Editorial
Prevenção precisa ser prioridade diante do clima cada vez mais extremo
Da Redação | 17 de setembro de 2026 - 02:49
As chuvas intensas registradas nos últimos dias deixaram uma mensagem que não pode ser ignorada pelos municípios dos Campos Gerais e de outras regiões do Paraná: eventos climáticos extremos exigem planejamento permanente, investimentos e capacidade de resposta. Alagamentos, enchentes, deslizamentos, vendavais e danos à infraestrutura mobilizaram equipes públicas e afetaram milhares de moradores. Em Castro, o transbordamento de rios e os prejuízos à malha viária levaram o município a decretar situação de emergência. Em Porto Amazonas, a elevação do Rio Iguaçu colocou famílias em alerta. Na região, Ponta Grossa, Palmeira, Sengés e outros municípios também registraram ocorrências.
Mas nenhum balanço consegue dimensionar a dor provocada pela perda de vidas. Na semana passada, três pessoas morreram em Ponta Grossa depois que um deslizamento atingiu uma residência no bairro Ronda. Um casal e uma criança foram soterrados enquanto estavam no imóvel. A tragédia precisa ser lembrada não apenas como consequência de uma chuva excepcional, mas como um alerta sobre a necessidade de identificar, monitorar e intervir em áreas sujeitas a riscos. A Defesa Civil municipal mantém áreas de inundação e deslizamento sob acompanhamento, o que reforça a importância de transformar informação técnica em medidas concretas de proteção.
É evidente que nenhum município consegue impedir a ocorrência de uma tempestade severa. O que está ao alcance do poder público é reduzir suas consequências. Isso passa pela manutenção de galerias e bueiros, limpeza e recuperação de arroios, contenção de encostas, drenagem urbana, fiscalização da ocupação de áreas de risco, melhoria das vias e atualização permanente dos planos de contingência. Também exige recursos para Defesa Civil, equipamentos, sistemas de monitoramento e estruturas capazes de permitir respostas rápidas quando os níveis de rios ou os acumulados de chuva ultrapassarem parâmetros de segurança.
Em Ponta Grossa, a Prefeitura informou nesta semana a limpeza e desobstrução de 16 pontos considerados prioritários, dentro de uma estratégia preventiva diante do período de instabilidade. Ao longo de 2026, já foram realizadas 82 ações de limpeza de arroios. São medidas importantes, mas a dimensão dos eventos demonstra que a prevenção precisa ser contínua e integrada, envolvendo Meio Ambiente, Defesa Civil, Obras, Planejamento, assistência social e demais setores.
Também é indispensável reconhecer a responsabilidade da população. O descarte irregular de lixo, móveis, entulho e restos de construção em arroios, terrenos e vias públicas compromete o escoamento e pode agravar alagamentos. Campanhas de conscientização precisam ser permanentes, assim como a fiscalização. Ao mesmo tempo, famílias que vivem em locais vulneráveis necessitam de orientação clara, sistemas de alerta e alternativas seguras para deixar as áreas de risco quando houver necessidade.
O clima extremo não deve ser tratado apenas como emergência quando a água já invadiu casas ou a terra já deslizou. A resposta mais eficiente começa muito antes da tempestade. Investir em prevenção custa menos, em recursos e principalmente em vidas, do que reconstruir estruturas destruídas e tentar reparar perdas que muitas vezes são irreparáveis. As chuvas recentes devem servir, portanto, como um chamado para que municípios e Estado reforcem o planejamento, ampliem investimentos e transformem a prevenção em política permanente.