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BR-373 pede urgência e saúde regional exige ação pontual

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A tragédia que matou 23 pessoas na BR-373, em Ipiranga, não pode ser tratada apenas como mais um acidente nas estatísticas das rodovias paranaenses. O episódio escancarou, de maneira dolorosa, dois problemas que há anos aguardam respostas concretas nos Campos Gerais: a falta de uma estrutura regional de saúde capaz de atender à população sem deslocamentos excessivos e a necessidade urgente de duplicação da BR-373 entre Ponta Grossa e Prudentópolis.

Entre as vítimas estavam 22 pessoas que viajavam em um micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva, em direção à Grande Curitiba. Eram pacientes e acompanhantes que buscavam atendimento médico. O destino, que deveria representar esperança de tratamento, terminou em uma tragédia familiar e regional. A dimensão do acidente torna impossível ignorar a relação entre a precariedade da infraestrutura rodoviária e a necessidade de deslocamento para serviços de saúde.

A duplicação da BR-373 não pode continuar sendo uma promessa distante. O contrato de concessão prevê a duplicação de 99,3 quilômetros entre Ponta Grossa e Prudentópolis, com obras programadas para os próximos anos. No trecho do acidente, estão previstos 29,1 quilômetros de duplicação, com entrega contratual indicada para 2030. O governador Ratinho Junior, entretanto, afirmou que o cronograma prevê o início das obras em 2027.

É preciso reconhecer que uma obra dessa dimensão exige planejamento, licenciamento, projetos e investimentos. Mas também é necessário reconhecer que segurança viária não pode esperar indefinidamente. Os dados da própria concessionária mostram 54 colisões frontais na BR-373 desde o início da concessão até a data da tragédia. Vinte desses acidentes tiveram vítimas fatais. São números que justificam uma atuação mais firme das autoridades para acelerar tudo o que for possível dentro das regras legais e contratuais.

O Estado, os municípios e os representantes da região precisam transformar a indignação provocada pela tragédia em mobilização permanente. Prefeitos, deputados, vereadores e entidades empresariais devem atuar conjuntamente junto ao governo federal, à ANTT, ao Ministério dos Transportes e à concessionária para acompanhar o cronograma, cobrar transparência e buscar a antecipação das intervenções sempre que houver condições técnicas e jurídicas.

Mas a duplicação da rodovia é apenas uma parte do problema. A outra está dentro do sistema de saúde. Não é razoável que pacientes dos Campos Gerais precisem percorrer centenas de quilômetros para realizar consultas, exames, procedimentos ou buscar atendimento especializado que poderia ser ofertado de maneira regionalizada.

Os municípios têm papel fundamental na atenção básica, mas os atendimentos de média e alta complexidade dependem de uma organização regional que envolve diretamente o governo estadual. É justamente nesse ponto que o Paraná precisa avançar. Ponta Grossa, como cidade-polo, deve ter condições de ampliar sua capacidade de atendimento e, ao mesmo tempo, outros municípios precisam fortalecer suas estruturas para evitar que toda a demanda seja concentrada em poucos centros.

A regionalização da saúde não significa apenas construir hospitais. Significa organizar a rede, ampliar especialidades, descentralizar consultas e exames, fortalecer os hospitais regionais, melhorar a regulação e garantir que o paciente seja encaminhado para o serviço adequado no menor deslocamento possível. Cada quilômetro que deixa de ser percorrido por um paciente representa também menos exposição a riscos, menos custos para as prefeituras e mais conforto para famílias que já enfrentam momentos de fragilidade.

É preciso, portanto, que o governo estadual apresente um plano objetivo para reduzir esses deslocamentos nos Campos Gerais. Os prefeitos também precisam assumir sua responsabilidade e, junto às Regionais de Saúde, identificar quais serviços podem ser ampliados em cada município. Não basta lamentar quando uma ambulância ou um micro-ônibus se envolve em acidente. É necessário atacar a causa estrutural que obriga milhares de pessoas a viajar em busca de atendimento.

A tragédia de Ipiranga precisa deixar uma lição. Estradas mais seguras e saúde mais próxima não são demandas isoladas. Elas fazem parte de uma mesma política de proteção à vida. Enquanto pacientes continuarem sendo obrigados a viajar longas distâncias para conseguir uma consulta ou tratamento, a segurança dessas viagens também será responsabilidade do poder público.

Os 23 mortos da BR-373 não podem ser lembrados apenas pela dimensão da tragédia. Suas mortes precisam provocar mudanças. A duplicação da rodovia deve ser tratada como prioridade regional, e a regionalização da saúde precisa sair do discurso para se transformar em planejamento, investimento e atendimento efetivo. Os Campos Gerais não podem continuar esperando que novas tragédias aconteçam para que problemas antigos sejam novamente discutidos.

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