Editorial
PG precisa planejar hoje a logística do futuro
Da Redação | 10 de outubro de 2026 - 00:44
Ponta Grossa precisa transformar sua vocação logística em desenvolvimento. A proposta apresentada pelo Conselho de Desenvolvimento à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aponta um caminho importante para isso: aproveitar a nova concessão da Malha Sul para planejar, de maneira integrada, o futuro da ferrovia, do Aeroporto Santana e da expansão industrial do município.
A discussão vai além de uma obra de infraestrutura. Trata-se
de pensar a cidade e a região para as próximas décadas, com decisões capazes de
conciliar mobilidade urbana, eficiência no transporte de cargas, conectividade
e atração de investimentos. Uma cidade que ocupa posição estratégica na
logística paranaense não pode ignorar os gargalos que limitam seu crescimento.
O Contorno Ferroviário representa uma das principais frentes
dessa agenda. A retirada do tráfego ferroviário de passagem das áreas urbanas
consolidadas poderá reduzir conflitos com o sistema viário, melhorar a
circulação de trens e ampliar as possibilidades de planejamento urbano. São
benefícios que ultrapassam os limites da operação ferroviária e alcançam
diretamente a qualidade de vida da população.
A proposta ganha ainda mais relevância quando relacionada ao
Aeroporto Santana. Estudos municipais apontam a possibilidade de ampliar a
pista de aproximadamente 1.431 para 2.490 metros, mas a interferência da linha
férrea é uma das questões que precisam ser consideradas. Planejar essas
estruturas separadamente pode significar novos custos, intervenções futuras e
limitações para projetos estratégicos.
Por isso, a iniciativa do Conselho de Desenvolvimento merece
atenção. Ao defender que os empreendimentos sejam analisados conjuntamente, a
entidade coloca em pauta uma visão de longo prazo, na qual investimentos
ferroviários, aeroportuários e industriais precisam ser compatíveis entre si. A
nova concessão pode oferecer uma oportunidade para organizar estudos,
responsabilidades, cronogramas e fontes de financiamento.
É necessário, contudo, distinguir planejamento de execução.
A inclusão das demandas na discussão da concessão não significa que as obras
estejam garantidas. Ainda serão necessários estudos técnicos, avaliações
econômicas, licenciamento ambiental e definição de responsabilidades. Os custos
e benefícios das alternativas também precisam ser atualizados e comparados com
transparência.
O desafio é não permitir que a complexidade dos projetos se
transforme em justificativa para adiar indefinidamente decisões estruturais. A
infraestrutura implantada hoje condicionará a capacidade de crescimento de
Ponta Grossa por muitos anos.
Mais do que resolver problemas existentes, a integração
proposta pode preparar o município para novas oportunidades econômicas. Cabe
aos órgãos responsáveis avaliar as alternativas com rigor e considerar os
impactos regionais. Para Ponta Grossa, planejar ferrovia, aeroporto e indústria
de forma articulada é uma oportunidade de converter sua posição geográfica em
competitividade, desenvolvimento e qualidade de vida.