Editorial
Comerciantes não podem ficar reféns da insegurança
Da Redação | 03 de setembro de 2026 - 00:10
A escalada da violência e dos crimes na região do Paraguaizinho, no Centro Histórico de Ponta Grossa, exige uma resposta objetiva, coordenada e imediata das forças de segurança. Os cerca de 18 boletins de ocorrência registrados por comerciantes em apenas um mês, envolvendo furtos, roubos, assaltos armados e crimes contra a vida, não podem ser tratados como episódios isolados. O número revela uma situação que ultrapassou o limite da preocupação e passou a comprometer a rotina de quem trabalha, mora e circula pelo local.
A mobilização da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) merece reconhecimento. Desde o início de agosto, a entidade tem procurado ouvir os lojistas, dialogar com a Assistência Social, participar de reuniões do Conselho Comunitário de Segurança e buscar o Ministério Público. A iniciativa demonstra que a sociedade está fazendo a sua parte. Agora, é preciso que o poder público apresente respostas concretas.
A primeira ação deve ser o reforço imediato do patrulhamento ostensivo na região. Polícia Militar, Guarda Municipal e demais forças de segurança precisam estabelecer uma estratégia permanente para o Paraguaizinho, com presença em horários e pontos identificados como mais vulneráveis. Não basta aparecer depois que o crime acontece. A prevenção, neste momento, precisa ser prioridade.
Também é fundamental ampliar as operações de inteligência e fiscalização. A identificação de suspeitos, a apuração das ocorrências e o combate a furtadores, assaltantes, receptadores e traficantes devem ocorrer de forma integrada. A tecnologia pode contribuir decisivamente nesse processo. O sistema de câmeras de alta resolução, com inteligência artificial e integração à Guarda Municipal, anunciado pela ACIPG, é uma iniciativa importante, mas precisa estar inserido em uma estratégia maior de monitoramento e resposta rápida.
Outro ponto que não pode ser ignorado é a situação do Centro POP. É necessário separar, com responsabilidade, a vulnerabilidade social da criminalidade. Pessoas em situação de rua não podem ser tratadas automaticamente como criminosas. Ao mesmo tempo, eventuais delitos praticados na região precisam ser enfrentados com rigor, independentemente de quem os pratique.
Por isso, Prefeitura, forças policiais, Ministério Público, assistência social e representantes do comércio precisam construir uma solução conjunta. Se a localização atual do Centro POP estiver contribuindo para a concentração de problemas, o poder público deve avaliar tecnicamente alternativas, inclusive a possibilidade de transferência da unidade, sem simplesmente deslocar a população vulnerável de um ponto para outro.
O Centro Histórico precisa voltar a ser um espaço seguro para trabalhar, morar e frequentar. Comerciantes não podem fechar as portas mais cedo por medo, trabalhadores não podem ser intimidados no caminho de casa e moradores não podem conviver diariamente com a sensação de abandono.
A situação do Paraguaizinho exige menos reuniões sem prazo e mais ações com metas, responsáveis e resultados. Segurança pública se constrói com presença, inteligência, integração e continuidade. É isso que comerciantes e moradores estão cobrando — e é isso que o poder público precisa entregar.