Editorial
Ideb mostra avanço que precisa virar compromisso com a educação
Da Redação | 07 de outubro de 2026 - 02:29
Os resultados do Ideb 2025 trazem uma notícia positiva para o Paraná e, sobretudo, oferecem um sinal de que políticas educacionais acompanhadas por metas, avaliação e continuidade podem produzir resultados concretos. O Estado alcançou a maior nota do País nos Anos Finais do Ensino Fundamental, com 5,8, e também liderou o ranking nos Anos Iniciais da rede pública, com 6,9. No Ensino Médio, chegou a 5,1, tornando-se o único estado brasileiro a superar a marca de cinco pontos.
Os números merecem ser comemorados, mas não devem ser vistos
como ponto de chegada. O verdadeiro desafio começa justamente depois da
divulgação dos índices: transformar o avanço estatístico em aprendizagem
efetiva e duradoura dentro das salas de aula.
Nesse cenário, chama atenção o desempenho das escolas que
integram o programa Parceiro da Escola. Nos Anos Finais do Ensino Fundamental,
as unidades com Educação em Tempo Integral passaram de 5,20 para 5,67,
crescimento de 0,47 ponto entre 2023 e 2025. Nas escolas de oferta regular, a
evolução foi de 5,17 para 5,55. No Ensino Médio, as unidades de tempo integral
avançaram de 4,60 para 5,04, enquanto as de oferta regular passaram de 4,65
para 5,00.
É um desempenho que merece análise cuidadosa. O programa foi
implementado em sua atual estrutura apenas em 2025 e, portanto, seria
precipitado atribuir diretamente os resultados do Ideb à iniciativa. Afinal, os
indicadores refletem processos de aprendizagem construídos ao longo de anos e
uma série de fatores que vão muito além da gestão administrativa das unidades.
O dado mais importante, entretanto, está no desempenho geral
da rede. A proficiência em Matemática cresceu mais de dez pontos tanto nos Anos
Finais do Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio. Em Língua Portuguesa,
também houve evolução significativa. Isso indica que o avanço não se resume a
uma mudança de posição em ranking, mas alcança justamente áreas essenciais para
a formação dos estudantes.
O Ideb, porém, não pode ser tratado apenas como um troféu.
Por trás de cada décimo estão alunos com diferentes histórias, professores
enfrentando desafios cotidianos e escolas que precisam de estrutura,
planejamento e apoio permanente. Uma boa nota não significa que todos os
problemas foram resolvidos.
O Paraná tem agora uma responsabilidade ainda maior:
sustentar o crescimento, identificar onde os resultados ainda são insuficientes
e garantir que a melhoria alcance todos os estudantes. É preciso celebrar o
avanço, mas também cobrar continuidade, transparência e compromisso.
Porque educação de qualidade não se mede apenas pela posição
que um Estado ocupa no ranking. Mede-se pelaquilo que o estudante efetivamente
aprende — e pelo que esse aprendizado será capaz de transformar em seu futuro.