Editorial
Preservar a história é investir no futuro de PG e na sua identidade
Da Redação | 12 de agosto de 2026 - 00:23
Ponta Grossa tem uma história construída sobre trilhos, trabalho, desenvolvimento e transformação. Preservar os espaços que testemunharam essa trajetória não é apenas uma obrigação administrativa ou uma questão estética. É um compromisso com a memória coletiva e com as futuras gerações. Por isso, a revitalização da Estação Paraná merece ser reconhecida como um investimento estratégico na identidade cultural do município.
A aprovação, pela Câmara Municipal, do projeto que autoriza
a abertura de crédito para as obras representa um passo importante. São mais de
R$ 760 mil destinados especificamente à Estação Paraná, dentro de um pacote de
recursos estaduais superior a R$ 3 milhões. O município também prevê a
aplicação de recursos próprios. O dinheiro, neste momento, será utilizado para
adequações estruturais que permitirão a reabertura do espaço.
É uma medida necessária e, sobretudo, urgente. Construída em
1894, a Estação Paraná é um dos prédios mais antigos de Ponta Grossa ainda
preservados. Ela nasceu em um período em que a ferrovia modificava
profundamente a paisagem urbana e transformava a cidade em um importante ponto
de circulação de pessoas, mercadorias e oportunidades. A estação não é apenas
um prédio antigo: é uma testemunha material de uma das etapas mais decisivas da
formação de Ponta Grossa.
Por isso, deixar um patrimônio dessa importância submetido à
deterioração seria permitir que parte da história da cidade desaparecesse junto
com suas paredes. O patrimônio histórico não pode ser lembrado apenas em datas
comemorativas ou quando se discute turismo. Ele precisa estar incorporado às
políticas permanentes de desenvolvimento urbano, educação e cultura.
A futura instalação da Escolinha do Patrimônio Cultural na
Estação Paraná dá ainda mais sentido ao investimento. O espaço poderá deixar de
ser apenas um imóvel preservado para se transformar em ambiente de aprendizado,
convivência e formação. Crianças e jovens terão a oportunidade de compreender
que a história não está somente nos livros: ela também está nas ruas, nas
praças e nos edifícios que atravessaram gerações.
Mas é preciso ir além. A revitalização prevista para janeiro
de 2027 deve ser encarada como uma etapa de um projeto maior. A própria
Secretaria Municipal de Cultura estima que uma restauração completa possa
exigir entre R$ 6 milhões e R$ 7 milhões. Buscar esses recursos deve ser uma
prioridade. Preservar patrimônio exige planejamento, investimento contínuo e
responsabilidade.
Ponta Grossa não pode crescer apagando as marcas de seu
passado. Ao contrário, uma cidade que conhece e valoriza sua história fortalece
sua identidade e cria melhores condições para projetar o futuro. A Estação
Paraná é um símbolo dessa responsabilidade.
Investir na preservação é, portanto, investir na própria
cidade. É reconhecer que desenvolvimento e memória não são caminhos opostos.
Ponta Grossa tem o dever de manter de pé aquilo que conta sua história — e de
entregar às próximas gerações não apenas uma cidade maior, mas uma cidade que
saiba de onde veio.