Chuvas recuperam lavouras no Paraná, mas custos e preços preocupam
Relatório semanal do Deral aponta recuperação de milho e feijão após período seco

O setor agropecuário do Paraná vive um momento de recuperação agronômica sob um cenário de cautela financeira. Segundo o Boletim de Condições de Tempo e Cultivo do Departamento de Economia Rural (Deral), referente ao período de 28 de abril a 4 de maio de 2026, o retorno das chuvas e as temperaturas mais amenas foram cruciais para reverter o estresse hídrico em diversas culturas de segunda safra, embora a rentabilidade ainda preocupe os produtores.
RECUPERAÇÃO DAS CULTURAS DE 2ª SAFRA
O milho 2ª safra apresenta um quadro majoritariamente positivo, com 84% das lavouras em boas condições e 12% em situação média. As precipitações recentes foram fundamentais para reduzir o estresse hídrico e favorecer as fases de floração (30%) e frutificação (44%). Além disso, o aumento da umidade ajudou a conter a pressão de pragas, como as lagartas.
No feijão 2ª safra, a melhora também é expressiva. Com o plantio já concluído, 69% das lavouras estão em boa condição. A colheita já atingiu 31% da área, e embora as regiões mais afetadas pela estiagem anterior registrem produtividade abaixo do esperado, as áreas restantes apresentam desenvolvimento entre regular e bom.
INVERNO E CULTURAS PERMANENTES
O plantio do trigo avançou para 17% da área estimada, com a umidade do solo favorecendo o desenvolvimento inicial. Contudo, o Deral destaca uma tendência de redução na área cultivada devido aos custos de produção e fatores de mercado. A aveia (preta e branca) também teve o plantio iniciado, enquanto a cevada aguarda as próximas semanas para começar a ser semeada na maior parte do estado.
No setor cafeeiro, as lavouras mantêm 91% de condição boa, com 41% da safra já em maturação. A colheita do café começou de forma incipiente em algumas regiões e deve ganhar ritmo gradualmente. Já a batata 2ª safra mostra sinais de recuperação vigorosa, com 95% da área em boas condições, beneficiada pelo clima mais ameno.
DINÂMICA DE MERCADO E CLIMA
Apesar do bom andamento operacional na colheita do arroz irrigado e da cana-de-açúcar, o cenário econômico é de insatisfação. Produtores de arroz e mandioca enfrentam preços considerados baixos diante dos elevados custos operacionais. Na soja, a colheita está praticamente encerrada (100%), mas a comercialização segue em ritmo lento.
O clima na última semana foi marcado por uma "gangorra" térmica. Após um início de período com queda acentuada nas temperaturas (dia 28/04), o estado registrou chuvas generalizadas seguidas de tempo firme e calor. No entanto, o fechamento do boletim no dia 4 de maio marcou o retorno de um sistema frontal, trazendo novamente o declínio das temperaturas em todas as regiões do Paraná.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Recuperação Hídrica: As chuvas recentes estabilizaram o desenvolvimento do milho e feijão de 2ª safra, reduzindo o impacto da estiagem anterior e o ataque de pragas.
- Cautela no Trigo: O plantio de inverno começou bem tecnicamente (17% da área), mas enfrenta perspectivas de retração na área total devido à baixa atratividade econômica.
- Descompasso Financeiro: Setores como mandioca, arroz e soja lidam com comercialização travada ou preços baixos, contrastando com o bom desempenho das lavouras no campo.





















