter levado tapas no rosto enquanto segurava a filha do casal, de apenas 20 dias de vida. A mulher relatou ainda que o homem apagou gravações de seu celular e revirou o apartamento para destruir provas.
A filha da vítima, que foi ao local para socorrer a mãe, apresentou uma versão contrária à do advogado, que havia alegado aos agentes que a enteada e o genro teriam quebrado o imóvel. A jovem relatou que, ao chegar, a residência já estava completamente bagunçada pelo próprio suspeito e confirmou que apenas o empurrou para defender a mãe. Foi a enteada quem tomou a iniciativa de acionar o Grupo de Ações Táticas (GAT) da Guarda Civil Municipal para atender a ocorrência.
Diante do histórico de ameaças e temendo por sua segurança, a vítima confirmou que solicitará uma medida protetiva de urgência para manter o agressor afastado de sua família. O caso foi encaminhado para a 13ª Subdivisão Policial (SDP) de Ponta Grossa, que ficará responsável por investigar as circunstâncias da violência doméstica e apurar as versões apresentadas pelos envolvidos.





















