Crédito rural empresarial alcança R$ 404 bilhões e cresce 10% no Plano Safra 2025/2026
Impulsionado pela emissão de Cédulas de Produto Rural e pelo setor de industrialização, montante supera os R$ 368 bilhões registrados no ciclo anterior; 62% dos recursos equalizáveis ainda estão disponíveis

O setor agropecuário brasileiro demonstrou robustez no atual ciclo produtivo. Entre julho de 2025 e março de 2026, o crédito rural empresarial atingiu o montante de R$ 404 bilhões em recursos contratados, o que representa uma alta de 10% em comparação ao mesmo período da safra anterior, quando o valor foi de R$ 368 bilhões.
Os dados detalhados foram elaborados pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário (DEFIN), vinculado à Secretaria de Política Agrícola, utilizando como base as informações do SICOR/Banco Central. Do total contratado, R$ 387 bilhões já foram efetivamente concedidos (liberados na conta dos produtores), registrando um crescimento de 5% em relação ao ano passado.
De acordo com informações divulgadas pelo portal de notícias do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), um dos grandes motores desse desempenho foi a emissão de Cédulas de Produto Rural (CPR) em favor de instituições financeiras. Esta modalidade saltou 38%, chegando a R$ 183,1 bilhões. Quando somada ao custeio convencional, a disponibilidade de recursos para essa finalidade atinge R$ 303,1 bilhões, um avanço de 13% sobre a safra 2024/2025.
DESEMPENHO POR MODALIDADE E REGIONALIZAÇÃO
Apesar do crescimento global, o comportamento das linhas de crédito foi heterogêneo:
- Industrialização: Foi o destaque positivo, com alta de 74% nas contratações (R$ 28,1 bilhões), refletindo o aumento da demanda pelo processamento agroindustrial.
- Custeio e Investimento: Apresentaram retração. O custeio recuou 11% (R$ 120 bilhões) e o investimento caiu 16% (R$ 45,5 bilhões).
- Comercialização: Registrou queda de 10%, totalizando R$ 27,2 bilhões.
A retração nos investimentos é atribuída à cautela dos produtores frente às taxas de juros atuais, enquanto o mercado aguarda uma redução projetada na Selic de cerca de 2 pontos percentuais até o final de 2026. No recorte regional, o Sul segue liderando em número de operações, enquanto o Sudeste concentra os maiores valores financeiros.
FONTES DE RECURSOS E EXECUÇÃO
No campo das fontes de financiamento, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) Controlada teve uma expansão histórica de 3.564%, atingindo R$ 26,9 bilhões. Já nas fontes não controladas, a Poupança Rural Livre cresceu 39%, somando R$ 44,4 bilhões.
Quanto à execução do Plano Safra 2025/2026, dos R$ 113,4 bilhões programados em recursos equalizáveis, 38% (R$ 43,4 bilhões) foram utilizados até o momento. O Banco do Brasil lidera a execução em valores absolutos, enquanto o Sistema Cresol já concluiu 100% de suas metas previstas para a modalidade de custeio.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Crescimento Global: O crédito rural empresarial cresceu 10%, atingindo R$ 404 bilhões, com forte influência da alta de 38% nas Cédulas de Produto Rural (CPR).
- Cenário de Cautela: Embora a industrialização tenha saltado 74%, as linhas de investimento e custeio caíram, refletindo a seletividade do setor diante dos juros elevados.
- Disponibilidade: O Plano Safra ainda possui 62% dos seus recursos equalizáveis disponíveis para contratação até o encerramento do ciclo.





















