Editorial
Diocese amplia debate sobre tombamento de igrejas em PG
Da Redação | 15 de outubro de 2026 - 01:57
A mobilização da Diocese de Ponta Grossa em torno dos processos de tombamento de templos católicos colocou em evidência uma discussão que vai além da preservação arquitetônica: como proteger a memória histórica da cidade sem desconsiderar a função religiosa e comunitária desses espaços? O comparecimento expressivo de fiéis à sessão pública na terça-feira (13), posteriormente adiada, demonstra que o tema desperta interesse e merece um debate amplo, transparente e acessível à população.
A manifestação da Diocese, por meio de nota assinada pelo bispo Dom Bruno Elizeu Versari, representa uma posição institucional que precisa ser considerada no processo. A Igreja reconhece a importância histórica, artística, arquitetônica e cultural dos templos, mas questiona eventuais restrições que o tombamento possa impor à administração e à utilização dos espaços religiosos.
O posicionamento não significa, necessariamente, rejeitar a preservação do patrimônio. Ao contrário, a Diocese argumenta que a conservação das igrejas já é promovida pelo trabalho contínuo das comunidades paroquiais, que mobilizam recursos próprios para manter esses locais. Essa contribuição merece ser reconhecida, assim como a importância de instrumentos públicos que possam garantir a proteção de bens relevantes para a história de Ponta Grossa.
O episódio também evidencia a necessidade de diálogo entre o poder público, as autoridades religiosas e a sociedade. A decisão de adiar a sessão, segundo o secretário municipal de Cultura, Alberto Portugal, buscou garantir a segurança dos participantes e ampliar as condições de participação popular. Agora, a definição de uma nova data e de um espaço adequado será fundamental para que a discussão prossiga sem excluir aqueles que desejam acompanhar o processo.
As igrejas não são apenas construções antigas. São lugares de fé, convivência, celebração e memória afetiva, presentes na trajetória de gerações de ponta-grossenses. Ao mesmo tempo, integram a paisagem urbana e ajudam a contar a história do desenvolvimento do município. Preservar esse legado exige responsabilidade, planejamento e respeito às diferentes perspectivas envolvidas.
A mobilização liderada pela Diocese mostra que o tombamento não pode ser tratado como uma decisão meramente administrativa. É necessário esclarecer quais seriam os efeitos práticos da medida, ouvir as comunidades e buscar soluções que conciliem a proteção histórica com a continuidade das atividades religiosas.
O patrimônio pertence à história coletiva de Ponta Grossa. Por isso, a construção de um entendimento entre Igreja, poder público e população é o caminho mais consistente para assegurar que a preservação não seja motivo de confronto, mas um compromisso compartilhado com a memória e o futuro da cidade.