“Nenhum arrependimento", diz padrinho de bebê morto asfixiado em Ponta Grossa | aRede
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“Nenhum arrependimento", diz padrinho de bebê morto asfixiado em Ponta Grossa

O Portal aRede teve acesso aos depoimentos prestados na delegacia. Declaração de padrinho choca investigadores.

Lorenzo Rafael, de quatro meses, perdeu a vida enquanto estava sob os cuidados dos padrinhos.
Lorenzo Rafael, de quatro meses, perdeu a vida enquanto estava sob os cuidados dos padrinhos. -

Igor Rugilo

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A tragédia que tirou a vida do pequeno Lorenzo Rafael Vieira Pinheiro, de apenas quatro meses, no bairro Uvaranas, em Ponta Grossa, ganha contornos ainda mais dramáticos. O Portal aRede teve acesso exclusivo aos interrogatórios prestados à Polícia Civil (PCPR) pelos pais da vítima e pelos padrinhos — que foram presos em flagrante por homicídio qualificado por omissão.

Os relatos revelam uma madrugada de negligência, consumo de álcool e declarações frias por parte do casal que havia sido pago para cuidar da criança enquanto os pais saíam.

A frieza dos padrinhos

Durante o interrogatório, o padrinho da criança admitiu ter consumido bebida alcoólica, mas alegou que foi dormir e conferiu o bebê apenas uma vez, no início da madrugada. O que mais chamou a atenção da autoridade policial foi a frieza do suspeito ao ser questionado se sentia algum arrependimento pela morte do afilhado.

"Não, nenhum, cara. Porque não tem como trazer ele de volta, né? Eu só não fui ver se ele ainda estava bem algumas horas", declarou o padrinho de forma apática. Ele também negou saber o motivo de o berço da criança estar molhado.

A madrinha, por sua vez, confirmou que havia bebido e não se sentia bem. Ela relatou ter dormido a noite toda e admitiu que, em momento algum, levantou para olhar ou alimentar Lorenzo.

"Eu não escutei ele chorar. Eu não estava muito bem, estava bebendo... Eu achei que [o bebê] estava bem", disse a mulher. Ao final do depoimento, ao receber a voz de prisão em flagrante por homicídio qualificado pela omissão, ela justificou sua aparente tranquilidade dizendo que "estava nervosa e não sabia" o que havia acontecido.

O desespero dos pais e um relato chocante

Os pais chegaram à residência por volta das 6h da manhã de domingo (23). O pai relatou aos policiais que encontrou o padrinho, que afirmou que Lorenzo estava "dormindo bem quietinho". No entanto, o silêncio absoluto do bebê de quatro meses causou estranheza.

O depoimento do pai trouxe à tona um elemento que deve ser fundamental para a sequência das investigações. Segundo ele, a irmã mais velha de Lorenzo fez um alerta assustador sobre o comportamento dos padrinhos durante a madrugada:

"A minha filha de 5 anos disse que eles deram alguma coisa diferente para o bebê", revelou o pai. A Polícia Civil deve apurar o que exatamente foi oferecido à criança.

A mãe do bebê descreveu os momentos de desespero ao constatar a morte do filho. Ela explicou que ofereceu dinheiro para os compadres cuidarem de Lorenzo e das outras crianças.

"Eu peguei ele, ele já estava gelado. Aí eu só fechei o olho e comecei a gritar. Na hora que eu olhei, eu vi que ele estava morto", relatou a mãe, visivelmente abalada.

Inquérito em andamento

Com base na asfixia apontada pelos exames preliminares e nos depoimentos, a PCPR autuou os padrinhos por assumirem o risco da morte ao se omitirem do dever de cuidado (posição de garantidores). A Polícia Civil solicitou a conversão da prisão em flagrante para preventiva, e a dupla segue à disposição da Justiça.

O pequeno Lorenzo está sendo velado na Capela Municipal São José e o sepultamento ocorre nesta segunda-feira (24), no Cemitério São Vicente de Paula.

Resumo:

O pequeno Lorenzo Rafael Vieira Pinheiro, de apenas quatro meses, morreu asfixiado na madrugada deste domingo (23) no bairro Uvaranas, em Ponta Grossa. A criança havia sido deixada sob os cuidados dos padrinhos, que foram pagos para cuidar do menino enquanto os pais saíam. Ao retornarem para casa por volta das 6h da manhã, os genitores encontraram o bebê já sem vida e gelado no berço, acionando imediatamente as autoridades.

Depoimentos prestados à Polícia Civil, aos quais a reportagem teve acesso exclusivo, revelaram detalhes chocantes sobre a negligência dos suspeitos. O casal de padrinhos admitiu ter consumido bebida alcoólica e dormido durante a madrugada sem verificar a situação do bebê. O padrinho chegou a afirmar com frieza que não sentia "nenhum arrependimento", enquanto o pai da vítima relatou que sua filha de cinco anos viu os cuidadores dando "algo diferente" para a criança, fato que será aprofundado nas investigações.

Diante da conduta omissiva, os padrinhos foram presos em flagrante pelo crime de homicídio qualificado. A Polícia Civil entendeu que, ao assumirem os cuidados de um lactente completamente dependente, eles se tornaram garantidores de sua integridade e assumiram o risco de morte ao negligenciá-lo. A autoridade policial já solicitou a conversão da prisão para preventiva, e o inquérito segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias da tragédia.

Confira o interrogatório da madrinha do bebê:

VÍDEO
| Autor: PCPR

Confira o que os pais contaram para o delegado:

VÍDEO
| Autor: PCPR

Confira o interrogatório do padrinho do bebê:

VÍDEO
| Autor: PCPR
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