Editorial
Clima extremo exige medidas urgentes para proteger vidas
Da Redação | 30 de outubro de 2026 - 00:17
Os alertas estão dados, os números preocupam e os riscos são conhecidos. Falta transformar informação em ação. Diante da intensificação dos eventos climáticos extremos, os governantes precisam abandonar a postura de agir apenas depois das tragédias e assumir, com urgência, o compromisso de preparar as cidades para uma realidade que já se impõe.
No Paraná, os episódios recentes de chuvas intensas demonstram que o problema não pode ser tratado como uma eventualidade. Levantamento da Plataforma Natureza ON, desenvolvido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em parceria com o MapBiomas e com tecnologia Google Cloud, aponta áreas urbanas suscetíveis a deslizamentos, inundações, alagamentos e enxurradas em diferentes municípios do Estado.
Curitiba, Ponta Grossa e Cascavel apresentam áreas vulneráveis a deslizamentos. Em Ponta Grossa, são 8,03 hectares identificados nessa condição, uma dimensão que exige atenção do poder público, planejamento e medidas preventivas. Não se trata apenas de números em um mapa, mas de territórios onde a combinação de chuvas intensas, ocupação urbana inadequada e falta de intervenções pode colocar vidas em risco.
Os dados do Simepar reforçam a gravidade do cenário, com volumes de chuva acima da média histórica em dezenas de municípios. A perspectiva de precipitações elevadas durante a primavera e o verão amplia a necessidade de providências imediatas. Esperar que novas ocorrências provoquem destruição para, somente então, mobilizar recursos é uma escolha que pode custar caro.
Prefeituras e governos estadual e federal precisam atuar de forma coordenada. Mapear áreas de risco, fiscalizar ocupações, investir em drenagem, recuperar encostas, ampliar a permeabilidade do solo e manter sistemas de alerta são medidas essenciais. A restauração da vegetação nativa em encostas, por exemplo, pode ajudar a estabilizar o solo e reduzir a erosão. Soluções baseadas na natureza devem integrar as políticas públicas, sem substituir obras estruturais quando elas forem necessárias.
Também é indispensável destinar recursos à prevenção, fortalecer a Defesa Civil e estabelecer protocolos claros para proteger moradores de áreas vulneráveis. Planejamento urbano não pode ignorar as mudanças climáticas, tampouco permitir que populações inteiras permaneçam expostas a riscos previsíveis.
A natureza apresenta sinais cada vez mais evidentes de que o cenário mudou. Cabe aos governantes agir à altura desse desafio. Prevenir custa menos do que reconstruir, mas, acima de tudo, pode evitar perdas irreparáveis. A urgência não está apenas em enfrentar a próxima chuva, mas em garantir que nossas cidades estejam preparadas para todas as que virão.