Editorial
Segurança precisa ser prioridade no trânsito de PG
Da Redação | 22 de setembro de 2026 - 02:46
A presença de patinetes, bicicletas elétricas e outros equipamentos autopropelidos nas ruas já faz parte da realidade urbana. O problema é que a velocidade com que esses veículos passaram a ocupar o espaço público nem sempre foi acompanhada pelo mesmo ritmo de informação e conscientização. Ainda existem dúvidas sobre regras de circulação, locais adequados para deslocamento, equipamentos de segurança e, principalmente, sobre a responsabilidade de cada usuário.
A Lei Municipal nº 16.027/2026 estabelece regras para a circulação desses veículos em Ponta Grossa. Mas uma lei, por si só, não muda comportamentos. É preciso que seja conhecida, compreendida e respeitada. E essa responsabilidade começa pelo poder público, que precisa ampliar as campanhas educativas, investir em sinalização e fiscalização e garantir que as normas sejam efetivamente aplicadas.
A blitz que orientou mais de 200 pessoas durante a Semana Nacional do Trânsito é positiva, mas não pode ser tratada como ponto de chegada. Deve ser o início de um trabalho permanente. Se a utilização dos autopropelidos cresce, também precisa crescer a presença do poder público na orientação e na fiscalização.
A cobrança, porém, não pode ficar restrita à Prefeitura. Quem utiliza esses equipamentos também precisa assumir sua parcela de responsabilidade. As ruas não são espaços sem regras. Respeitar sinalização, observar os locais permitidos para circulação, reduzir a velocidade em áreas de grande movimento e preservar a segurança de pedestres são atitudes básicas de convivência.
O mesmo vale para motoristas. A chegada de novos modais ao trânsito exige atenção redobrada. Ignorar um ciclista, um patinete ou outro veículo autopropelido porque ele é menor ou mais vulnerável não reduz o risco. Ao contrário, pode aumentar a gravidade de uma ocorrência. Dividir as ruas significa reconhecer que existem diferentes formas de mobilidade e que todas exigem respeito.
Ponta Grossa já convive com números preocupantes de acidentes. Por isso, não há espaço para uma cultura de prevenção baseada apenas em campanhas ocasionais. É preciso planejamento contínuo, fiscalização efetiva, engenharia de trânsito e educação permanente. E, principalmente, uma mudança de comportamento.
A Semana Nacional do Trânsito tem justamente essa missão: lembrar que segurança viária não se resume a uma campanha de poucos dias. Palestras em empresas, atividades nas escolas e ações nas ruas são importantes, mas precisam fazer parte de uma política pública contínua.
Prevenir custa menos do que remediar. E, no trânsito, prevenção significa algo ainda mais importante: evitar que uma imprudência resulte em uma vida perdida ou em uma família marcada para sempre.