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PG precisa planejar hoje a logística do futuro

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Ponta Grossa precisa transformar sua vocação logística em desenvolvimento. A proposta apresentada pelo Conselho de Desenvolvimento à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aponta um caminho importante para isso: aproveitar a nova concessão da Malha Sul para planejar, de maneira integrada, o futuro da ferrovia, do Aeroporto Santana e da expansão industrial do município.

A discussão vai além de uma obra de infraestrutura. Trata-se de pensar a cidade e a região para as próximas décadas, com decisões capazes de conciliar mobilidade urbana, eficiência no transporte de cargas, conectividade e atração de investimentos. Uma cidade que ocupa posição estratégica na logística paranaense não pode ignorar os gargalos que limitam seu crescimento.

O Contorno Ferroviário representa uma das principais frentes dessa agenda. A retirada do tráfego ferroviário de passagem das áreas urbanas consolidadas poderá reduzir conflitos com o sistema viário, melhorar a circulação de trens e ampliar as possibilidades de planejamento urbano. São benefícios que ultrapassam os limites da operação ferroviária e alcançam diretamente a qualidade de vida da população.

A proposta ganha ainda mais relevância quando relacionada ao Aeroporto Santana. Estudos municipais apontam a possibilidade de ampliar a pista de aproximadamente 1.431 para 2.490 metros, mas a interferência da linha férrea é uma das questões que precisam ser consideradas. Planejar essas estruturas separadamente pode significar novos custos, intervenções futuras e limitações para projetos estratégicos.

Por isso, a iniciativa do Conselho de Desenvolvimento merece atenção. Ao defender que os empreendimentos sejam analisados conjuntamente, a entidade coloca em pauta uma visão de longo prazo, na qual investimentos ferroviários, aeroportuários e industriais precisam ser compatíveis entre si. A nova concessão pode oferecer uma oportunidade para organizar estudos, responsabilidades, cronogramas e fontes de financiamento.

É necessário, contudo, distinguir planejamento de execução. A inclusão das demandas na discussão da concessão não significa que as obras estejam garantidas. Ainda serão necessários estudos técnicos, avaliações econômicas, licenciamento ambiental e definição de responsabilidades. Os custos e benefícios das alternativas também precisam ser atualizados e comparados com transparência.

O desafio é não permitir que a complexidade dos projetos se transforme em justificativa para adiar indefinidamente decisões estruturais. A infraestrutura implantada hoje condicionará a capacidade de crescimento de Ponta Grossa por muitos anos.

Mais do que resolver problemas existentes, a integração proposta pode preparar o município para novas oportunidades econômicas. Cabe aos órgãos responsáveis avaliar as alternativas com rigor e considerar os impactos regionais. Para Ponta Grossa, planejar ferrovia, aeroporto e indústria de forma articulada é uma oportunidade de converter sua posição geográfica em competitividade, desenvolvimento e qualidade de vida.

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