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Sem pista maior, aeroporto de PG perderá a funcionalidade

É preciso considerar que a população aumentou, assim como a cidade cresceu, e o sistema não acompanhou esta expansão.
É preciso considerar que a população aumentou, assim como a cidade cresceu, e o sistema não acompanhou esta expansão. -

Ponta Grossa está diante de uma oportunidade histórica. Nas próximas semanas, será definido um dos capítulos mais importantes para o futuro da infraestrutura regional: o modelo de concessão do Aeroporto Sant'Ana. O debate vai muito além de uma questão técnica. Trata-se de uma decisão que poderá impulsionar ou limitar, por décadas, a competitividade econômica de uma cidade que já se consolidou como um dos principais polos industriais, logísticos e do agronegócio do Paraná.

A inclusão do Aeroporto Sant'Ana no Programa AmpliAR representa, sem dúvida, um avanço. A concessão à iniciativa privada tende a garantir maior eficiência operacional, novos investimentos e melhores condições de gestão. Contudo, essa conquista perde grande parte do seu significado se o edital mantiver uma exceção que dispensa a futura concessionária da obrigação de ampliar a pista de pouso e decolagem.

Hoje, o aeroporto possui 1.280 metros de pista. Pela própria classificação proposta pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o terminal deveria atender ao padrão da Faixa 3, com aproximadamente 1.799 metros, permitindo a operação regular de aeronaves como Airbus A320, Boeing 737 e Embraer E2. A contradição é evidente: enquadra-se o aeroporto em uma categoria compatível com aviões de maior porte, mas dispensa-se justamente a obra necessária para que essas aeronaves possam operar com segurança e regularidade.

Não faz sentido investir milhões de reais em um novo terminal de passageiros, ampliar o pátio de aeronaves, construir taxiway e modernizar toda a infraestrutura sem garantir que o principal gargalo seja resolvido. A pista é o coração de qualquer aeroporto. Sem sua ampliação, todo o restante corre o risco de transformar-se em uma estrutura moderna, porém subutilizada.

O impacto dessa decisão ultrapassa os limites do aeroporto. Ponta Grossa concentra grandes indústrias, cooperativas, multinacionais, centros logísticos e um dos maiores entroncamentos rodoviários do Sul do Brasil. Empresas instaladas na região dependem diariamente do transporte aéreo para executivos, técnicos, fornecedores e clientes. Hoje, todos precisam percorrer mais de uma centena de quilômetros até Curitiba para embarcar em voos comerciais, aumentando custos, reduzindo produtividade e comprometendo a competitividade regional.

Não por acaso, a mobilização ganhou força. Prefeitura, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) e Secovi-PR convergem em um ponto essencial: a ampliação da pista deve ser uma obrigação contratual da concessionária, acompanhada de cronograma definido de investimentos. A união entre poder público e setor produtivo demonstra que não se trata de uma reivindicação política, mas de uma necessidade técnica e econômica.

O retorno dos voos comerciais regulares depende diretamente dessa decisão. Sem uma pista compatível com aeronaves modernas, qualquer expectativa de ampliar a conectividade aérea ficará limitada. O prejuízo não será apenas para empresários. Universidades, hospitais, turismo, eventos, comércio e milhares de cidadãos também continuarão privados de um serviço essencial para uma cidade do porte de Ponta Grossa.

A audiência pública da ANAC representa uma oportunidade para corrigir essa distorção antes da publicação definitiva do edital. Ainda há tempo para que prevaleça o bom senso. Não se pede privilégio nem tratamento diferenciado. Apenas coerência entre o investimento público já realizado e a infraestrutura necessária para que ele produza resultados concretos.

Ponta Grossa não pode aceitar uma concessão que preserve suas limitações. Se o aeroporto é estratégico para o desenvolvimento dos Campos Gerais, sua pista também deve ser. Ampliá-la significa abrir caminho para novos investimentos, fortalecer a economia, atrair empresas e devolver à população o direito de voltar a embarcar e desembarcar em sua própria cidade. É uma decisão que precisa ser tomada agora, antes que mais uma oportunidade histórica fique pelo caminho.

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