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Ranking da Competividade e os grandes desafios de PG

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Ponta Grossa tem motivos para comemorar, mas não para se acomodar. A evolução registrada no Ranking de Competitividade dos Municípios 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), coloca a cidade entre as 80 melhores do país. A 79ª colocação, entre 423 municípios avaliados, representa um avanço de três posições em relação ao levantamento anterior e confirma que o município possui fundamentos importantes para crescer.

O resultado, entretanto, precisa ser analisado para além da posição na tabela. O ranking funciona também como um diagnóstico e, nesse aspecto, apresenta uma mensagem bastante clara para Ponta Grossa: houve avanços importantes na gestão pública e na economia, mas ainda existem gargalos expressivos justamente nas áreas que mais interferem na qualidade de vida da população.

A cidade avançou 76 posições e chegou ao 55º lugar nacional. Sustentabilidade fiscal, eficiência administrativa, transparência e organização das informações estão entre os fatores considerados. A agilidade para a abertura de empresas, com Ponta Grossa na 13ª posição nacional, também demonstra que a desburocratização e a digitalização podem produzir resultados concretos.

Na dimensão Economia, o município também avançou, subindo 17 posições e chegando ao 120º lugar. É um desempenho coerente com a importância regional de Ponta Grossa, que reúne uma economia diversificada, forte presença industrial, logística estratégica, comércio, serviços e estreita relação com o agronegócio.

Mas é justamente nesse ponto que o ranking exige reflexão. A competitividade de uma cidade não pode ser medida apenas pela capacidade de atrair empresas, equilibrar as contas públicas ou gerar atividade econômica. Uma cidade competitiva precisa oferecer condições para que sua população viva melhor.

E é na dimensão sociedade que aparece o principal sinal de alerta. Ponta Grossa caiu 46 posições, ficando em 114º lugar. Saúde, educação, segurança, saneamento e meio ambiente estão entre os componentes avaliados. E essa dimensão representa 42,4% da nota final, o maior peso do levantamento.

O recado, portanto, é inequívoco. Não basta avançar na burocracia, melhorar a gestão ou atrair investimentos. É preciso fazer com que esse desenvolvimento se traduza em melhores serviços públicos, infraestrutura adequada, segurança, educação de qualidade, atendimento de saúde eficiente, saneamento e preservação ambiental.

Ponta Grossa está em uma posição importante, mas ainda tem um longo caminho até chegar ao grupo de municípios que lideram o ranking. E esse caminho passa necessariamente pela redução das desigualdades e pela solução de problemas estruturais que afetam diretamente o cotidiano dos moradores.

O resultado de 2026 deve ser encarado, portanto, como uma conquista, mas também como uma cobrança. A cidade mostrou que consegue avançar. Agora precisa demonstrar que é capaz de transformar eficiência administrativa e crescimento econômico em desenvolvimento social.

O verdadeiro desafio não é apenas fazer Ponta Grossa subir algumas posições na próxima edição. É construir uma cidade mais competitiva porque é, antes de tudo, uma cidade melhor para viver. Essa deve ser a meta.

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