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O transporte público precisa ser eficiente para movimentar PG

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Uma cidade com 357 mil habitantes precisa de um transporte coletivo eficiente, acessível e confiável. Em Ponta Grossa, a indefinição sobre a nova concessão prolonga a expectativa por melhorias que devem ter o passageiro como prioridade. A futura licitação precisa estabelecer compromissos concretos com quem depende diariamente dos ônibus para trabalhar, estudar, buscar atendimento médico e cumprir as tarefas do cotidiano.

O contrato com a Viação Campos Gerais (VCG), prorrogado até junho de 2027, garante a continuidade da operação, mas não resolve, por si só, os desafios do sistema. A previsão de uma nova licitação até o fim de 2026 representa uma oportunidade para corrigir problemas, modernizar a estrutura e estabelecer metas de qualidade. Essa oportunidade não pode ser desperdiçada por atrasos, indefinições ou uma modelagem que privilegie aspectos financeiros sem considerar os efeitos diretos sobre a população.

O transporte público é parte essencial do funcionamento de uma cidade. Quando os ônibus circulam com regularidade, as linhas atendem às necessidades dos bairros e os horários são cumpridos, milhares de pessoas ganham tempo e autonomia. Quando o serviço falha, o prejuízo ultrapassa o ponto de ônibus: afeta a pontualidade no trabalho, o acesso à educação, a procura por serviços de saúde e até a renda familiar, especialmente de quem não tem outra opção de deslocamento.

Por isso, a nova concessão deve começar pela experiência do usuário. É necessário estabelecer metas verificáveis para a pontualidade, a frequência das viagens, a lotação dos veículos e a cobertura dos itinerários. A população precisa saber quais melhorias serão entregues, em quanto tempo e quais consequências serão aplicadas caso a futura concessionária não cumpra as obrigações. Sem fiscalização efetiva e transparência, compromissos apresentados no edital correm o risco de permanecer apenas no papel.

A renovação da frota, destacada pela VCG, é um passo importante para preservar as condições de atendimento. A previsão de aquisição de 55 novos ônibus na futura modelagem também aponta para a necessidade de modernização. Entretanto, veículos novos não bastam se as linhas forem insuficientes, os intervalos forem longos ou os passageiros continuarem enfrentando dificuldades para chegar aos seus destinos. A qualidade depende da combinação entre frota adequada, planejamento operacional e atendimento às demandas reais dos bairros.

Outro compromisso indispensável é a acessibilidade. Ônibus e pontos de embarque precisam permitir que pessoas com deficiência, idosos e passageiros com mobilidade reduzida utilizem o sistema com segurança e autonomia. Ar-condicionado, informação clara sobre itinerários e horários, bilhetagem simples e canais eficientes para reclamações também devem integrar uma política de melhoria contínua. São recursos que deixam de ser diferenciais quando se considera o transporte coletivo um serviço público essencial.

A reorganização das linhas merece atenção especial. Ponta Grossa cresceu, ampliou áreas residenciais e consolidou novos polos de emprego e serviços. O planejamento deve acompanhar essa dinâmica, conectando bairros aos locais de trabalho, escolas, universidades, unidades de saúde e terminais. A avaliação periódica da demanda, com participação dos usuários, pode evitar tanto a oferta insuficiente quanto trajetos pouco eficientes. O objetivo deve ser reduzir o tempo gasto nos deslocamentos e tornar o transporte coletivo uma alternativa competitiva ao automóvel.

O preço da passagem também precisa ocupar posição central no debate. Uma operação financeiramente sustentável é necessária, mas o equilíbrio econômico do contrato não pode ser buscado sem considerar a capacidade de pagamento dos passageiros. A futura modelagem deve apresentar com clareza os custos, os critérios de remuneração da concessionária e a eventual participação de recursos públicos. Transparência é condição para que a sociedade compreenda como o sistema é financiado e quais resultados recebe em contrapartida.

A participação popular deve acompanhar a elaboração do edital e a execução do futuro contrato. Consultas públicas precisam oferecer informações acessíveis e oportunidades reais para que passageiros apresentem sugestões. Depois da concessão, dados sobre cumprimento de horários, viagens realizadas, reclamações, falhas e penalidades devem ser divulgados regularmente. A fiscalização não pode ficar restrita aos órgãos municipais: usuários bem informados também contribuem para identificar problemas e cobrar soluções.

A prefeitura tem, portanto, a responsabilidade de concluir os estudos, esclarecer o cronograma e conduzir uma licitação juridicamente segura, competitiva e orientada por resultados. A prorrogação contratual assegura a continuidade do serviço, mas não deve se transformar em justificativa para adiar indefinidamente decisões necessárias. O prazo até junho de 2027 exige planejamento antecipado para evitar descontinuidade e garantir uma transição organizada.

A nova concessão precisa ser avaliada pelo que entregará à população. Menos espera nos pontos, viagens mais previsíveis, linhas adequadas, veículos acessíveis, tarifas compatíveis e fiscalização transparente são benefícios que devem orientar as decisões. Para uma cidade do porte de Ponta Grossa, transporte eficiente não é apenas uma questão de mobilidade: é uma condição para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e melhorar a qualidade de vida.

O passageiro deve estar no centro dessa discussão. Afinal, o sucesso do novo contrato não será medido apenas pelo cumprimento das etapas da licitação ou pela assinatura de documentos, mas pela diferença percebida diariamente por quem depende do ônibus. Ponta Grossa precisa de um sistema planejado para o futuro, com metas claras e resultados concretos. A população não espera somente uma nova concessão; espera um transporte que funcione melhor.

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